
LOBSANG RAMPA

A Chama Sagrada


6. Edio

Traduo de
RUY JUNGMANN

EDITORA RECORD

Dedicado a: Clepatra, a mais inteligente pessoa que conheci
e a Tadalinka, a mais clarividente e telepata.
Estas pequenas gatas siamesas mostraram grande
compreenso e simpatia.
Jamais digam, na minha presena: "Estpidos animais."
Elas so PESSOAS, inteligentes e civilizadas.
A Verdade das verdades.

A CHAMA SAGRADA

Sero economizadas muitas palavras se eu lhes disser por
que escolhi este ttulo. Afirma-se que " melhor acender
uma vela do que amaldioar a escurido".
Nos meus primeiros dez livros tentei acender uma vela, ou,
possivelmente, duas. Neste, no undcimo, tento alimentar as
chamas.

NDICE

1.	QUANTO MAIS SE APRENDE, MAIS SE PRECISA APRENDER	
2.	NUNCA RESPONDA S CRTICAS: FAZ-LO IMPLICA
DEBILITAR SEU ARGUMENTO
3.	EMBORA PERTO A SENDA CORRETA, LONGE PROCURA-A A
HUMANIDADE
4.	O XITO  A CULMINAO DE TRABALHO RDUO E DE
PREPARAO EXAUSTIVA
5.	CEM HOMENS PODEM CONSTITUIR UM ACAMPAMENTO;
BASTA UMA MULHER PARA CONSTRUIR UM LAR
6.	O TEMPO  A COISA MAIS VALIOSA QUE UM HOMEM PODE
DESPENDER
7.	FAA MAL AO PRXIMO E FAR MAL A SI MESMO
8.	SE VOC NO ESCALAR A MONTANHA, NO PODER VER A
PLANCIE
9.	LEMBREM-SE DE QUE A TARTARUGA S PROGRIDE QUANDO
ESTICA O PESCOO
10.	NO SE PODE POLIR A GEMA SEM ATRITO NEM
APERFEIOAR O HOMEM SEM PROVAES
11.	 PRECISO CONSERVAR A BOCA ABERTA DURANTE MUITO
TEMPO ANTES QUE PARA ELA VOE UMA PERDIZ ASSADA 	
12.	SE VOC NO ACREDITA NOS DEMAIS, COMO PODE
ESPERAR QUE ACREDITEM EM VOC?



A RAA DE TAN

De cobre  este homem,
Um homem de brancura diuturna,
Amarelo  esse homem,
Homem da escura noite...
Das quatro principais cores,
Todas conhecidas como Homem,
Vir a unidade do amanh
Formando a Raa de Tan.
Poema de W. A. de Munnik Edmonton,
Alberta, Canad


CAPTULO    1

QUANTO MAIS SE APRENDE, MAIS SE
PRECISA APRENDER

A carta era curta, seca e no se perdia em rodeios: "Senhor",
dizia, "por que desperdia tanto papel em seus livros? Quem
 que gosta de ler essas descries bonitinhas sobre o Tibete?
Diga-nos, em vez disso, como ganhar o Sweepstake
irlands." A segunda explorava, muito bem, o mesmo tema.
"Querido Dr. Rampa", escrevia o impudente jovem. "Por
que perde tanto tempo escrevendo sobre a PRXIMA vida?
Por que no nos ensina a ganhar dinheiro nesta? Quero
saber como ganhar dinheiro, agora. Quero saber como
obrigar as moas a fazerem o que eu quero, agora. Que me
importa a prxima vida, se estou ainda tentando viver esta?"
O Ancio pos de lado as cartas e reclinou-se, sacudindo
tristemente a cabea. "S posso escrever  minha maneira",
disse. "Estou escrevendo sobre a VERDADE, no sobre
fico. Neste caso..."
O nevoeiro cobria, espesso, o rio. Tentculos de bruma
rodopiando, enroscando-se, cheirando a esgoto e a alho,
estendiam antenas amarelas de um lado para outro, como
criatura viva  procura da entrada de uma habitao. Da gua
invisvel subiu o apito urgente de um rebocador, seguido
pelos gritos furiosos dos paiis franco-canadense. No alto,
um sol vermelho-escuro lutava para perfurar a escurido
mal-cheirosa. O Ancio, sentado em sua cadeira de rodas,
olhou enojado em volta do mido edifcio. A gua gotejava
tristemente de alguma apodrecida parede de concreto. Uma
brisa passageira acrescentou nova dimenso ao mundo de
odores conjurado pelo nevoeiro  cabeas de peixe podres.
"Pah!" murmurou o Ancio. "Que lixo nojento!" Com esse
profundo pensamento, impulsionou a cadeira de volta ao
apartamento e fechou a porta.
A carta deslizou pela caixa do correio. O Ancio abriu-a e
fungou: "Corte de gua hoje  noite", disse, "e tampouco
aquecimento." Em seguida, como se lhe ocorresse um
segundo pensamento: "E diz que durante algumas horas no
haver luz em virtude do rompimento de uma tubulao, ou
alguma outra coisa."
"Escreva outro livro", disse o Povo do Outro Lado da Vida. E
assim o Ancio, o Ancio da Famlia, saiu  procura de
sossego. Sossego? Rdios estridentes, trovejantes altas-
fidelidades, e crianas guinchando em todo o edifcio. Paz!
Transeuntes de boca aberta olhando pelas janelas, batendo
em portas, exigindo respostas a perguntas estpidas.
Um monte de lixo onde no h paz, um bloco vazio onde
coisa alguma  escrita sem um esforo imenso. Um cano
vaza. Comunica-se. Muito depois, chega um bombeiro para
examin-lo pessoalmente. Comunica o fato ao superior, o
Superintendente do Edifcio. ELE vem ver antes de
comunicar "ao Escritrio". "O Escritrio" comunica o fato ao
seu Superior. Ele apanha o telefone e h uma conferncia.
Muito mais tarde, chega-se a uma deciso.  transmitida do
"Escritrio de Montreal" ao Superior, que diz ao
Superintendente do Edifcio, que diz ao bombeiro, que diz
ao inquilino, "Na prxima semana, se tivermos tempo, ns o
consertaremos."
"Um nojento monte de lixo" foi assim que uma pessoa o
descreveu. O Ancio no dispe de modo assim to delicado
de descrever o lugar. Atos falam mais alto do que palavras.
Muito antes de expirar o contrato, o Ancio e Famlia
partiram para no morrer em ambiente to esqulido.
Jubilosos, voltaram  Cidade de Saint John, onde, em virtude
das presses e tenses de Montreal, o estado do Ancio
piorou rapidamente at que, muito tarde da noite, um
telefonema urgente pediu uma ambulncia, um hospital...
A neve macia descia mansamente como pensamentos que
caem dos cus. Uma leve camada de branco criou a iluso da
cobertura de um bolo de Natal. No exterior, os vitrais da
catedral brilhavam na escurido e lanavam vermelhos,
verdes e amarelos vivos sobre a neve que caa. Bem de leve,
subiram os sons de um rgo e o cantocho sonoro de vozes
humanas. Mais alto, diretamente abaixo da janela, veio a
msica de um gato cantando ardentemente de amor.
O chiado de pneumticos na rua coberta de neve, o clangor
metlico de portas de carro que se fechavam, o rudo baixo
de ps calados de galochas. Um novo grupo a caminho da
missa vespertina. As batidas solitrias do sino tenor,
exortando os atrasados a que se apressassem. Silncio, salvo
pelo zumbido abafado do trfego distante na cidade.
Silncio, salvo pelo gato amoroso a cantar sua cano,
parando  espera de uma resposta, recomeando.
Atravs de uma vidraa quebrada da catedral, destruda por
um vndalo adolescente, um vislumbre do sacerdote em
vestes talares  frente de solene procisso, seguido por
garotos do coro, gingando e brincando, cantando e soltando
risinhos ao mesmo tempo. O som do rgo elevou-se e
diminuiu. Logo depois, o sussurro de uma voz solitria
entoando antigas preces, o rolar do rgo e mais uma vez,
um vislumbre das figuras nas suas opas voltando  sacristia.
Logo depois, o som de numerosos passos e a batida de portas
de automvel. O seco latido de motores que pegavam, o
arranhar de engrenagens e o chiado de rodas enquanto os
veculos em torno da catedral afastavam-se no incio de uma
nova noite. No grande edifcio as luzes foram apagadas uma
a uma at que, por fim, somente restou a plida lua,
dardejando seus raios de um cu sem nuvens. Parara a
nevasca, os fiis haviam desaparecido, e at mesmo o
ansioso gato se afastara em sua eterna busca.
No hospital, situado em frente da catedral, a turma da noite
entrava em servio. No Posto das Enfermeiras, defronte dos
elevadores, um solitrio interno dava instrues de ltimo
instante sobre o tratamento de um doente grave. As
enfermeiras conferiam as bandejas de drogas e plulas. Irms
escreviam seus relatrios, enquanto um enfermeiro
afogueado explicava que se atrasara porque fora detido por
um policial, acusado de excesso de velocidade.
A pouco e pouco, o hospital preparou-se para a noite. Avisos
de "Nenhum desjejum" foram afixados s camas dos
pacientes que deviam ser operados no dia seguinte.
Numerosas luzes morreram. Atendentes de branco
dirigiram-se para uma cama escondida por um biombo.
Silenciosamente, uma maca de rodas foi levada para trs do
biombo. Grunhidos quase inaudveis e instrues
murmuradas, e uma figura imvel, inteiramente coberta por
um lenol, saiu empurrada. Sobre rodas sussurrantes, o fardo
foi cuidadosamente transportado pelo corredor. Atendentes
silenciosos esperaram at que o elevador parasse e, como se
motivados por um nico pensamento, os dois moveram-se
em unssono e empurraram a maca para o elevador, a
caminho do necrotrio no poro e ao grande refrigerador
que parecia um imenso arquivo, o repositrio de tantos
corpos.
As horas arrastaram-se parecendo que cada relutante minuto
abominava renunciar ao seu curto tempo de vida. Aqui, um
paciente respirava em estertores; ali, outro virava-se na cama
e gemia de dor. De um cubculo lateral, saiu uma voz
rachada de velho, chamando incessantemente a esposa. O
leve chiado de solas de borracha sobre o assoalho de pedra,
o ruge-ruge de tecidos engomados, o estalido de metal
contra vidro e a voz lamentosa cessou e foi, em seguida,
substituda pelos roncos que subiam e desciam no ar
noturno.
Na rua, a sirena insistente de um carro de bombeiros levou
muitos pacientes insones a perguntar-se "Onde teria sido?",
antes de recarem na introspeco e no medo do futuro.
Atravs da janela entreaberta chegou o gorgolejar spero de
um farrista retardatrio, vomitando violentamente nas lajes
da rua. Uma praga abafada no momento em que algum lhe
gritou e uma fieira de ave-marias quando os vapores do
lcool o fizeram vomitar novamente.
O Anjo da Morte continuou na sua piedosa misso, levando
descanso ao torturado sofredor, encerrando, por fim, a luta
sem esperana de uma pessoa devastada pelo cncer. Os
estertores cessaram e ocorreu uma rpida e indolor
contrao quando a alma deixou o corpo. Os atendentes
com a padiola de rodas sussurrantes aproximaram-se mais
uma vez, e uma segunda. Ele, o ultimo, era um conhecido
poltico. Pela manh, a imprensa sensacionalista daria uma
busca em seus arquivos e publicaria as habituais inexatides
e deslavadas mentiras  como sempre.
Num quarto debruado sobre o ptio da catedral e de onde
um vislumbre passageiro podia ser obtido do mar na baa de
Courtenay, o velho budista jazia inerte, acordado, sofrendo
dores. Pensando, pensando em muitas coisas. Um ligeiro
sorriso brincou-lhe nos lbios e logo desapareceu ao pensar
no incidente ocorrido cedo naquele dia. Uma freira entrara,
uma freira de aparncia mais santa do que a habitual. Olhou
com tristeza para o velho budista, com uma lgrima
brilhando nos cantos de cada olho. Tristemente olhou-o e
deu-lhe as costas.
	O que  que h, irm?  perguntou o velho budista. A
senhora parece muito triste.
Ela encolheu os ombros e exclamou:
	Oh!  triste. O senhor ir diretamente para o inferno!
O velho budista sentiu que a boca se lhe abria de espanto.
	Direto para o inferno?  perguntou, curioso.  Porqu?
	Porque o senhor  budista, e apenas os catlicos vo para
o cu. Outros cristos vo para o purgatrio. Budistas e
outros incrus vo diretamente para o inferno. Oh! Um ve-
lhinho to bom como o senhor, e ir diretamente para o
inferno.  to triste!  Apressadamente saiu, deixando ao
espantado velho budista uma charada para decifrar.
O Anjo da Morte continuou sua obra, entrou no quarto e
olhou para o velho budista. O Ancio devolveu-lhe o olhar.
	Libertao, por fim, hem?  perguntou.  E j era hora.
Pensei que voc nunca viria.
Suavemente, o Anjo da Morte ergueu a mo direita e estava
prestes a coloc-la sobre a cabea do Ancio, quando, de
sbito, o ar do quarto estalou e uma Figura Dourada
apareceu na escurido azulada das sombras da meia-noite. O
Anjo deteve a mo a um gesto do Visitante.
	No, a hora ainda no chegou!  exclamou a amada voz.
 H mais a fazer antes de voltar para casa.
O Ancio suspirou. Nem mesmo a viso do Lama Mingyar
Dondup podia consol-lo do prolongamento ulterior de sua
estada na terra, uma terra que o tratara to mal graas ao
dio nutrido e encorajado por uma imprensa pervertida. O
Lama Mingyar Dondup voltou-se para o Ancio e explicou:
	H ainda outro livro a ser escrito, mais conhecimentos a
serem transmitidos. E um pequeno trabalho a respeito de
auras e fotografia. Apenas um pouco mais.
O Ancio gemeu em voz alta. Tanto, sempre, a fazer, to
poucos a fazer, uma carncia to crnica de dinheiro. E de
que modo se poderia comprar equipamento sem dinheiro?
O Lama Mingyar Dondup permaneceu ao lado da cama. Ele
e o Anjo da Morte entreolharam-se e grande volume de
informaes telepticas foi trocado por eles. O Anjo
inclinou a cabea e, devagar, retirou-se e saiu para continuar
em outra parte sua obra piedosa, pondo um ponto final no
sofrimento, libertando almas imortais aprisionadas na argila
da carne.
Durante um momento no se ouviu som naquele quarto de
hospital. No lado de fora, os rudos noturnos habituais: um
co perdido rondando latas de lixo, uma ambulncia
aproximando-se da entrada de emergncia do hospital.
	Lobsang.  O Lama Mingyar Dondup olhou para o
Ancio que jazia em dores na cama de hospital.  Lobsang
 repetiu , no seu prximo livro queremos que fique bem
claro que, quando deixar esta terra, voc no entrar em
comunicao com mdiuns de becos nem orientar aqueles
que fazem anncio em revistas de cultos religiosos.
	O que quer dizer com isso, Honrado Guia?  perguntou
o Ancio.  Eu no estou cooperando com mdium algum
ou revistas religiosas. Eu mesmo nunca as leio.
	No, Lobsang. Sabemos que no l e  por isso que lhe
digo isto. Se tivesse lido essas revistas, no teramos de di-
zer-lhe, mas h certos indivduos inescrupulosos que
anunciam servios de consulta, etc., e fingem estar em
contato com aqueles que foram para o Alm. Fingem que
recebem conselhos e capacidade curativa e tudo mais do
Alm, o que, naturalmente,  de um ridculo atroz.
Queremos deixar bem claro que voc no encoraja de
qualquer maneira a burla e a charlatanice.
O Ancio suspirou com grande desespero e respondeu:
	No, no leio nunca essas revistas, nem inglesas nem
americanas. Acho que fazem mais mal do que bem. Aceitam
publicidade enganadora e grande parte dela  perigosa. E
demonstram tais preconceitos e antipatia pessoal por quem
no faz parte de suas pequenas claques que, realmente,
prejudicam os que fingem ajudar. Assim, farei como diz, e
deixarei claro que, quando abandonar esta terra, no
voltarei.
Leitor,  leitor, voc que  a mais perspicaz das pessoas,
pode dar-me sua ateno por um momento? Cumprindo
minha promessa, quero dizer o seguinte: Eu, Tera-Feira
Lobsang Rampa, pela presente, solene e irrevogavelmente,
prometo que no voltarei a esta terra e no agirei como
consultor de quem quer que alegue que assim estou
procedendo, nem aparecerei a nenhum grupo medinico.
H outra obra  espera e no terei tempo de brincar com
essas coisas, com as quais pessoalmente antipatizo. Assim,
leitor, se vir algum anncio, em qualquer ocasio, que alegue
que tal pessoa se encontra em contato espiritual com
Lobsang Rampa, chame a Polcia, chame as autoridades dos
Correios, e mande prender a pessoa por fraude, ou por
tentar usar a mala postal, etc., com finalidade fraudulenta.
Eu, quando tiver terminado nesta terra, nesta vida, farei uma
longa, longa viagem. E, assim, fica entregue aquela
mensagem especial.

De volta ao quarto pintado de verde do hospital, com uma
janela que dava para a catedral, e com vislumbre das guas da
baa de Courtenay, o Lama Mingyar Dondup dizia o que era
preciso fazer.
 Este seu undcimo livro  disse o Lama  deve dar
resposta a muitas perguntas que lhe foram feitas, a perguntas
justas e razoveis. Voc acendeu a chama do conhecimento
e agora, neste livro, precisa aliment-la para que ela se firme
na mente das pessoas e se espalhe.  Pareceu solene e um
pouco triste ao continuar:  Sei que sofre muito. Sei que
ser despedido deste hospital como incurvel, inopervel, e
com pouco tempo de vida, mas voc ainda dispe de tempo
para fazer uma ou duas obras que foram negligenciadas por
outros.
O Ancio escutou atentamente, pensando como era injusto
que algumas pessoas tivessem toda a sade e todo o
dinheiro, pudessem tudo fazer, e faz-lo nas condies mais
fceis, enquanto a ele cabia sofrimento, perseguio
incessante, dio da imprensa e falta de meios. Pensou como
era triste que no houvesse "Medicare" nessa provncia e
como eram altas as contas mdicas.
Durante algum tempo os dois, o Ancio e o Lama Mingyar
Dondup, conversaram como velhos amigos, conversaram
sobre o passado, riram de muitos incidentes que no foram
to engraados quando ocorreram, mas que eram
extremamente divertidos em retrospecto.
Finalmente, ouviram as passadas do enfermeiro da noite
fazendo a ronda. O Lama Mingyar Dondup disse-lhe um
apressado adeus, a luz dourada desapareceu e o quarto nu do
hospital mergulhou mais uma vez na escurido azulada do
amanhecer.
A porta foi aberta e o enfermeiro de branco entrou, for-
mando a lanterna eltrica um poo de luz em torno de seus
ps. Escutou o som da respirao e, sem rudo, retirou-se,
recomeando a ronda. Do outro lado do corredor ouviu-se o
alarido e os gritos do velho que chamava sem cessar a
esposa. Outra voz, mais adiante no corredor, interrompeu
com uma torrente de Ave-Marias, interminveis e
monotonamente repetidas, lembrando ao Ancio alguns dos
mais descorticados monges, que repetem Om Mani Pad Me
Hum sem cessar, sem um pensamento sequer para o que as
palavras realmente significam.
Em algum local muito distante, um relgio bateu as horas,
uma, duas, trs. O Ancio mexeu-se inquieto na cama. A dor
era aguda e agravada pela provao por que acabara de
passar. No dia anterior, tivera um colapso total e, mesmo
num hospital, colapsos totais causam algumas preocupaes.
Trs horas. A noite era longa. Em algum ponto da baa de
Fundy um rebocador apitou, quando, em companhia de
outros, foi buscar um petroleiro que aguardava ancoragem
junto  refinaria.
Uma estrela cadente cortou os cus deixando uma esteira
brilhante. Na torre da catedral, uma coruja piou e, como se
tivesse ficado subitamente envergonhada do rudo, grasnou
e saiu voando pela cidade.
Quatro horas, e a noite estava escura. No havia lua.
Inesperadamente, o feixe de um farol hesitou na baa e
repousou sobre barcos de pesca, provavelmente  cata de
lagostas. A luz foi apagada e surgiu um rebocador puxando
um grande petroleiro. Devagar, abriram caminho pelas
trgidas guas da baa de Courtenay. Lentamente, uma
brilhante luz vermelha apareceu a bombordo do petroleiro,
entrou e saiu do campo de viso, escondendo-se,
finalmente, por trs do Asilo das Pessoas Idosas, que ficava
prximo.
No corredor, houve uma comoo sbita, vozes sussurran-
tes, o som de pressa controlada. Em seguida, uma nova voz,
de um interno apressadamente tirado da cama. Sim, um caso
grave e necessidade de operao imediata. Sem perda de
tempo, o enfermeiro de servio e a enfermeira puseram o
paciente numa maca, rapidamente a empurraram pelas
portas at o elevador e a sala de operaes, dois andares
embaixo. Durante minutos, ouviram-se vozes sussurradas e
o chiado de vestidos engomados. Em seguida, tudo recaiu no
silncio.
Cinco horas. O Ancio tomou um susto. Havia algum a seu
lado, um enfermeiro de branco. Alegremente, disse:
 Pensei apenas em dizer que no haver caf para o
senhor esta manh. Nem coisa alguma para beber. 
Sorrindo para si mesmo, voltou-se e saiu do quarto. O
Ancio continuou deitado, maravilhado com a crassa
idiotice que tornava necessrio despertar um paciente que
apenas comeara a dormir e acord-lo para dizer que no ia
tomar o caf naquela manh!
Poucas coisas h to frustradoras como estar numa cama de
hospital, esfomeado e sedento, tendo ao lado da porta aberta
uma engenhoca imensa cheia de comida  o caf da manh
preparado para todos os doentes que o quiserem naquele
andar. O velho olhou para a direita e l estava o aviso,
"Nenhum desjejum", to visvel quanto podia ser. Estendeu
a mo para o copo de gua. No, tampouco gua. Nada para
comer, nada para beber. Outros tomavam caf. Ouviam-se o
tilintar de pratos e o rudo de bandejas que eram deixadas
cair ou distribudas. Por fim, a agitao cessou e o hospital
iniciou a rotina comum das manhs: pessoas que iam para o
teatro de operaes, onde tampouco veriam um bom
espetculo, pessoas indo para o raio X, pessoas indo 
patologia e os felizardos que iam para casa. Talvez os mais
felizardos entre todos tivessem sido aqueles que haviam
seguido para "a verdadeira morada".
O Ancio, deitando na cama, pensou n prazer da ida. A
nica dificuldade  que, quando se morre, ocorre
habitualmente o colapso fsico de alguma parte  alguma
parte da anatomia foi invadida por alguma horrvel doena,
por exemplo, ou algo est sendo envenenado. Naturalmente,
isto provoca dor. Mas morrer, em si,  indolor, no h
motivo algum para o medo de morrer. No momento em que
o indivduo est para morrer cai sobre ele uma paz profunda
e sente uma sensao de satisfao, sabendo que, por fim, o
longo dia terminou, o trabalho foi concludo, a tarefa acabou
ou est sendo temporariamente suspensa. Tem-se a certeza
de que se vai "para casa". Ir para a casa, onde a capacidade
ser avaliada e fortalecida a sade espiritual.
, realmente, uma sensao agradvel. A pessoa est doente,
nos ltimos estgios, a dor deixa subitamente de ser aguda e
h um entorpecimento, seguido, com grande rapidez, por
uma sensao de bem-estar, de euforia. A pessoa percebe
que o mundo fsico est-se tornando mais escuro e que o
mundo astral comea a brilhar. Lembra uma tela de televiso
que se v na escurido. A imagem escureceu e nada h para
desviar a ateno dela, se tudo mais estiver na escurido. A
tela de televiso representa a vida na terra, mas basta que
chegue a manh, basta que os raios do sol passem,
brilhantes, pela janela e atinjam a tela, e o fulgor do sol far a
imagem desaparecer de nossa vista. A luz do sol representa o
dia astral.
Desta forma, desvanece-se o mundo fsico que chamamos
de "Terra". As pessoas parecem indistintas, suas imagens
assumem contornos vagos, lembram-nos sombras, as cores
da terra desapareceram e, aparentemente, ela fica povoada
de fantasmas acinzentados. O cu, mesmo no dia mais claro,
adquire uma colorao prpura e,  medida que a viso da
terra desaparece, brilha a viso do astral. Em torno da cama
vemos os auxiliares, pessoas bondosas, que nos vo ajudar a
renascer no mundo astral. Recebemos atenes quando
nascemos no mundo que chamamos de Terra, talvez de um
mdico, possivelmente de uma parteira, ou, quem sabe, de
um motorista de txi. No importa quem fosse, era ajuda.
Esperando para entregar-nos ao Alm, existem pessoas
altamente experimentadas, superiormente treinadas,
absolutamente compreensveis e inteiramente simpticas.
Na terra tivemos dias difceis, chocantes. A Terra  o In-
ferno. Temos de ir ao "Inferno" para realizar todos os tipos
de coisas. Muitas crianas consideram a escola o "Inferno".
A Terra  a escola dos seres humanos transviados. Por isso
mesmo, sentimo-nos abalados e a maioria teme a morte, a
dor, o mistrio. Temem-nos porque no sabem o que vir,
receiam enfrentar um Deus irado que lhes enfiar um
tridente em alguma parte da anatomia e os lanar, sem
demora, ao velho Sat, que j ter no fogo os ferros de
marcar.
Mas tudo isso  tolice. No h tal Deus irado. Se temos que
amar a Deus  preciso amar um deus bondoso e
compreensivo. Falar em temer a Deus  absurdo, criminoso.
Por que temer quem nos ama? Teme-se, realmente, um pai
bondoso e compreensivo? Receia-se, de verdade, uma me
bondosa e compreensiva? No, se formos sensatos. Ento,
por que tem-lo? H Deus, quanto a isso, nenhuma dvida.
Mas voltemos ao leito da agonia.
O corpo jaz na cama, a viso acaba de desaparecer. Talvez a
respirao lute ainda no peito. Por fim, ela tambm
desaparece, cessa, no mais existe. H uma contoro que os
jornalistas, com toda probabilidade, chamaro de
estremecimento convulsivo da agonia. No  nada disso. 
indolor, ou, para ser mais exato,  uma sensao agradvel.
Lembra mais tirar uma roupa fria e pegajosa e deixar que o ar
quente e a luz do sol nos banhe o corpo. H a sacudidela
convulsa e o corpo astral sobe. A sensao no pode ser
descrita. Pode-se acaso imaginar o que significa nadar em
champanha com todas aquelas pequenas bolhas batendo em
nosso corpo? Quais as frias mais agradveis que j teve o
leitor? J se deitou na areia em alguma parte, sem nada fazer,
com a luz do sol banhando-lhe o corpo, os sons das ondas
nos ouvidos e uma suave brisa perfumada desmanchando-
lhe os cabelos? Bem, isto  uma comparao grosseira, pois
nada h em comparao com a realidade. Nada que possa
descrever o puro xtase de deixar o corpo e "ir para casa".
O Ancio, pensando nessas coisas, sondou as memrias e,
sabendo o que  e o que seria, passou-se o dia. Foi
suportado, seria talvez descrio mais fiel, e logo depois caiu
a noite. Neste hospital no havia visitas, nenhuma visita.
Uma epidemia na zona fechara os hospitais s visitas e os
doentes estavam a ss. Os que se encontravam internados
nas enfermarias pblicas podiam conversar entre si. Os que
penavam sozinhos nos quartos, permaneciam sozinhos  e
era timo para meditao, no?
Por fim, um ou dois dias depois  pareceu uma eternidade
o Ancio foi, enviado de volta a casa. Coisa alguma podia
ser feita: nenhuma cura, nenhuma operao, nenhuma
esperana. Assim, resolveu fazer o que lhe pedia o povo que
sabe, o povo do Alm, e escrever o undcimo livro. E vai
responder a certas perguntas.
Durante diversos meses o Ancio estivera cuidadosamente
selecionando entre as quarenta e tantas cartas que lhe
chegavam todos os dias, escolhendo as que continham
perguntas que pareciam revestir-se de interesse mais geral.
Sugeriu a certo nmero de pessoas de pases diferentes que
fizessem uma lista de perguntas cujas respostas queriam.
Desta maneira, foram estabelecidas algumas amizades muito
boas. No podemos esquecer nossa amiga, Sra. Valeria
Sorock, mas o Ancio deseja, em especial, agradecer s
pessoas abaixo por terem feito as perguntas que sero
respondidas neste livro:
Sr. e Srta. Newman.
Sr. e Sra. "Yeti" Thompson.
Sr. de Munnik.
Sra. Rodehaver.
Sra. Ruby Simmons.
Srta. Betty Jessee.
Sr. Gray Bergin.
Sr. e Sra. Hanns Czermak.
Sr. James Dodd.
Sra. Pien.
Sra. Van Ash.
Sr. John Henderson.
Sra. Lilias Cuthbert.
Sr. David O'Connor.
As Sras. Worstmann.

O Ancio, portanto, foi mandado para casa. "Mandado para
casa". Palavras simples e curtas que, com toda probabilidade,
nada significam para a pessoa comum, mas, para algum que
nunca tivera um lar at pouco tempo, significavam muito.
"Mandado para casa"  bem, significa estar em companhia
de pessoas amadas, em ambiente familiar, onde os
sofrimentos no so to grandes, pois sofrimentos
compartilhados so sentimentos divididos pela metade ou
em quatro partes. Assim, o Ancio foi mandado para casa. A
Srta. Clepatra e a Srta. Tadalinka receberam-no com as
maneiras mais graves, ansiosas para descobrir que tipo de
estranha criatura voltara do hospital. Houve muitos narizes
enrugados e muitas fungadelas. Os cheiros dos hospitais so
estranhos, e como era que o Ancio estava ainda inteiro, em
vez de lhe terem cortado algumas partes? Possua ainda dois
braos e pernas. Naturalmente, no tinha cauda, mas no a
tivera antes. A Srta. Clepatra e a Srta. Ta-dalinka
inspecionaram-no com toda a gravidade e chegaram a uma
concluso:
 Eu sei  disse a Srta. Clepatra  sei exatamente o que
aconteceu. Ele voltou para terminar o livro Alimentando a
Chama, antes de ser mandado alimentar a chama do
crematrio local. Isto  to certo como dois e dois so
quatro.
A Srta. Tadalinka ficou muito sria.
- Sim  disse , mas se ele perder mais peso, no haver
coisa alguma com que alimentar as chamas. Acho que
devem t-lo deixado passar fome. No sei se devemos dar-
lhe
parte de nossa comida.
A Srta. Clepatra saltou sobre o peito do Ancio e farejou
em volta, a barba, os ouvidos e deu uma boa cheirada na
boca.
	Acho que ele est subalimentado, Tad  disse.  Acho
que precisamos conversar com Ma para encher um pouco
com alimento todos estes vazios.
Mas no importa o que a Srta. Clepatra dissesse, o que a
Srta. Tadalinka contribusse, e por melhores fossem as inten-
es de Ma, o Ancio estava de dieta pelo resto da vida, uma
miservel e horripilante dieta que mal dava para manter
corpo e alma unidos.
A Srta. Tadalinka mergulhou sob a cama e falou  Srta.
Clepatra.
	Oua, Cleo  disse , quer saber de uma coisa? Acabei
de ouvi-los falar. Ele est perdendo meio quilo por dia, e isto
significa que dentro de duzentos e setenta dias no ter peso
algum.
As gatas sentaram-se e comearam a pensar no caso. Em
seguida, a Srta. Clepatra inclinou, muito sbia, a cabea,
com toda a sabedoria e sagacidade que uma pequena gata de
quatro anos de idade consegue reunir.
	Ah, sim  reexclamou , mas voc esqueceu uma coisa,
Taddy. Quanto mais esfomeado ficar, mais doente se
tornar, e em mais, clarividente se transformar. Dentro de
pouco, ele comear a ver as coisas antes que aconteam.
	Que besteira!  disse a Srta. Tadalinka.  Ele j as v,
Veja s a mensagem teleptica que nos enviou do hospital.
Ainda assim,  uma boa preparao para o comeo do livro
que vai escrever. Acho que devemos dar-lhes toda ajuda que
pudermos.
O radiador estava bastante quente e os dois gatos saltaram
para o peitoril em cima. Estenderam-se a fio comprido, da
cabea  ponta da cauda, e entraram no estado habitual de
introspeco antes de comunicar os pensamentos do dia aos
gatos locais. O Ancio? Bem, o Ancio estava satisfeito por
se encontrar na cama. Recostou-se durante algum tempo e
pensou.
"Acho que voc tem de escrever este miservel livro.
Precisa viver, mesmo que no coma muito atualmente. Tem
que pagar pelo que come." Na manh seguinte, por
conseguinte, resolveu comear este livro com a esperana
de conclu-lo, e aqui est ele. Comeou e voc est lendo o
primeiro captulo, no?
Numerosas pessoas escreveram perguntando coisas, todos os
tipos de coisas. Bem, seria uma boa idia se este livro ten-
tasse responder o que parece haver em comum nas
perguntas. O homem tem direito de saber, pois, de outra
maneira, desenvolve estranhas idias, como aquela de que a
morte  uma coisa horrvel, ou que no h o Alm. Bem,
fico sempre divertido quando dizem que no h o Alm,
simplesmente porque no o conhecem. Da mesma maneira,
um indivduo que more numa zona remota do interior
talvez diga que no existem Londres, Nova York nem
Buenos Aires, porque no as conheceram em pessoa. Afinal
de contas, as fotografias podem ser forjadas. Vi uma srie de
fotografias montadas sobre a vida no Alm, e isto  uma
pena. H um "Alm", um "Alm" muito bom e chegamos ao
mximo do absurdo quando "videntes" desonestos e
pervertidos apresentam uma srie de materiais falsos.  to
fcil apresentar a verdadeira realidade. Mais fcil, realmente.
Eu nutria a esperana de continuar as pesquisas em torno da
aura. Infelizmente, tive de abandon-las devido a motivos
financeiros, e agora  bem  no h um plano de seguro
mdico aqui, no como na Inglaterra, e tudo 
horrivelmente caro. O trabalho sobre a aura, por
conseguinte, ter que ser deixado a outras pessoas.
Outro projeto que eu queria desenvolver  o seguinte: 
inteiramente possvel construir um dispositivo com o qual
possamos "telefonar" para o mundo astral. Foi realmente
fabricado, mas o homem que o fez enfrentou tal barragem
de dvidas, suspeitas e acusaes da imprensa, que se cansou
de tudo, caiu no desnimo e, pressionado pela imprensa
insana, quebrou o aparelho e cometeu suicdio.
 inteiramente possvel inventar um telefone que ligue para
o mundo astral. Vejamos o caso da fala: ao falarmos,
produzimos uma vibrao que transmite energia a uma
coluna de ar, que, por seu turno, aciona um aparelho
recebedor, por exemplo, o ouvido do interlocutor, e ele
ouve os sons que emitimos. Os sons so interpretados como
fala. Ningum conseguiu ainda postar-se em cima de uma
antena de rdio, gritar e ser ouvido em torno do globo. Isto
porque as vibraes so transformadas em uma forma
diferente de energia. Mensagens faladas e transformadas
nessa energia podem ser ouvidas, com aparelhagem
apropriada, em todo o mundo. Escuto a Inglaterra, o Japo, a
Austrlia, a Alemanha, todos os pases. Ouvi mesmo a
Pequena Amrica no sul da Antrtida.
Um dispositivo para telefonar ao astral  algo parecido.
Transforma ondas de rdio comuns em algo
incomparavelmente mais alto, da mesma forma que as ondas
de rdio, por seu lado, so transmitidas em freqncias
muito mais altas do que a fala.
No futuro, poderemos telefonar para os recentemente
falecidos, mais ou menos da mesma maneira que uma pessoa
pode telefonar hoje a um hospital e, se tiver sorte e a
enfermeira estiver de bom humor, falar com um doente que
convalesce de uma operao. O mesmo acontecer com
aqueles que faleceram recentemente e se recuperam da
provao da ida para o Alm, da mesma maneira que a me e
o filho se recuperam das dores do parto. Enquanto a
convalescena est em andamento, os parentes podem
telefonar para uma rea de recepo para saber "como vai
fulaninho". Naturalmente, logo que o doente ficar
inteiramente bom e passar a outras dimenses, ele ou ela
ficar ocupado demais para se importar com os assuntos
banais desta Terra.
A Terra  apenas uma mancha de p que existe durante um
piscar de olhos no tempo real.
queles que estejam interessados, digo que conheci real-
mente um desses telefones e que o vi em uso.  uma pena
que a imprensa idiota no esteja sujeita  censura porque no
deveria poder agir tolamente apenas no interesse do
sensacionalismo e, dessa forma, inibir um progresso real.
Consideremos isto, pois, um comeo, e o fim do primeiro
captulo. Continuaremos e veremos o que poderemos fazer
para, no segundo, responder a algumas perguntas.

CAPTULO    2

NUNCA RESPONDA S CRTICAS: FAZ-LO
IMPLICA DEBILITAR SEU ARGUMENTO

O Ancio estava a ss em casa. Ma, Buttercup, a Srta.
Clepatra e a Srta. Tadalinka ocupavam-se nas atividades
rotineiras que parecem inescapveis em todos os lares,
fazendo compras, pois mesmo nas comunidades mais bem
organizadas h sempre as inevitveis compras. Batatas, sabo
em flocos, vrias outras coisas, incluindo  bem, apenas
murmuremos isto  artigos imencionveis sem os quais
hoje no podemos viver to bem. Recostado na cama, o
Ancio ouvia o rdio.
A recepo estava boa. O programa era transmitido pelo
Servio Africano da BBC, e chegava com grande clareza e
bom volume. Algum tocava os ltimos sucessos musicais.
O Ancio sorriu ao ouvir um ttulo estranhssimo, Jornada
Astral. Teve de baixar o som porque o telefone tocava, ao
lado da cama.
Resolvido este problema, ligou novamente a tempo de ouvir
um dos ltimos sucessos. Um locutor da BBC, disc-jockey
ou o que quer que fosse, anunciou num sotaque
iniludivelmente cockney que ia apresentar o ltimo disco:
Sem Noite, No Haveria Sol.
Sem noite no haveria sol. Saberia ele que acabava de
pronunciar uma grande verdade?  preciso ir  extremos
para realizar alguma coisa. Muitas vezes, irradiados dos
Estados Unidos, especialmente nos domingos, chegam pelas
ondas curtas horrveis programas organizados por uma
turma de missionrios revivalistas. O alarido e os desvarios
so suficientes para lanar qualquer pessoa contra o
cristianismo. Numa estao da
Amrica do Sul, bem prxima da linha do Equador, uma
outra turma revivalista uivava literalmente sobre o terror de
no ser cristo. Segundo a estao, quem no for cristo est
condenado e ir para o inferno. Esta no , decerto, a
maneira de pregar uma religio sensata.
Sem a noite no haveria sol; sem o mal no poderia haver o
bem; sem Sat no existiria Deus; sem o frio no sentiramos
o calor. Sem extremos, de que modo pode haver alguma
coisa? Pensem. Quando respiramos, quando expelimos o ar,
isto  um extremo porque, para todos os fins prticos, no
temos mais alento em ns e corremos o perigo de sufocar.
Respiramos, temos ar suficiente e, se tomarmos ar demais e
depressa demais, corremos o perigo de hiperventilao. Mas
se no inalarmos e exalarmos, coisa alguma teremos e no
poderemos viver.
Certo notvel idiota da Nova Esccia enviou-me um tolo e
mal mimeografado transbordamento a respeito de pecadores
e de Sat. Aparentemente, a idia era que eu lhe enviasse
dinheiro, pois isso o ajudar a destruir Sat. Destruir Sat?
Talvez ele fosse comprar um pouco de detergente mais
moderno, molh-lo num pano de cho novo ou algo
parecido e tentar, dessa maneira, destruir o velho Sat. De
qualquer modo, todo esse lixo foi para onde devia ir  para
o lixo.
 preciso haver negativo, ou no haver positivo.  preciso
haver opostos ou no haver movimento. Tudo que existe se
move. A noite cede ao dia, o dia,  noite; o vero  substitu-
do pelo inverno, o inverno rende-se ao vero, e assim por
diante.  preciso haver movimento, extremos. No  um
mal haver extremos: significa apenas que dois pontos esto
to separados entre si como podem estar. Assim,  preciso
conservar o bom velho Sat, pois sem ele no poderia haver
Deus, e sem Deus no poderia haver Sat porque tampouco
haveria seres humanos. O pior "Sat"  o tolo baboso que
tenta enfiar uma religio pela garganta de uma pessoa de
outra religio. Sou budista e enfureo-me com todos os
estpidos que me enviam Bblias, Novos Testamentos,
Velhos Testamentos, estampas bonitinhas, puramente
imaginrias, naturalmente (ou devia dizer, "impuramente")
da crucificao, etc., etc. ad lib, ad nauseam. Sou budista.
Muito bem. Sou um extremo em relao ao cristianismo,
como os cristes so extremos em relao a mim como
budista. No procuro converter ningum ao budismo. De
fato, um nmero enorme de pessoas escreve-me
perguntando se podem tornar-se budistas e minha resposta
invarivel  que devem permanecer filiados  religio em
que nasceram at que surja uma grande e inelutvel situao
ou circunstncia.
No gosto de pessoas que mudam de religio simplesmente
porque " o que est sendo feito", ou porque  novidade, ou
porque querem sensaes ou para que pessoas as apontem
na rua e digam: "Olhem, ele  budista".
Mas sem a noite no poderia haver sol. Sim, Sr. Locutor com
sotaque cockney, voc certamente disse uma grande ver-
dade. No persigamos tanto o velho Sat. Ele precisa viver,
pois, de outro modo, no haveria termo de comparao, no
? Se ningum falasse de Sat, de que modo poderamos
julgar o bem? Se no houvesse maus, no haveria bons.
Obviamente, no porque no haveria padro de comparao,
porque precisamos poder comparar X com Y. Neste caso,
temos o bom e o mau, desde que parece que, nos Estados
Unidos e no Canad, deve haver sempre "bons sujeitos" e
"maus sujeitos". Os "bons sujeitos" so sempre maches,
todos americanos, com as roupas bem cortadas das escolas
gr-finas e sorrisos polidos a Pep-sodent, ao passo que os
"maus sujeitos" so sempre os pobres ndios a quem
roubaram o pas com uma poro de promessas especiosas.
Mas vejamos os programas de televiso. No seria chato se
no houvesse bons sujeitos para combater os maus sujeitos,
ou se no houvesse maus sujeitos que pudessem mostrar
como so realmente bons os bons? Assim, a todos vocs que
escrevem e perguntam se no penso que Sat deve ser li-
quidado, expulso, excomungado, enviado para a Rssia, ou
algo parecido, deixem-me dizer o seguinte: No, acho que
Sat  um bom sujeito no sentido de prover o oposto do
bem, de fornecer um padro contra o qual podemos medir o
bem. Assim, levantemos as taas a Sat e, para dar sorte,
ponhamos um pouco de cido sulfrico e enxofre na taa.
Mas viremo-la de cabea para baixo.  mais seguro assim.
O Ancio gemeu ao abrir a carta. "Escrevi  Inglaterra
pedindo uma pedra de toque", leu, "h quatro semanas e
enviei o dinheiro. No tive resposta. Acho que fui vtima de
uma escroqueria."
O Ancio gemeu em voz alta. Olhou para o envelope e
gemeu mais uma vez. Em primeiro lugar, o Ancio no
estava de qualquer modo ligado ou interessado em qualquer
negcio ou aventura comercial. s vezes, uma empresa se
diversifica e alega que est associada a Lobsang Rampa, etc.
etc. H apenas uma neste caso, e  uma firma inglesa. Tem
permisso para usar a razo social de The Rampa Touch
Stone Company. Uma vez mais, porm, o Ancio quer
deixar bem claro que no est ligado a qualquer empresa
comercial nem interessado nelas. H uma firma com a qual
o Ancio est extraordinariamente aborrecido, pois ela
anuncia um servio de reembolso utilizando o ttulo do seu
primeiro livro, sem permisso sua e, definitivamente, com
sua desaprovao.
E isto  tudo o que h a respeito de negcios comerciais.
O Ancio, porm, gemeu ao olhar para o envelope e gemeu
porque nem na carta nem no envelope havia endereo al-
gum. Nos Estados Unidos e no Canad as pessoas pem,
muitas vezes, o nome e o endereo no envelope, mas s em
raros casos na carta, onde deveria estar. Na Inglaterra e
Europa, o papel leva o nome e o endereo do
correspondente e podem ser sempre respondidas as cartas
desta origem. Apesar disso, essa pessoa que se lamentava to
amarga e caluniosamente de ter sido enganada no fornecera
endereo para resposta! O que fazer ento? Como assinatura,
apenas "Mabel", nada mais, nenhum sobrenome, nenhum
endereo, e quanto ao carimbo do correio, bem, s poderia
ser lido com uma lente. Assim, vocs que se queixam de que
no receberam resposta, que se queixam de que foram
enganados, perguntem a vocs mesmos: Coloquei realmente
o endereo na carta ou no envelope?
H algum tempo recebemos uma carta. No conseguimos ler
uma nica palavra. Com toda probabilidade, fora escrita em
ingls, mas no pudemos ler coisa alguma e ela permaneceu
sem resposta. A finalidade de uma carta  comunicar algo. Se
a escrita no pode ser lida, ela no cumpre sua finalidade. E,
se no contiver endereo, bem,  um puro desperdcio de
tempo..
O Ancio, escutando o programa, o Programa Estrangeiro da
BBC, pensou em sons. H alguns anos a msica era
extremamente agradvel, algo calmante ou inspirador. Hoje,
porm, o que aconteceu ao mundo? A msica que chega da
Inglaterra parece produzida por um bando de gatos com as
caudas amarradas umas s outras. Se  msica, no sei o que
 msica. Mas os sons, bem, diferentes sons so peculiares a
diferentes culturas. Pessoas h que alegam que certos sons
lhe fazem bem, tal como o som de "OM", corretamente
pronunciado. Ainda assim, h outros no socialmente
aceitveis. Os sons de certos palavres no so admissveis
em sociedade, por exemplo; embora, talvez os mesmos
sejam aceitos como naturais na lngua de outra cultura. H
certo palavro que  inaceitvel, absolutamente inaceitvel,
realmente, em ingls, embora o seu som em russo seja
correto, decente, e usado numerosas vezes por dia.
No confie demais nos sons. Muitas pessoas chegam quase s
raias da loucura perguntando-se se esto pronunciando o
"OM" da maneira correta. Em si mesmo, o "OM" nada ,
nada significa  em si, e no se a pessoa o pronuncia como
deve, em snscrito.  intil pronunciar sem defeito "a
palavra metafsica do poder" se voc no pensa do modo
correto.
Pense nisto. Pense no programa de rdio. A pessoa emite
certos sons que, em si, no podem ser transmitidos. Podem
apenas se, para comear, dispuser de uma onda transmissora.
A onda transmisora lembra a luz que se precisa antes de
transmitir uma imagem de cinema ou de televiso, ou
projetar slides numa tela. Os slides em si, sem luz, nada so.
 preciso um feixe de luz como veculo e, exatamente da
mesma maneira, de uma onda antes de transmitir-se um
programa de rdio.
Mais uma vez e de idntica maneira, o som de "OM", etc.,
ou qualquer outra "palavra de poder" atua apenas como onda
transmissora de pensamentos corrretos.
Querem que esclarea ainda mais o assunto? Muito bem.
Suponhamos que gravemos um disco sem outra coisa que a
palavra "OM" corretamente pronunciada, "OM, OM, OM,
OM, OM". O leitor poderia toc-lo para sempre e um dia
mais contanto que o disco no se gastasse primeiro, e isto de
nada serviria porque a vitrola, ou o gramofone, como a
chamam na Inglaterra,  uma mquina incapaz de pensar.
OM  til apenas quando se pensa de modo correto, bem
como se o "fazemos soar" de modo tambm correto. A
melhor maneira  pensar certo e deixar que o som cuide de
si mesmo.
Sons! Que coisa poderosa pode ser um som. Pode acres-
centar energia aos pensamentos. A msica, a boa msica,
pode inspirar e elevar espiritualmente o homem. Pode
reforar a f na honestidade do prximo. Sem dvida
alguma, isto constitui uma realizao extremamente
desejvel em si. Mas a msica especialmente composta pode
transformar a populao num exrcito. Canes militares
ajudam-nos a marchar corretamente e com menos estoro.
Que msica  esta, pior ainda do que o jazz, pior do que o
rock'n'roll? O que acontece  que os jovens esto tentando
tornar-se mais loucos com uma cacofonia dissonante que
parece ter sido composta para extrair o que de pior h neles,
lev-los ao vcio dos txicos, encaminh-los para as
perverses, e toda a respectiva seqela.  isto o que
aconteceu, como vocs sabem muito bem.
Pessoas submetidas ao som imprprio podem ansiar por
drogas. Canes de beber podem levar a pessoa a desejar
beber mais. Algumas das velhas canes biergarten alems
faziam tanto efeito como amendoins salgadinhos. Eram
tocadas em alguns bares para aumentar a sede e levar o
indivduo a beber mais para maior aumento da renda do
negociante.
Ora, h guerras, revolues, dios e distrbios em todo o
mundo. O homem combate o homem, e as coisas pioraro
muito, antes de melhorarem. Os sons, os sons discordantes,
so os responsveis pela situao. Agitadores esgoelados e
desvairados despertam os piores pensamentos na populao,
da mesma forma que Hitler, um orador talentoso, mas
deformado, conseguiu levar os habitualmente sensatos e
slidos alemes a um frenesi, a uma orgia de destruio e
selvageria. Oh, se apenas pudssemos mudar o mundo
eliminando toda msica discordante, todas as vozes
desarmnicas que pregam o dio, o dio, o dio. Se apenas o
homem pudesse pensar em amor, bondade e considerao
para com o prximo. No h necessidade de que as coisas
continuem como esto. Bastaria que algumas, que pessoas
resolutas, de pensamentos puros, produzissem os sons
necessrios em msica e fala para permitir ao nosso mundo
to tristemente lanceado recuperar certo grau de sensatez e
acabar com todo o vandalismo e delinqncia juvenil que
constituem hoje o espetculo dirio. Deveria haver, tam-
bm, certa censura  imprensa, pois ela, sempre, quase sem
exceo, esfora-se para apresentar as coisas como mais
sensacionalistas, mais sanguinolentas e mais horrendas do
que realmente so.
Por que no iniciamos todos ns um perodo de meditao,
durante o qual pensaramos em coisas boas, pensaramos e
traduziramos pensamentos bons? E isto  to fcil porque o
poder do som controla os pensamentos de numerosas pes-
soas. Som, contanto que por trs dele haja pensamento.
O velho recostou-se na cama. A pobre criatura no tinha
alternativa. A Srta. Clepatra, deitada no seu peito, com a
cabea entre a barba do doente, ronronava contente,
olhando-o com os mais azuis dos olhos azuis. A Srta.
Clepatra Rampa, a mais inteligente das pessoas, a mais
carinhosa e mais desinteressada, apenas um pequeno animal
para a maioria, embora excepcionalmente belo. Para o
Ancio, era uma Pessoa definida e inteligente, uma Pessoa
que viera a esta Terra cumprir uma misso especfica e que a
desempenhava com nobreza e total sucesso. Uma Pessoa
com a qual o Ancio mantinha longas conversaes
telepticas que muito o instruam.
Na cadeira de rodas eltrica, a Srta. Tadalinka Rampa,
enrodilhada, roncava profundamente, muitas vezes
mexendo os bigodes e rolando os olhos sob as plpebras
cerradas. Taddy era uma Pessoa muito carinhosa. E gostava
de conforto. Conforto e alimento constituam as principais
preocupaes de Taddy. Apesar disso, fazia por merec-los.
Taddy, o mais teleptico de todos os gatos, cumpria sua parte
mantendo-se em contato com vrias partes do mundo.
Ouviu-se uma ligeira batida na porta e Vizinho Amigo
entrou e descansou o slido traseiro com um som ressoante
num assento que parecia pequeno demais para tal volume.
	Gosta de suas gatas, no?  disse Vizinho Amigo com
um sorriso.
	Gostar delas? Deus, sim! Considero-as minhas filhas, e
inteligentssimas, por falar nisso. Estas gatas fazem mais por
mim do que um ser humano.
Tadalinka, porm, ficou alerta nesse momento, sentou-se
pronta para rosnar, pronta para atacar, se necessrio, pois as
pequenas gatas podem ser muito ferozes na defesa do que
consideram suas responsabilidades. Em certo apartamento,
um homem tentou penetrar  noite. As gatas correram para
a porta e devem ter tirado uns dez anos de vida do pobre
indivduo, pois um gato siams enfurecido  um espetculo
apavorante. Incham, cada cabelo da pelagem se estende em
ngulo reto com o corpo, as caudas se expandem, eles se
pem nas pontas dos ps e parecem criaturas sadas do
inferno. Irritam-se, rosnam, rugem e coisa alguma pode ser
to perigosa como um gato siams que defende uma pessoa
ou propriedade. So numerosas as lendas a respeito da
proteo dos gatos siameses, sobretudo lendas oriundas do
Oriente, contando como este ou aquele defendeu pessoas
importantes ou doentes. Mas j falamos demais disto.
Ningum mais tentou entrar sem nosso conhecimento.
Espalhou-se a estria dos "ferozes gatos Rampa" e, ao que
parece, a maioria das pessoas tem mais medo de gatos
siameses danados do que de ces doentes.
Assim foi, deve ter sido sempre e, agora, com o Ancio to
doente, os dois pequenos gatos esto sempre alertas para
defend-lo.
Oh, sim, entre as perguntas, eis aqui uma senhora que quer
saber coisas sobre os animais. Onde est a carta agora? Ah,
aqui! "Pode dizer-nos o que acontece com os nossos bi-
chinhos de estimao que deixam esta terra? So totalmente
destrudos ou reencarnam finalmente como seres humanos?
A Bblia nos diz que apenas seres humanos chegam ao Cu.
O que tem a nos dizer a esse respeito?"
Madame, tenho muita coisa a dizer. A Bblia foi escrita
muito tempo depois de ocorridos os fatos relatados. A Bblia
tampouco  o Texto original.  uma traduo de uma
traduo de uma traduo de outra traduo que foi
retraduzida para ajustar-se aos propsitos de algum rei, poder
poltico, ou alguma outra coisa. Pense na Edio do Rei
James, nesta ou naquela edio. Muitas coisas escritas na
Bblia so pura bobagem. Sem dvida, havia muita verdade
nas Escrituras originais, mas muitas coisas hoje constantes na
Bblia no so mais verdadeiras do que a verdade da
imprensa, e todo mundo sabe que bobagem que ela .
Aparentemente, a Bblia ensina aos seres humanos que eles
so os Senhores da Criao, que o mundo inteiro foi feito
para o homem. Bem, o homem fez uma confuso horrvel
do mundo, no? Onde  que no h guerras, ou boatos de
guerra, sadismo, terror, perseguio? Precisamos sair da terra
se quisermos responder a essa pergunta. Mas estamos
tratando de animais, e do que lhes acontece.
Para comear, so muitas as espcies de criaturas. Os seres
humanos so animais e, goste o leitor ou no, os homens so
animais, animais horrendos, bravios, hostis, mais selvagens
do que quaisquer dos tipos da natureza.
Por disporem de polegar e dedos, os seres humanos pude-
ram desenvolver-se ao longo de certas linhas, desde que po-
dem usar as mos para fabricar coisas, o que  vedado aos
animais. O homem vive num mundo sobremodo material e
acredita apenas naquilo que pode segurar entre os dedos e o
polegar. Os animais, no tendo polegar e sendo incapazes de
agarrar coisas, foram obrigados a evoluir espiritualmente. A
maioria dos animais  espiritualizada. No matam, a menos
que tenham absoluta necessidade de comer, e se um gato
"apavora e atormenta" o camundongo  bem, isto  uma
iluso do ser humano. O camundongo no sabe em absoluto
o que acontece porque est hipnotizado e no sente a menor
dor. Que tal isto?
Sob tenso, as sensaes do homem so anestesiadas e, em
tempos de guerra, por exemplo, um brao pode ser arran-
cado por um canhonao e,  parte uma dormncia muito
leve, ele no sente o ferimento at que a perda de sangue o
enfraquea. Ou, dirigindo um avio, por exemplo, uma
pessoa pode ser baleada no ombro, mas continuar a pilotar
e pousar em segurana o aparelho, e somente quando
terminar a excitao sentir dor. No caso do nosso
camundongo, por aquela ocasio ele no sente coisa alguma.
Os cavalos no reencarnam como narcisos silvestres. Os
sagis no reencarnam como vermes e vice-versa. H
diferentes grupos de povos da natureza, - cada um deles
numa "concha" isolada separada, que no invade a existncia
espiritual ou astral de outros seres. O que isso realmente
significa  que o macaco nunca reencarna como homem,
um homem nunca reencarna como camundongo, embora,
reconheamos, muitos homens so muito parecidos com os
ratos na falta de resistncia ntima, o que constitui uma
maneira muito polida de dizer que. .. bem, vocs sabem o
que .
 uma declarao definida de fato que animal algum
reencarna como ser humano. Sei que os humanos so
tambm animais, mas estou usando aqui o termo
comumente aceito. Referimo-nos a seres humanos e a
animais, separadamente, porque os humanos gostam de ser
um pouco lisonjeados. E, assim, fingimos que no somos
animais, mas uma forma especial de criatura, um dos
escolhidos de Deus. Assim, o animal humano nunca, mas
nunca, reencarna como caninos, felinos ou eqinos. E, mais
uma vez, vice-versa.
O ser humano teve um tipo de evoluo que lhe cumpre
continuar, o animal  que nome lhe daremos?  teve
outra, e no necessariamente paralela, que ter de seguir.
No so, por conseguinte, criaturas permutveis entre si.
Numerosas escrituras budistas "referem-se a homens que
voltam como, aranhas, tigres, ou alguma outra coisa, mas,
claro, os budistas educados no acreditam nisso, que
comeou como um mal-entendido h muitos sculos, mais
ou menos da mesma maneira que h um mal-entendido a
respeito de Papai Noel, ou de mocinhas que so feitas de
acar e pimenta, e que so todas muito boazinhas. Mas ns
sabemos que nem todas as mocinhas so boazinhas.
Algumas delas so muito, outras so devidamente
asquerosas, mas, naturalmente, conhecemos apenas as
boazinhas, no?
Ao falecer, o ser humano vai para o plano astral, sobre o
qual teremos mais a dizer adiante. Ao morrer, o animal vai
tambm para um plano semelhante, onde  recebido pela
sua prpria espcie, onde h entendimento perfeito e
perfeito rapport entre eles. Da mesma forma que no caso
dos humanos, os animais no podem ser incomodados por
aqueles com quem so incompatveis. E agora estude isso
com ateno: quando morre uma pessoa que ama um animal
e vai para o mundo astral, ela pode entrar em contato com o
bichinho querido, podem ficar juntos se h verdadeiro amor
entre eles. Alm disso, se os seres humanos fossem mais
telepatas, se houvesse mais crena se abrissem a mente e
recebessem, os animais queridos que morreram poderiam
manter contato com ele antes que os humanos os
acompanhassem.
Agora, deixe-me dizer-lhe o seguinte: eu tenho certo n-
mero de pequenas pessoas que foram para o Outro Lado e
me mantenho em iniludvel e constante contato com elas.
H uma pequena gata siamesa, Cindy, com a qual estabeleo
contato dirio. Cindy ajudou-me imensamente. Na Terra, ela
teve uma existncia realmente difcil. Agora, ajuda, ajuda,
ajuda sempre. Est fazendo tanto como qualquer pessoa do
Alm pode fazer para ajudar algum deste Lado.
Os que realmente amam os denominados animais de
estimao podem ter certeza de que, ao terminar esta vida
para ambos, podero reunir-se, mas no ser a mesma coisa.
Enquanto esto na terra, os humanos constituem uma turma
incrdula, cnica, spera, blas, e tudo mais. Ao chegarem ao
Outro Lado, sentem um choque ou dois que os levam a
compreender que no so os Senhores da Criao como
pensavam, mas apenas parte de um Plano Divino. No Outro
Lado, compreendem que os outros tambm tm direitos,
descobrem que podem falar com a maior clareza com
animais que l esto, e sero respondidos na lngua que os
animais queiram usar. Constitui uma limitao dos humanos
que, enquanto esto na Terra, a maioria no seja telepata e
no perceba o carter, a capacidade e os poderes dos
denominados "animais". Mas quando seguem para o Outro
Lado, tudo se esclarece e os seres humanos lembram um
cego de nascena que subitamente consegue ver.
Sim, animais vo para o cu, no o cu cristo, claro, mas
nada perdem com isso. Os animais tm um cu autntico,
no com anjos de asa de penas de ganso, mas um cu real. E
possuem um Manu, ou Deus, que deles cuida. Tudo o que o
homem pode obter ou realizar no Outro Lado  dado aos
animais  paz, aprendizagem, progresso  tudo, sem
exceo alguma.
Na Terra, o homem ocupa a situao de espcie dominante,
dominante em virtude das horrendas armas que possui.
Desarmado, um homem no ficaria  altura de um co
resoluto; armado com algum mtodo artificial, tal como uma
arma, pode dominar uma matilha, e foi apenas em virtude de
sua maldade que perdeu o poder teleptico de comunicao
com os animais. Esta  a histria da Torre de Babel, como
vocs sabem. A humanidade usava geralmente a telepatia e a
fala apenas em dialetos locais para comunicar-se com
membros da famlia quando no queria que todos soubessem
o que estava sendo dito. O homem, porm, atraiu os animais
para armadilhas com falsa telepatia e falsas promessas. Em
conseqncia e como castigo, a humanidade perdeu o poder
teleptico e atualmente apenas algumas pessoas ainda o
conservam. E para ns que o conservamos, a situao
lembra aquela histria de "em terra de cego, quem tem um
olho  rei".
Bem, madame, respondendo em curtas palavras a sua
pergunta: No, seres humanos no reencarnam como
animais nem animais reencarnam como seres humanos.
Sim, animais vo para o cu e, se a senhora realmente amar
o seu animal de estimao, poder reunir-se a ele se o seu
amor for sincero e no apenas um desejo egosta e insensato
de dominar ou possuir. E finalmente, neste assunto, os
animais no constituem uma espcie inferior. Os seres
humanos podem fazer um nmero imenso de coisas que so
defesas aos animais, mas estes podem tambm realizar um
nmero enorme de coisas vedadas aos seres humanos. So
diferentes e isto  o cerne da questo  so diferentes, mas
no inferiores.
A Srta. Cleo, repousando confortavelmente, levantou os
lmpidos olhos azuis e enviou uma mensagem teleptica:
 Vamos trabalhar, temos que trabalhar ou no teremos o
que comer.  Assim dizendo, levantou-se cheia de graa e,
com a maior delicadeza, afastou-se. O Ancio, emitindo um
suspiro, passou  carta seguinte e a outra pergunta.
"Existem Mantras que enviem animais moribundos a planos
mais altos e, em caso afirmativo, quais so eles?"
No so precisos Mantras de seres humanos em inteno dos
animais. Da mesma forma que os humanos tm seus pr-
prios auxiliares esperando no Outro Lado para ajudar os
moribundos a renascerem no astral, os animais os tm
tambm. No so necessrios, por conseguinte, Mantras para
ajudar os animais  morte a entrarem no mundo astral. De
qualquer modo, eles conhecem por instinto ou por
precognio muito mais a esse respeito do que os seres
humanos.
No se deve esperar at que o animal esteja morrendo antes
de prontificarmo-nos a ajud-lo. A melhor maneira de
ajudar o animal  na poca em que ele est vivo e bem nesta
terra, porque so belas criaturas, e no os h maus ou cruis
a menos que assim se tenham tornado por maus tratos,
conscientes ou no, s mos do homem. Conheci muitos
gatos e nunca soube de um deles que tenha sido
naturalmente cruel ou de maus bofes. Se o gato foi
atormentado por seres humanos, ou por crianas, com toda
probabilidade, naturalmente, adota uma ferocidade
protetora, mas logo depois, com um pouco de bondade, tudo
isso desaparece e temos mais uma vez o animal suave e
devotado.
Sabem, muitas pessoas tm um medo que se pelam de gatos
siameses, dizendo que so ferozes, destrutivos, maus em
tudo. Isto no  verdade, no h uma migalha de verdade
nisso, nem uma nica palavra. A Srta. Clepatra e a Srta.
Tadalinka nunca, mas nunca mesmo, fazem coisa alguma
para aborrecer-nos. Quando algo nos irrita, dizemos apenas:
"Oh, no faa isso, Cleo!", e ela no faz mais. Os nossos gatos
no arranham a moblia nem raspam os cortinados porque
temos um pacto com eles: fornecemos-lhes um poste para
coar, uma coisa que se faz sem maior dificuldade. Temos,
realmente, dois. So postes robustos, bem montados sobre
uma base quadrada, ambos cobertos com um tapete grosso,
no um velho tapete caindo aos pedaos que tiramos da lata
de lixo, mas um tapete novo. Na verdade, pedaos dele.
Bem, o revestimento foi bem preso aos postes e na parte
superior deles h espao para os gatos se sentarem.
Diversas vezes por dia Clepatra e Tadalinka vo aos postes
de coar e se espicham de modo to belo e completo que d
gosto s em olhar. s vezes, vo andando at o poste em
vez de saltar para a parte superior, o que  muito bom para
os msculos e para as garras. Desta maneira, fornecemos o
poste de coar e eles nos do tranqilidade, porque no nos
preocupamos mais com a moblia ou com as cortinas.
Certa vez, pensei em escrever um livro sobre lendas de
gatos e a histria real deles. Gostaria imensamente de faz-
lo, mas a decrepitude crescente torna improvvel que jamais
o faa. Gostaria de contar, por exemplo, que em outro
mundo, em outro sistema, muito distante do nosso, houve
uma alta civilizao de gatos. Naqueles dias, eles podiam usar
os "polegares" como os humanos, exatamente como fazemos
agora, mas caram das graas e lhes foi dada a opo de dar
mais uma volta completa da roda ou ir para outro sistema
ajudar a uma raa ainda no nata.
Os gatos so boas e compreensivas criaturas e assim, toda a
raa e o Manu deles resolveram vir para o planeta que
chamamos de Terra. Vieram observar-nos para comunicar a
outras esferas o nosso comportamento, algo parecido com
uma cmara de televiso em eterno funcionamento. Mas
observam e comunicam no para fazer-nos mal, mas para
ajudar-nos. Nas regies superiores no so comunicadas
coisas com a inteno de causar danos, mas apenas para
possibilitar a correo de defeitos.
Os gatos tornaram-se naturalmente independentes para que
no fossem movidos pela afeio. Vieram como pequenas
criaturas para que os humanos pudessem trat-los spera ou
bondosamente, de acordo com sua natureza.
Os gatos constituem uma boa e benigna influncia na Terra.
So prolongamentos diretos do grande Eu Superior deste
mundo, uma fonte de informaes num local onde grande
volume delas  destorcido pelas condies mundiais.
Sejam amigos dos gatos, tratem-nos bondosamente, tenham
f neles e saibam que gato algum jamais magoou
propositadamente um ser humano, embora muitos tenham
morrido tentando ajud-los.
Bem, a Srta. Tadalinka acabou de entrar s pressas com uma
mensagem teleptica:
 Eh, sabe de uma coisa? H hoje setenta e oito cartas para
o senhor:  Setenta e oito cartas!  mais do que tempo que
eu comece a responder a algumas que esto  espera.

CAPTULO    3

EMBORA PERTO A SENDA CORRETA, LONGE
PROCURA-A A HUMANIDADE

"Como  a vida hoje em dia em Lhasa? Est sendo aberta
ainda a "terceira viso" nos novios? O que aconteceu s
pessoas que descreveu no primeiro livro?"
Lhasa, em 1970, sob o governo terrorista dos chineses
vermelhos,  muito, muito diferente do que era antes da
invaso. As pessoas andam furtivamente e olham sobre o
ombro antes de aventurar-se a falar at mesmo com os
amigos mais ntimos. No h mais mendigos nas ruas; foram
pregados pelas orelhas e morreram h muito ou foram
enviados aos campos de trabalhos forados. As mulheres no
so mais as pessoas alegres e descuidadas de antes. Agora, no
Tibete dominado, so obrigadas a casar com chineses
deportados da China e ali enviados como primeiros colonos.
Culpados de genocdio, os chineses esto tentando matar a
nao tibetana. Chineses foram arrancados de suas famlias
na China e enviados ao Tibete para cultivar o duro solo e
viver como pudessem, mandados casar com mulheres que
no os querem e serem os pais de uma raa de mestios,
meio chineses meio tibetanos. Logo que a criana nasce 
tomada dos pais e internada num lar comunal onde lhe
ensinam,  medida que cresce, a odiar tudo o que  tibetano
e adorar tudo o que  chins.
Os tibetanos esto sendo tratados de tal maneira que no so
mais homens e, portanto, no podem ser mais pais.
Numerosos homens e numerosas mulheres, igualmente,
escaparam, talvez para a ndia ou talvez para os ermos
montanhosos mais altos, que as tropas chinesas no
conseguem escalar. A raa tibetana no se extinguir.
Persistir.  uma tragdia que os tibetanos de alta classe
atualmente na ndia no procurem despertar o interesse em
prol da salvao do Tibete.
Durante certo tempo, acalentei a esperana de que esses
figures abandonassem seus pequenos cimes e pequenos
dios e cooperassem comigo. H muito tempo tenho o
grande desejo de falar como representante do Tibete diante
das Naes Unidas. No sou mudo, no sou analfabeto,
conheo o Oriente e o Ocidente, e h muito tem sido meu
desejo mais ardente servir ao Tibete apelando aos Povos
Livres do mundo em nome de um povo ora escravizado e
que enfrenta uma campanha resoluta para extinguir uma
raa inteira. Mas, por m sorte, apostrofaram-me de muitas
coisas e os altamente colocados que vivem em conforto na
ndia no julgavam conveniente esforar-se para salvar o
Tibete. No obstante, isto  outro assunto, a ambio de um
homem, uma ambio, apesar disso, inteiramente altrusta,
pois nada quis para mim.
Meus livros so relatos autnticos, todos eles, absolutamente
autnticos, embora, para infortnio meu, a imprensa julgasse
conveniente atacar-me. Afinal de contas,  muito mais fcil
e muito mais sensacional tentar destruir uma pessoa e fazer
um escarcu em torno de algo que no existe no que re-
conhecer a verdade. Relembrando esses anos, acho que
esses altamente colocados tibetanos que esto vivendo com
grande conforto na ndia temem apoiar-me na impresso
errnea de que, se o fizessem, perderiam o apoio da
imprensa. Quem  que se importa com a imprensa, por falar
nisto? Eu, no!
Pessoas que conheci no Tibete? Os mais altamente colo-
cados foram assassinados, torturados at a morte. O
Primeiro-Ministro do Tibete, por exemplo, foi arrastado por
um carro em alta velocidade pelas ruas de Lhasa, com uma
corda amarrada em torno de um tornozelo e a outra na
traseira do veculo. O carro, cheio de chineses zombeteiros,
partiu puxando um homem eminente pelas ruas, dando
voltas pela estrada pedregosa, arrancando-lhe o nariz, as
orelhas, outras coisas, at que, com um corpo que era uma
chaga s, pingando sangue, foi lanado num monte de lixo
para ser devorado pelos ces.
Mulheres que conheci? Bem, as filhas foram publicamente
estupradas na frente das famlias. Numerosas mulheres
eminentes foram levadas  fora aos prostbulos destinados
s tropas chinesas. A lista mencionando esses fatos poderia
ser alongada, mas no h proveito nisso..
Certos covardes de alta classe capitularam e tornaram-se
lacaios dos chineses, obedecendo-lhes cada capricho,
imitando-os, lisonjeando-os e permanecendo em cargos de
"confiana" at que seus amos, cansados deles, liquidaram-
nos.
Sim, outros fugiram para as montanhas, onde continuariam a
luta contra os chineses. Muitos naturalmente, seguiram para
a ndia. Bem, isso era deciso deles, mas o pensamento volta:
por que os Grandes, na segurana da ndia, no fazem algo
para ajudar aos que correm perigo?
Nos grandes templos e na prpria Potala as lminas de ouro
que formavam o telhado foram arrancadas e levadas para a
China, onde, presumivelmente, o ouro foi fundido e
transformado em moeda ou alguma outra coisa. Figuras
sagradas foram derretidas para extrair-lhes o contedo de
ouro e prata, arrancadas e levadas para a China as pedras
preciosas, enquanto outras coisas, como livros, manuscritos,
pinturas e esculturas, alimentaram uma grande fogueira e
foram totalmente destrudas e, com elas, a histria de um
pas inofensivo e inocente, dedicado apenas ao bem-estar da
humanidade.
As lamaserias so agora prostbulos ou quartis. Os con-
ventos, bem, os chineses consideraram-nos como
prostbulos perfeitos e acabados. Monumentos antigos foram
derrubados para permitir passagem mais fcil das colunas
blindadas.
Lhasa  agora a capital do terror, onde pessoas so mortas e
torturadas sem saber o motivo. Destruram tudo que era
belo. A menos que homens vigilantes tivessem salvo essas
coisas a tempo e, com grande esforo, levando-as para
refgio nas montanhas, onde poderiam ser armazenadas para
as geraes futuras, tudo que era belo foi destrudo. O Tibete
renascer e no h batalha final at a ltima, e somente essa
 decisiva. O Tibete renascer. Talvez surja um homem forte
que se transforme num grande governante e revitalize os
que procuraram apenas a segurana e o conforto na fuga.
O Tibete est hoje cortado por grandes estradas, possui
grandes edifcios  semelhana de quartis, onde so
alojados operrios que esto tentando tirar alguma coisa da
terra estril. No  tarefa fcil, pois os chineses, forados a se
tornarem imigrantes ou colonos, odeiam a terra e o povo e
tudo que desejam  voltar para seus prprios lares e famlias.
Os tibetanos, porm, so tratados como seres subumanos; os
colonos chineses, como escravos e mantidos ali contra a
vontade. Os que tentam fugir so torturados e executados 
vista de todos.
Entrementes, as naes do mundo continuam nos seus
negcios dirios de umas poucas guerras aqui e ali  Coria,
Vietn, Israel e os pases rabes, frica, a fronteira sino-
russa, e em numerosos outros lugares. Mas, se fosse erguida
a voz apropriada, as naes mais inteligentes do mundo
escutariam uma splica de ajuda de um representante
acreditado do Tibete, que pudesse dilatar o alcance da
palavra falada pela palavra escrita, que pudesse comparecer
perante as Naes Unidas, aparecer na televiso, e escrever,
sem um momento de pausa, solicitando ajuda para um povo
violentado antes que seja tarde demais.
Do corredor, veio um rugido como de um touro. Uma batida
violenta na porta e o Vizinho Tamanho Famlia entrou. Com
o rosto em fogo, sentou-se com um rudo que pareceu abalar
o edifcio.
	Sabe de uma coisa?  mugiu.  Aqueles... em Halifax,
querem aumentar-me o aluguel!
O Ancio, encostado nos travesseiros, tentou pensar em
algumas palavras bondosas para dizer sobre "Halifax", mas foi
obrigado a admitir que tudo subia  leite, alugueres, tarifas
postais, carretos, gs!
No trreo, no saguo principal, o porteiro, Angus
Robichaud, esforava-se para limpar um tapete. Tanta coisa a
fazer, coisas demais, e responsabilidade em excesso. Angus
Robichaud  um bom homem, leal, que, com sucesso,
caminha pelo estreito caminho entre fazer o que os patres
exigem e o que pode pelos inquilinos. Um homem raro, um
tipo cada vez mais difcil de encontrar.
No apartamento do porteiro, a esposa, Sra. Robichaud, luta
para conservar a pacincia e a sanidade mental entre
telefonemas conflitantes. A Sra. Schnitzeleimer, do 1.027:
	Eu quero que a senhora desligue o aquecimento. Meu
marido diz que j est assado e que est quente demais.
Logo que ela desligou, com uma batida mal-humorada, o
telefone chamou outra vez:
 Eh, Madame, diga ao seu marido para aumentar o
aquecimento um bocado, e logo, ou telefonarei ao dono e
apresentarei queixa. Para que  que a senhora pensa que eu
pago aluguel? Para ser refrigerado?
Tudo estava subindo. O Ancio, porm, desconfiou que no
subia o salrio do Sr. Robichaud. Que pena, pensou, que
alguns dos donos de edifcio de apartamentos fossem to
cegos para pr um homem como encarregado de um prdio
que custou alguns milhes para construir  e que, com toda
probabilidade, mal lhe pagam o suficiente para manter
reunidos corpo e alma. Sim, os preos sobem para
enriquecer ainda mais os que j possuem demais.
Pagamento? Pagamento? O preo de tudo est subindo? Sim,
esta  uma boa pergunta. Perguntam-me por que os
ocultistas esperam ser remunerados por conselhos ou
informaes. Seria errado cobrar pela ministrao de
conhecimentos ocultistas.
Muito bem, Sr. Fulano de Tal, procure seu advogado, seu
mdico ou seu armazm, v aonde quiser e, se desejar
alguma coisa, ter que pagar por ela. O seu advogado gastou
muito dinheiro para formar-se, passou necessidades como
estudante e como advogado recm-formado. Investiu tempo
e dinheiro em conhecimentos especializados e espera, com
toda razo, uma remunerao adequada de seu investimento.
O seu mdico tambm teve dias difceis como universitrio.
Foi obrigado a estudar, fazer a ronda das enfermarias e
submeter-se a exames severos para ver o quanto ou o pouco
sabia. Se ele presta como mdico, est estudando ainda,
mantendo-se a par dos ltimos progressos, lendo ainda sobre
resultados de pesquisas. Gastou muito dinheiro nos estudos,
investiu no futuro e, da mesma forma que o advogado, o
corretor, ou qualquer pessoa, espera uma remunerao
adequada pelos seus investimentos.
Tente ir ao armazm de secos e molhados conseguir pro-
vises gratuitas. Diga ao dono que ele  um criminoso por
ter tantos alimentos nas prateleiras enquanto voc no tem
coisa alguma na sua casa, diga-lhe que  criminoso  tendo
tantos alimentos e voc nenhum  cobrar-lhe por eles.
Faa isso e, provavelmente, ser levado s pressas para o
asilo de alienados local, como non compos mentis.
O oculista ou metafsico autntico  e eu sou um deles -
passou longo tempo aprendendo e sofrendo. Como tais,
muito embora faamos o possvel para ajudar aos demais, te-
mos ainda direito de viver, de comer, de vestir e, como tal,
cobramos pelos nossos servios. Pergunte a seu mdico, seu
fornecedor ou seu advogado se isto no est correto.
A mesma carta contm outra pergunta. Talvez seja bom
respond-la ao mesmo tempo, desde que se aplica s
observaes acima.
A pergunta  a seguinte: "Estive em Vancouver e moro na
Colmbia Britnica. H ali um homem que cobra grandes
somas para responder a perguntas. Diz que  aluno seu, que
trabalha em estreito contato com o senhor, e que o senhor o
aconselha quando ele est em dificuldades. Esse homem
tomou-me uma grande soma e deu-me informaes em que
no h o menor gro de verdade. O que  que o senhor tem
a dizer a esse respeito?"
Para comear, no trabalho com pessoa alguma. No tenho
nenhum aluno.  uma deslavada mentira dizer que trabalho
em ntimo contato com algum cartomante. Com excessiva
freqncia, quando ele acerta, induz a pessoa a fazer o que
ele ou ela no faria em circunstncias comuns. Mas
trataremos desse ponto logo em seguida.
Se o leitor tem motivos para acreditar que a pessoa se faz
passar como aluno meu, e que ganha dinheiro sobre essa
falsa alegao, ento tudo o que tem a fazer  ir  delegacia
de, polcia mais prxima e conversar com algum do
esquadro de mistificaes. Explique-lhe a situao e, se
quiser, mostre-lhe este livro, esta pgina, onde declaro, de
uma vez por todas, que no tenho aluno nenhum e que no
trabalho com cartomantes ou aves da mesma plumagem.
Diga-lhe que no tenho discpulos, que no os quero e que,
na verdade, eles constituem um maldito incmodo! Mas,
naturalmente, isto fica entre mim e voc. Discpulos andam
em volta dizendo: "Sim, Mestre isso; sim, Mestre aquilo",
atrapalham-nos, saem do madeiramento como cupins. H
muitos e muitos anos resolvi que jamais teria discpulos nem
alunos. Isto tudo faz o seu cartomante em Vancouver,
Colmbia Britnica, parecer um pouco tolo, no? No,
madame, no me culpe por ter recebido informaes falsas.
Eu no dou informaes nem as vendo. Escrevo livros e
aqui, mais uma vez, tem a minha declarao taxativa de que
todos eles so autnticos. Eu no juraria isso sobre uma pilha
de Bblias porque no sou cristo e isso no me significaria
mais do que jurar sobre uma pilha de jornais velhos. Mas,
repito, todos meus livros so autnticos.
 insensato, saibam, preocupar-se com cartomantes. Afinal
de contas, todos ns viemos  terra como alunos chegam a
uma escola. Agora, suponhamos que voc fosse para a
faculdade e, durante as frias, ou num meio dia de folga,
procurasse alguma velha charlat que, com toda
probabilidade, usa brincos e turbante, e lhe dissesse:
 Eh, o que  que eu vou fazer no prximo perodo de
aulas? No direi a ningum se me contar.
Bem, a velha cartomante no poderia contar muita coisa,
poderia? No saberia que cursos voc est seguindo, quais as
suas ambies secretas, onde se encontram suas fraquezas.
No! A cartomante comum  mais ou menos assim.
Agora, leia isto com ateno e grave-o na memria; nenhum
ser humano pode consultar o Registro Akshico de outro ser
humano sem "Permisso Divina". E, acredite, a Permisso
Divina  mais rara do que cabelo em casca de ovo e se
algum lhe disser que vai sair durante um momento para
consultar o Registro Akshico, e que voltar com uma planta
baixa de sua vida passada e futura, diga-lhe o que pensa e, se
for sabido, procure o Esquadro de Mistificaes se houver
dinheiro envolvido.
Todos ns estamos aqui com uma misso. Se escutarmos as
cartomantes, que no sabem o que dizem, poderemos ser
desviados e, em vez de transformar a vida num sucesso,
poderemos ser profundamente decepcionados,
desencorajados ou desencantados. A melhor coisa  meditar
devidamente e, se fizer isso, descobrir uma poro de
coisas a seu respeito  habitualmente bastante horrveis.
Descobrir as situaes em que errou por ouvir os demais.
Naturalmente, pode escut-los, mas tem que fazer
pessoalmente uma opo e prosseguir com plena
responsabilidade pelos seus atos.
Uma das declaraes mais tolas que j se fez at hoje foi que
nenhum homem  uma ilha. Tolo, no? Claro que todo
homem  uma ilha para si mesmo.
Se ingressar em cultos e grupos, voc no ser um indiv-
duo. Ser apenas algum que vive em comunidade. Se se
tornar membro, no estar aceitando sua responsabilidade
como ser individual. Sem dvida, isto causar grande alarido
entre os que anunciam cursos metafsicos por
correspondncia, que custam grandes somas durante toda a
vida e retribuem muito pouco. Mas a verdade  a seguinte:
no importa o que lhe disse sua me ou o lder de seu grupo,
ou o alto detentor mstico da chave simblica do colgio por
correspondncia. Quando voc passar desta vida para outra,
voc, e voc somente, ter que responder ao seu Eu
Superior pelo que fez e deixou de fazer.  de uma inutilidade
total pensar que pode dizer: "Oh, no me pode culpar disso.
Fiz apenas o que mame mandou. Se ela estivesse aqui, ela
mesma confirmaria isto." Mas isso  idiota. Voc tem que
assumir a responsabilidade, e mais ningum. E se tem que
assumir a responsabilidade, que  inescapvel, por que se
deixar persuadir a fazer alguma coisa por uma turma que s
quer seu dinheiro ou um pouco de poder na liderana de um
grupo? Esse tipo de pessoa no ficar a seu lado, quando o
seu Eu Superior lhe julgar a vida. Mais uma vez, deixe-me
repetir: voc, e voc apenas, ter que responder ao seu Eu
Superior e, por conseguinte, voc, e voc somente, deve
viver sua vida e tomar suas decises, e aceitar ou rejeitar
responsabilidades como voc, e voc sozinho, achar
conveniente.
 intil prestar ouvidos ao Sr. Fulano de Tal, Presidente da
Sociedade Metafsica do Dente de Porco, que lhe dir isto,
aquilo e mais aquilo, e que afirmar que, se voc fizer o que
seu culto sugere, voc ganhar uma poltrona reservada no
cu com lies gratuitas de harpa, de quebra. Voc no sabe.
Se o Sr. Fulano de Tal soubesse do, que estava falando, ele
no diria tanta bobagem. Em vez disso, estaria to ocupado
ajeitando sua vida e preparando-se para o prprio
julgamento que no se intrometeria nas responsabilidades
dos demais.
Da mesma forma,  estpido ser convencido ou influenciado
pelas velhas de ambos os sexos que tagarelam e uivam que
voc deve ingressar no grupo religioso delas, dizendo-lhe
que ser condenado ao inferno em caso negativo, e como
ser maravilhoso se o fizer. Bem, mais uma vez, lembre-se
de que nenhuma dessas pessoas responder por voc mais
tarde.
H um nmero excessivo de pessoas que vivem balindo por
a, "Que Deus o abenoe". Fingem que tm autorizao
direta de Deus para abeno-lo e dar absolvio por atos pas-
sados. Bem, pensar-se-ia que Deus deve viver horrivelmente
ocupado! Essas pessoas so absolutamente iguais a voc, e a
todos ns, nem melhores e, talvez, no piores. Podem estar
enganadas, podem pensar que, porque usam o colarinho ao
contrrio, ou porque lem num livro, transformam-se
automaticamente em santos.
Como vocs sabem, conhecer metafsica no transforma
pessoa alguma, necessariamente, num ser espiritual.
Segundo as lendas, o bom e velho Sat conhece muito bem
um ou dois truques de metafsica, mas ningum vai cham-
lo de ser espiritual, isto , no da maneira correta. Voltando
ao assunto, todos podem reunir conhecimentos metafsicos,
por pior que seja a pessoa. Ele ou ela pode aprender tais
coisas e no precisa, inicialmente, de certo grau de
espiritualidade. Mas uma grande e piedosa Providncia quase
sempre, no sempre, mas quase, ordena as coisas de tal
modo que, se um vilo empedernido estuda metafsica, ele
perde a primeira camada de dureza e pode at mesmo acabar
revelando o sujeito decente que existe por baixo. Mas no
acredite na propaganda a respeito do "Santificado Sr. Fulano
de Tal, que agora  um Swami". Swami quer dizer senhor,
sabia disso? No constitui um ttulo mstico. A pequena
palavra Swami tem realmente valor para certas pessoas, mas
no se deixe enganar por ela.
Bem, temos aqui outra pergunta que, realmente, acabamos
de responder. E a seguinte: "Diga-me, por que no devemos
empreender atividades metafsicas em grupo, mas sempre
realiz-las a ss?"
J respondi a isso, mas talvez possa acrescentar alguma coisa.
H algum tempo recebi a "literatura" de um grupo que me
queria como filiado. Jactava-se de grandes classes, que
meditavam em conjunto. Vocs j leram coisa mais estpida
do que "meditavam em conjunto"? Se possussem uma
migalha de conhecimentos metafsicos saberiam que no se
pode meditar coletivamente. Querem saber por qu?
Todos os seres humanos radiam energia, ondas, de
pensamentos e de prana, e todos so, at certo ponto,
telepticos. Bem, se um grupo se rene e medita sobre seus
assuntos  com toda certeza h um entupimento nas
tubulaes e  impossvel fazer uma meditao que valha a
pena.
Ocorre a mesma coisa nas grandes multides. Vejamos uma
multido no jogo de futebol, por exemplo. Temos alguns
milhares de pessoas normais, algumas delas muito bem
equilibradas, algumas delas birutas de jogar pedra, e todos se
renem no mesmo lugar. Conversam sobre o jogo e alguma
coisa acontece. Algum pensa e diz certa coisa e,
inesperadamente, forma-se na multido uma personalidade
coletiva, surge a histeria de massa. Pessoas so pisoteadas,
danos imensos so infligidos ao estdio, as cadeiras se
quebram, a multido sai em turbamulta pelos portes,
uivando e berrando, destruindo tudo  frente. Mais tarde, no
momento em que a multido se dissolve, os que so
responsveis sentem-se mal e, profundamente
envergonhados, perguntam-se o que lhes aconteceu.
A mesma coisa acontece na meditao coletiva. Pensar todo
mundo a mesma coisa pode pr em vigor a Lei do Esforo
Reverso. Eu disse "pensar a mesma coisa". O mero fato da
meditao, de meditar,  suficiente, porque, se a pessoa
medita, isto  um ato definido e cada pessoa acrescenta sua
prpria contribuio  recm-criada forma de pensamento
ou personalidade grupal e, a menos que haja algumas pessoas
altamente treinadas  e so raras  que possam controlar
as coisas, os resultados dessas reunies so todos os tipos
imaginveis de doenas nervosas. Assim, repito, se quer que
esta seja ltima passagem na Roda da Vida, no ingresse em
grupos ou cultos, viva sua vida, aceite suas responsabilidades,
tome as prprias decises. Oh, sim, sem dvida, oua os
conselhos dos demais, compare os que recebe, e decida por
si mesmo. E quando deixar esta Terra e estiver no Saguo das
Recordaes com os joelhos chocalhando de medo e
receber a sentena do seu Eu Superior sobre seus pecados de
ao e emisso, pode ouvir algumas palavras de louvor e sair
pensando: "Sim, sim, estou satisfeito porque segui o
conselho de Lobsang Rampa. Ele tinha razo, afinal de
contas".
Com o findar do dia, a "Famlia" reuniu-se em torno da cama
do Ancio. A Srta. Clepatra olhava para os navios an-
corados no porto, e a Srta. Tadalinka sentava-se no colo do
velho. Ma encostou as primeiras pginas datilografadas do
original que estivera lendo e, quase no mesmo instante,
Buttercup ps de lado a sua cpia.
 Bem?  perguntou o Velho.  O que  que acham?
Ma coou a orelha e disse:
	Est bom. Fez-me rir e isto deve ser um teste suficiente.
	E voc, Buttercup, o que  que acha?  perguntou o
Ancio.
Buttercup... Bem, ela olhou novamente para as pginas
datilografadas e, ao levantar os olhos para o Ancio, disse:
	O senhor se repete, como sabe. Aquela parte a respeito
do pagamento aos metafsicos... O senhor disse alguma
coisa a respeito no Alm do 1. Dcimo.
	Mas claro que me repito  disse o Ancio um tanto
exasperado.  Como  que eu sei que a pessoa que est len-
do este livro leu tambm Alm do 1. Dcimo? E estas
coisas, no meu entender, so to importantes que, decerto,
justificam a repetio. Afinal de contas, se voc vai  escola
o professor no diz uma coisa uma nica vez e espera que a
tenha gravado para sempre, no ? Ele a repete.
Ma interrompeu  quase como se fosse impedir uma briga!
 dizendo:
 Voc diz que no tem discpulos, que no est inte-
ressado em pessoa alguma. Mas o que me diz de John?"
O Ancio lembrou-se da presso arterial, dos vrios acha-
ques e sentiu-se desajeitado na sua vlvula de segurana 
se o corpo as tem. Mas de qualquer maneira abafou, como
to freqentemente tora obrigado a abafar, vrios
comentrios que lhe subiram  mente quase
espontaneamente.
	Muito bem, faremos uma exceo para John. Muito bem,
esclareamos uma ou outra coisa que voc diz que no foi
adequadamente explicada. E assim, l vai.
Com muita freqncia, encontramos um homem ou mulher
que sente uma profunda nsia de atender a impulsos
espirituais, de melhorar a natureza e a demonstrar que o
carma pode ser modificado. Uma dessas pessoas chama-se
John Henderson. Todos gostamos muito de John
Henderson... humm, deixe-me introduzir aqui uma
ressalva. A distrao dele  o teatro e ele  um excelente
ator, exceto quando tenta fazer o papel de padre irlands. O
seu sotaque irlands lembra muito mais o de Bronx, em
Nova York. Mas isto  uma digresso. John Henderson  um
homem bom, que est tentando e obtendo xito. Sugeri-lhe
veementemente que mais tarde, quando estiver um pouco
mais velho, funde um retiro espiritual onde possa ajudar a
quem precisa de auxlio. Ele no ser um ledor de cartas
nem tentar iludir pessoa alguma. Assim, dentro de trs ou
quatro anos,  possvel que o leitor leia a respeito de John
Henderson, nos melhores termos, naturalmente. Isto fica
entendido. Perguntou Buttercup:
	Mas de que maneira a metafsica ajuda a pessoa a tornar-
se mais espiritual? O senhor diz que todos podem estud-la e
que, de modo geral, at os maus se tornam bons quando a
estudam. Como?
	Bem, antes da ocupao do Tibete pelos comunistas havia
vrias inscries gravadas nas vergas das portas das entradas
de lamaserias, tais como: "Mil monges, mil religies", ou "O
manto amarelo no faz um monge". Por m sorte, h grande
nmero de notrios mistificadores e falsrios no ocultismo,
muita coisa  difcil de refutar e grande parte depende do
que o indivduo quer saber. Alguns vagabundos que estudam
metafsica, ou fingem estud-la, renem alguns
conhecimentos e comeam a agir como se fossem o prprio
Deus, que tudo sabe, e mais alguma coisa. Na verdade, a
maioria dessas pessoas  justamente isso  vagabundos
ignorantes, e nada mais. No estudam realmente com a
inteno de progredir nem de ajudar aos outros. Tentam
aprender tinturas de ocultismo para ganhar dinheiro fcil.
So adeptos de cultos ou procuram cri-los. Lanam-se no
mundo com uma turma de pretensos "discpulos" e
perpetram toda sorte de crimes espirituais, desencaminham
e desviam pessoas do que seria as suas verdadeiras misses.
Atualmente, nos ltimos anos, surgiu uma grande horda de
pessoas que, com todo o motivo, poderamos chamar de "os
grandes sujos"! A maioria no apenas no toma banho, mas
exala mau cheiro fsica e espiritualmente. Parecem orgulhar-
se de andar de andrajos e sentirem orgulho maior ainda em
serem mal-educados e grosseiros. E ser mal-educado e
grosseiro  a mesma coisa, no? Mas, de qualquer maneira,
so mal-educados e tambm grosseiros. Deixem-me dizer-
lhes, como digo com tanta freqncia em carta, que no h
virtude em ser sujo. De fato, no caso de alguns deles, eu
gostaria de comear com uma grande raspadeira de sunos e
remover as primeiras camadas de sujo para verificar o que
existe realmente por baixo.
Bem, voltando  pergunta de Buttercup sobre o motivo por
que a pessoa deve estudar metafsica: ao estud-la est
recuperando o que devia ser um direito de nascena seu.  A
metafsica tem um nome esquisito, mas isso porque pessoas
esquisitas dele abusaram. Para dizer a verdade, no passado,
todos possuam poderes metafsicos, isto , todos eram
clarividentes e telepatas, muito embora, por os violentarem,
os tivessem perdido, atrofiando-se a capacidade. Acontece a
mesma coisa com a pessoa obrigada a permanecer na cama
durante muito tempo. Se nela fica e no pode exercitar as
pernas, perde a capacidade de andar, esquece como faz-lo
e, quando a doena que obrigou o pobre-diabo a nela
permanecer  curada, ele ou ela tem de aprender a andar
novamente.
O cego de nascena que, inesperadamente, por um milagre
da cincia, ganha o sentido da viso, precisa ser treinado na
arte de ver, porque, quando enxergar pela primeira vez, no
compreende o que est vendo. A pessoa precisa aprender a
fazer coisas em trs dimenses, a julgar distncias. Sobre o
assunto  grande minha experincia pessoal, porque estive
cego e a volta inesperada da viso chegou-me como um
choque.
As pessoas estudam metafsica, portanto, para recuperar
poderes que seus ancestrais possuam e que perderam. Mas,
de que modo a metafsica ajuda at mesmo aos maus a se
tornarem menos maus e finalmente mais espirituais?  fcil.
Ao estudar metafsica, o indivduo realmente eleva as suas
vibraes e quanto mais altas, mais espiritual ele se torna.
Por isso mesmo, se um verdadeiro bandido sofre uma sbita
mudana ntima e comea a estudar metafsica, o simples ato
de estudar conhecimentos ocultos torna-o uma pessoa
melhor, simultaneamente reduzindo-lhe o valor como
bandido.

CAPTULO    4

O XITO  A CULMINAO DE TRABALHO
RDUO E DE PREPARAO EXAUSTIVA

 Mas por que as multides se descontrolam?  Buttercup
no queria deixar o assunto morrer.  Voc diz que as
multides nos campos de futebol entram em pnico. Sabe-
mos que  assim, mas por que e como? Que mecanismo 
acionado?
O Ancio suspirou, pois tencionava discutir assunto muito
diferente, mas uma pergunta  uma pergunta e talvez haja
numerosas pessoas interessadas no por que, no como, etc.
As pessoas, sem exceo, esto envolvidas por um campo
magntico. Naturalmente, as mulheres tambm e, por mais
triste seja dizer, o campo em torno da fmea da espcie 
mais forte do que o do macho. Possivelmente,  por isso que
se supe que ela seja perigosa! As pessoas, portanto,
possuem um campo magntico em torno do corpo. Este
campo no  a aura. Chama-se corpo etrico e, se vocs
acham difcil imagin-lo, pensem, em vez de um grupo de
pessoas, em um conjunto de eletroms retos. Naturalmente,
ficaro em p sobre uma das extremidades como as pessoas.
Digamos, portanto, que o Norte aponta para cima e o Sul
para baixo. Bem, logo que se renem numerosos eletroms
com seus campos interatuantes, alguns se mostram mais
fortes e outros mais fracos, e talvez uns tantos sejam algo
deformados. Em conjunto, criam uma fora realmente
formidvel que exerce forte efeito sobre estruturas prximas.
De maneira muito parecida, os humanos, com seus
eletroms internos, influenciam-se mutuamente. Alguns
campos so perturbadores, em vez de opostos a outros, e
criam uma onda de descontentamento que pode crescer e
afetar pessoas que so, em geral, bastante sensatas e estveis.
Numa multido no estdio, todo mundo pensa mais ou
menos na mesma coisa, isto , no jogo. Sabemos que talvez
metade da multido quer que um dos lados vena e que a
outra metade deseja justamente o contrrio, mas podemos
ignorar essa divergncia, porque pensam basicamente na
mesma coisa  na "vitria". Dessa maneira, enquanto o jogo
est em andamento, o campo magntico  reforado cada
vez mais pelos pensamentos positivos de "vitria". No
momento em que algum jogador d um passe errado, um
dos lados fica louco de alegria e consegue um aumento de
potncia, enquanto o outro fica abatido e lhe ocorre uma
inverso, o que, mais uma vez, provoca uma nota
discordante no que poderamos chamar de freqncia bsica
dos seres humanos.
Em certas condies, gera-se a histeria de massa. Pessoas
habitualmente muito decentes e bem comportadas perdem o
juzo e cometem atos de que se arrependem profundamente
mais tarde.
O leitor sabe que todas as pessoas possuem um censor in-
terno, aquela "vozinha que nos mantm no caminho reto e
difcil". Logo que se desencadeia a histeria de massa, a
Kundalini das pessoas  afetada. A corrente inversa
(observem com ateno que se trata de uma corrente
inversa) percorre a coluna vertebral, superando os bons
impulsos de Kundalini e, temporariamente, domina o censor
interno.
Dominado o censor no h limite  destruio, ao vanda-
lismo,  selvageria mais completa de que  capaz o ser
humano. Cada novo ato parece refor-los. As pessoas
ignoram os ferimentos que recebem, sofrem contuses e
cortes na confuso e nem sequer os notam.
Os mais fracos tombam e so pisoteados. O pnico se
estabelece e a massa arremete contra as sadas e barreiras e,
pela pura fora dos nmeros, abre caminho, deixando atrs
uma longa esteira de feridos.
Logo que a multido se dissolve, cai e desaparece a potncia
magntica, e algumas pessoas "recuperam o juzo". As que
podem escapar e voltar s suas casas sentem profunda
vergonha de si mesmas, ao passo que os que so transporta-
dos no tintureiro arrefecem os nimos no que a Polcia
deselegantemente chama de "geladeira". A geladeira, claro, 
uma cela onde os temperamentos esquentados tm tempo
de esfriar.
Oh, sim, naturalmente coisas desse quilate podem ocorrer
em menor grau cm reunies dc grupos e cultos. Pode-se
conseguir mais ou menos a mesma coisa quando uma horda
se rene e imagina que medita. De fato, no o faz e cria uma
corrente inteiramente oposta que mais prejudica do que
beneficia.
Senhoras e senhores, e refiro-me aos bem intencionados
que tentam ajudar aos demais, peo-lhes a ateno para algo
de importncia vital para os sofredores.
J tentaram por acaso a denominada "cura a distncia?" J
resmoncaram s pressas uma poro de oraes pelos que
sofrem? Acham que esto fazendo um grande bem ajudando
a cur-los, e tudo mais? Como vtima dessas tentativas bem
intencionadas, quero proferir um brado de protesto em
nome dos sofredores.
Suponhamos que trs, quatro, cinco ou seis pessoas querem
curar sem contato um pobre doente. Essas pessoas podem
estar animadas das mais puras das intenes, mas no
conhecem a natureza exata da doena que o aflige e
procuram efetuar uma cura global. E, acreditem-me, fui
seriamente prejudicado por essa cobertura geral.
 muito perigoso hipnotizar uma pessoa e lev-la a acreditar
que no padece de uma doena, quando, de fato est quase
morrendo. No  menos perigoso tentar a cura a distncia, a
menos que voc seja mdico e conhea a natureza da
doena e os efeitos colaterais que ela produz. Mais uma vez
deparamos nossa velha amiga, ou, com maior probabilidade,
a velha inimiga, a Lei do Esforo Inverso.
Em certas situaes, se o indivduo deseja ardentemente
determinada coisa e nela concentra pensamentos no
treinados, em vez de conseguir um resultado positivo, 
premiado com um negativo. E quando cinco ou seis pessoas
fazem a mesma coisa, o sofrimento da vtima. . . Bem, eu sei
o que  isso!
Minha recomendao mais veemente, baseada em expe-
rincia pessoal muito infeliz, e que nenhum de vocs tente a
cura a distncia sem conhecer a natureza exata da molstia,
os efeitos secundrios que se podero esperar e a sua
gravidade.
Vocs j estiveram por acaso numa zona densamente po-
voada e tentaram captar um programa de rdio? Fica-se com
a impresso de que estaes convergem de todos os
quadrantes, cada uma interferindo na outra com um
resultado que  uma total cacofonia, sem um som claro em
todo o conjunto.  isso o que se consegue com a cura a
distncia. Eu ouo muita onda curta, que  mais ou menos a
minha nica diverso atual. s vezes, uma estao sofre
interferncia da Rssia ou da China, e os uivos, lamentos e
notas sobrenaturais levam-me a desligar s pressas. Por m
sorte, no  to fcil desligar quando um grupo de pessoas
tenta, sem saber o que faz e em conflito entre si, efetuar
curas a distncia. Atentem bem para isso. As pessoas
interessadas podem ser inspiradas pelos motivos os mais
nobres, mas, a menos que tenham sido educadas como
sacerdotes ou mdicos, no  coisa que se possa
recomendar.
Um dia destes, um motorista de txi fez uma pergunta a
Buttercup. Disse ele:
	Voc no acha que os jovens so hoje muito mais vivos e
mais inteligentes do que os pais?  Buttercup tinha
comentrios prprios sobre a pergunta e, com toda a
probabilidade, eram os mesmos que fao.
	Vocs pensam que os jovens de hoje so mais vivos do
que os pais na mesma idade?
No, por Deus, no acho. Penso que so muito mais
embotados. Acho que alguns deles constituem hoje apenas
uma turma de exibicionistas que anda por a de cabelos
compridos e roupas andrajosas. O cheiro que exalam 
suficiente para levantar-nos o chapu na cabea. No apenas
isso, mas muitos deles parecem inteiramente estpidos.
H alguns anos, quando os pais, no, vamos recuar um
pouco mais, quando os avs eram adolescentes, tinham que
trabalhar, estudar e no podiam assistir a programas de
televiso durante o tempo todo ou aumentar ao mximo o
som dos aparelhos de alta-fidelidade. Eram obrigados a fazer
coisas, a criar os prprios divertimentos. Isto lhes ensinava a
pensar. Hoje, parece que os jovens no conseguem fazer-se
compreender no que deveria ser seu prprio idioma. So
analfabetos, totalmente idiotas, de fato. Existem por aqui por
perto crianas em idade escolar e o que sabem de ingls 
praticamente coisa alguma. No conseguem ordenar uma
frase. Parecem to analfabetos como hotentotes, que nem
mesmo sabem o que  uma escola.
Pessoalmente, acho que crianas e adolescentes esto assim
porque ambos os pais trabalham fora e ignoram o requisito
absolutamente essencial de que a gerao crescente precisa
ser ensinada por aquela que substitui.
Penso, igualmente, que a televiso e o cinema tm muita
culpa pelo analfabetismo e preguia mental geral do
adolescente tpico.
Os filmes e os espetculos de televiso mostram um mundo
inteiramente artificial, em um conjunto de condies no
menos forjadas. Mostram casas maravilhosas, propriedades
deslumbrantes e mobilirio fantasticamente caro. Os astros
do cinema parecem ter frotas de Cadillacs e hordas de
namorados e namoradas. A imoralidade no  apenas
tolerada, mas realmente estimulada. A atriz Dinah Qualquer
Coisa, por exemplo, bravateia a respeito de quantos amantes
teve, deixando-os de joelhos moles e trmulos, enquanto o
ator Hector de Tal orgulha-se de ter tido talvez quatorze
esposas, presumivelmente divorciando-se delas uma depois
da outra. Mas, de qualquer modo, qual a diferena entre a
prostituio e esses atores e atrizes que mudam de
companheiro como, bem, quem muda de camisa ou vestido?
Eu ia dizer outra coisa, mas talvez senhoras estejam lendo
este livro.
Minha resposta, por conseguinte,  que penso que o padro
geral de educao cai com grande rapidez. Acho que a
educao na Europa  muito superior, de longe,  ministrada
nos Estados Unidos e Canad, mas, na Europa, h ainda certa
espcie de disciplina paterna.
Hoje em dia, simples crianas fazem pequenos trabalhos,
trabalham durante algumas horas e recebem dinheiro
suficiente para entregar-se a tropelias, comprar todos os
tipos de rdios caros, um automvel, quase tudo que
desejam. Se no possuem dinheiro contado, compram a
crdito e ficam amarrados pelo resto da vida como se
tivessem tomado drogas.
Qual a utilidade de ministrar educao quando, na maior
parte, ela parece ensinar s pessoas que devem possuir coisas
que no tm a menor possibilidade de obter? Acho que
deveria haver um restabelecimento da disciplina religiosa,
no necessariamente crist, budista ou judaica, mas uma
volta a alguma forma, porque, at o mundo aceite certa
disciplina espiritual, continuar a produzir espcimes
humanos cada vez piores.
Grande nmero de jovens me escrevem chamando-me de
velho tonto porque no aprovo o uso de txicos. Ora, esses
jovens, de dezesseis, dezessete ou dezoito anos, pensam que
tudo sabem, que toda a fonte dos conhecimentos lhes 
acessvel, em vez de reconhecerem que mal principiaram a
viver, que praticamente nem saram ainda do ovo.
Sou definitiva, total e irrevogavelmente contrrio aos txicos
de todos os tipos, a menos que administrados segundo
rigorosa prescrio mdica.
Se uma pessoa lana um vidro de cido no rosto de algum,
os resultados so visveis, a pele cai, os olhos queimam, o
cido abre profundos sulcos no queixo e pinga no peito. Q
resultado , de modo geral, horrvel. Mas constitui um ato
de bondade em comparao com o que acontece aos
viciados em txicos.
As drogas mal usadas, e todas as tomadas sem superviso
mdica so mal usadas, podem queimar o corpo astral da
mesma maneira que o cido cauteriza o corpo fsico.
O viciado que morre e chega ao mundo astral passa por uma
experincia horrenda. Obrigam-no a internar-se no que,
para todos os efeitos,  um hospital mental astral, porquanto
o corpo astral apresenta-se empenado e deformado. E talvez
passe muito tempo antes que os cuidados mais hbeis que
possa receber consigam devolver ao corpo astral algo que
parea um estado aceitvel.
Pessoas tresvariam a respeito desse txico totalmente mau, o
LSD. Pensem no nmero de suicdios, nos que foram
comunicados, e nos que foram mantidos em sigilo, no dano
causado em termos de insanidade e violncia. O LSD, a
maconha, a herona e todas elas so, sem exceo,
demoniacamente ms. Por infelicidade, os jovens no
parecem capazes de aceitar os conselhos dos mais idosos, das
pessoas experientes.
 verdade que o LSD, por exemplo, consegue separar o
corpo astral do fsico, mas, com grande freqncia, o pri-
meiro desce a um dos compartimentos mais baixos do
inferno, um dos mais estranhos planos astrais. E, ao voltar, o
prprio subconsciente est causticado pelos horrores por
que passou. Dito isso, aconselho aos jovens que me lem
que evitem os txicos, muito embora pensem que a droga X
ou a Y  inofensiva. Se forem tomadas sem superviso
mdica, quem sabe se voc no tem alguma idiossincrasia
que o torna especialmente suscetvel a elas? E, antes de
muito tempo, voc estar no anzol, sem esperana de
salvao.
Lembrem-se que todas so prejudiciais e que, muito embora
por algum acaso remoto, os seus efeitos no apaream no
fsico durante algum tempo, aparecero com a maior clareza
no corpo astral e na aura.
Por falar nisso, se tomam txicos e lesionan: os corpos as-
trais, ingressam na mesma categoria dos suicidas. E se a
pessoa comete suicdio, ter de voltar a esta terra para
cumprir sua sentena, que  uma maneira de encarar a
questo, ou completar seus deveres, que  outra. Qualquer
que seja o ngulo de onde se encare a questo, no h
desistncias nas Pastagens Celestiais nem, por falar nisso,
nesta terra. Se complicar as coisas desta vez e no aprender
o que veio aqui aprender, voc voltar, mais de uma vez, se
preciso, at que aprenda a lio. O vcio de txicos , por
conseguinte, algo muito srio. E diga-se que medida alguma
tomada pelo governo pode ser excessivamente severa para
resolver o problema. A melhor maneira de enfrent-lo,
porm,  cada pessoa, sem exceo, resolver que no tomar
txicos. Dessa maneira, no cometeremos suicdio espiritual
e no seremos obrigados a regressar  terra em condies
ainda piores.
Referi-me, no ltimo pargrafo, aos suicdios espirituais 
repetindo observaes contidas em outros livros meus  e
sobre suicdios comuns. Recebo um espantoso nmero de
cartas de pessoas que me dizem que vo comet-lo. Talvez
tenham tido uma decepo amorosa, ou talvez no, e
viveram o suficiente para lamentar o fato, mas, o que quer
que seja, fico atnito com o nmero de pessoas que me
dizem que vo acabar com a vida. Deixem-me declarar mais
uma vez, como declaro constantemente, que o suicdio
jamais, jamais se justifica. Se a pessoa o comete, volta a
bofetes para a terra para "matricular-se" novamente.
Portanto, no pensem que podem escapar das
responsabilidades cortando o pescoo, os pulsos, ou coisa
parecida. No podem.
H alguns anos um rapaz algo instvel cometeu
aparentemente suicdio, deixando uma nota dizendo que
voltaria dentro de alguns anos. Bem, infelizmente, um
exemplar de um dos meus livros (Voc e a Eternidade) foi
encontrado junto ao corpo. A imprensa teve um dia de festa,
"delirou de alegria, juntou toda a evidncia que podia e
consultou outras pessoas se podiam contribuir com algo
mais. E o mais espantoso de tudo foi que disse que eu havia
encorajado o ato. Na verdade, nunca o fiz. Amide, penso
que gostaria de assassinar o pessoal da imprensa, mas esse
destino seria bom demais para ele. Que continue a cometer
seus erros e que pague por eles mais tarde. Pessoalmente,
acho que a maioria dos jornalistas  subumana. Acredito que
a imprensa  a fora mais maligna existente hoje na terra
porque destorce os fatos, tenta desencadear a agitao e a
fria, e levar os povos  guerra. Se os lderes do governo
pudessem sentar-se e discutir sem que a imprensa trombe-
teasse um chorrilho de mentiras e arruinasse relaes
cordiais, teramos mais paz no mundo. Sim, enfaticamente,
louvado na prpria experincia, acredito que. a imprensa  a
fora mais maligna ora existente.
Menciono tudo isso porque a imprensa chegou a noticiar
que o rapaz pensava que voltaria e recomearia. Bem, isso 
fato e o rapaz ter que voltar. Mas, deixem-me repetir,
nunca, em hiptese alguma, encorajei suicdio. Como
declarei invariavelmente durante toda a vida, o suicdio no
se justifica nunca. E muito embora alguns budistas e
cometam na crena de que isto lhes ajudar a causa ou
promover a paz, sustento ainda que coisa alguma o
desculpe. A minha enrgica recomendao, por
conseguinte,  nem sequer pensar no suicdio. No ajuda em
coisa alguma e obriga o indivduo a voltar em piores con-
dies. E se resistir aqui, ver que a situao nem sempre 
to m como se teme. As piores coisas jamais acontecem.
Pensamos apenas que poderiam acontecer.
Suicdios, cadveres, etc., etc. Bem, temos aqui uma per-
gunta que me chegou ontem. Pergunta uma senhora: "A nu-
vem que paira sobre um cadver durante trs dias  a alma
ou o corpo astral? A alma no parte logo para o Outro Lado?"
Ora, sim, claro. A alma deixa o corpo com o corte do Cordo
de Prata da mesma maneira que a criana  inteiramente
separada da me com o corte do cordo umbilical. At que o
cordo umbilical seja cortado a criana coexiste com a me.
Da mesma maneira, at que o Cordo de Prata seja partido o
corpo astral coexiste com o corpo fsico.
A nuvem que paira sobre o cadver durante trs dias, mais
ou menos,  apenas energia acumulada que se dissipa.
Examinemos a questo de outro ngulo. Suponhamos que
tomamos uma chvena de ch, a bebida c servida, c que,
antes de beb-lo, somos chamados. O ch permanece
quente, embora se torne cada vez mais frio. De idntica
maneira, at que o corpo perca toda a energia acumulada
durante a vida, paira uma nuvem sobre ele, que se dissipa
gradualmente em pouco mais de trs dias. Vejamos outro
exemplo: suponhamos que temos uma moeda na mo c que
subitamente a deixamos cair. A energia transmitida pelo
calor da mo no se dispersa imediatamente.  preciso
algum tempo para que se dissipe o calor transmitido  moeda
pela mo e para que ela volte  temperatura normal do
ambiente. Da mesma forma, o corpo astral pode separar-se
inteiramente do corpo fsico, muito embora, em virtude do
princpio da atrao magntica, ele possa ainda sentir a carga
em torno do corpo fsico. Assim, at que a carga desaparea,
diz-se que o corpo fsico e o astral permanecem ligados.
Um dos horrores de morrer nesta parte do mundo c a
prtica brbara aqui na Amrica do Norte de embalsamar os
cadveres. A mim parece algo semelhante a rechear um
frango. No meu prprio caso, vou ser cremado, que  muito
melhor do que ser objeto das atenes do embalsamador e
de seu ajudante. E, como disse uma certa gata: "O Ancio
est tentando terminar Alimentando a Chama antes de
aliment-la." De minha parte, digo que nutro a esperana de
que ponham na porta do crematrio (quando eu estiver
dentro) um aviso: "Fritura hoje  noite."
Uma senhora  tenho certeza de que  uma senhora pela
maneira elegante como escreve  pergunta-me: "Por que
vocs ocultistas dizem que isto  assim, aquilo  assado, mas
nunca apresentam provas? As pessoas precisam de provas?
Por que no as fornecem? Por que devemos acreditar cm
tudo? Deus nunca me dirigiu uma palavra e os astronautas
no encontraram sinais do cu no espao."
Prova! Isto  uma das grandes coisas, mas responda-me a
esta: se a pessoa tem viso num pas de cegos, de que modo
pode provar que ela existe? Alm disso, como fornecer
provas quando tantas pessoas no acreditam mesmo quando
a prova lhes  posta sob o nariz?
Houve numerosos cientistas eminentes (lembro-me, no
momento, apenas de Sir OU ver Lodge), um nmero
bastante grande de nomes famosos interessados em provas,
na cooperao da cincia com o mundo oculto. Em 1913,
Sir Oliver Lodge, um homem de altos dotes espirituais,
dirigiu-se a uma associao muito importante na Inglaterra.
Disse ele: "Ou somos seres imortais ou no somos. Talvez
no possamos conhecer nosso destino, mas devemos ter
algum tipo de destino. A cincia talvez no possa revelar o
destino humano, mas decerto no pode obscurec-lo." E
prosseguiu dizendo que os mtodos atuais da cincia no
serviriam para reunir provas. Disse ainda acreditar que se
cientistas reputados pudessem trabalhar livremente, sem
tantos descrentes e escarnecedores, poderiam reduzir as
ocorrncias ocultas a leis fsicas, e isto  uma verdade
inegvel. Pessoas que pedem provas exigem-nas em termos
de tijolos sobre tijolos, desejam-nas ao mesmo tempo em
que, invariavelmente, tentam impedi-las de serem
fornecidas. Pessoas que iniciam estudos ocultos tentando
obter prova material lembram aqueles que entram num
gabinete de revelao e acendem as luzes para ver se j h
alguma imagem no filme. Tais atos inibem definitivamente
qualquer manifestao de prova.
No mundo oculto lidamos com assuntos intangveis, com
vibraes extremamente altas. E da maneira como as pessoas
agem hoje em dia, parece que usam um martelete rodovirio
pneumtico para abrir o orifcio onde vai ser colocada a
obturao de um dente. Antes que a prova possa ser
fornecida no sentido materialista, os cientistas precisam ser
treinados no que pode ser e no que no pode. Ser intil se
arremeterem como um touro contra uma porteira. No esto
quebrando tijolos. Esto tentando descobrir algo to bsico
como a prpria humanidade. Se as pessoas forem honestas
consigo mesmas, se permanecerem longe das telas de
televiso, cinemas e divertimentos assim, e se meditarem
corretamente, tero uma percepo ntima de que tal coisa
, tornar-se-o conscientes de sua natureza espiritual,
supondo sempre que essa natureza no esteja to degradada
a ponto de impedir outras manifestaes.
Durante anos, alm de querer fotografar a aura que vejo em
torno de cada pessoa, quis construir, como disse antes, um
telefone que permitisse s pessoas comuns, no clarividentes
e no clariaudientes ligarem para o Outro Lado. Pensem s
como seria divertido procurar um nome no catlogo celestial
e pedir uma informao. Voc subiu ou desceu? Acho que as
profundezas teriam uma central denominada Enxofre, ou
algo parecido. De qualquer modo, no futuro, quando os
cientistas se tornarem menos materialistas, haver tal
telefone. Para dizer a verdade, j foi construdo, mas isto 
outra estria.
Talvez eu devesse titular a prxima seo de "ltimas
Notcias" porque recebemos um telefonema de John
Henderson, que acabou de chamar de quatro mil e
oitocentos quilmetros de distncia. Ele descobriu certas
provas da existncia de pessoas no Outro Lado desta vida.
Chegou-lhe uma mensagem e ele teve a sensao de ter
levado um pontap na cabea, que  o que eu lhe disse certa
vez que gostaria de fazer-lhe! Mas, de qualquer modo,
acabou de telefonar dizendo que, por fim, RECEBEU A
MENSAGEM. A mensagem originou-se no Outro Lado e
no foi absolutamente provocada por mim. Algum dia,
talvez, John Henderson escreva um livro, e deve faz-lo. E
se contar essa ocorrncia, numerosas pessoas provavelmente
diro: "Ora, Deus me livre! Eu no gostaria que me aconte-
cesse uma coisa dessas!"
	Hei, patro  disse a Srta. Tady, despertando
inesperadamente depois de ter dormido profunda e
ruidosamente durante certo tempo.  Eu tenho uma
pergunta que os seres humanos gostariam que fosse
respondida.
	Muito bem, Taddykins, qual ?
A Srta. Taddykins sentou-se, cruzou as patas e disse:
	Bem,  mais ou menos isto: ns gatos sabemos como so
arranjadas as coisas no Outro Lado. Mas por que no diz aos
humanos como eles planejam a vida na Terra?
Pessoalmente, eu pensava que havia tratado do assunto ad
nauseam e no quero que Buttercup venha dizer-me que me
estou repetindo. E, depois de ter escrito tanto sobre suicdio,
seria quase suicdio se eu comeasse novamente a discorrer
sobre a vida aps a morte. Talvez possa evitar o problema
chamando-o de "Vida Antes do Nascimento".
No Outro Lado desta vida uma entidade decide que ele ou
ela deve voltar  escola para fazer um curso especial. Talvez
certas lies tenham sido aprendidas previamente e a volta a
Casa tenha permitido que fossem digeridas e percebidos os
seus pontos fracos. Neste caso, a entidade que  ele ou ela
senta-se e pensa no problema.
Na Terra, numerosos estudantes discutem o" futuro com um
conselheiro, debatendo que cursos lhes sero necessrios a
fim de obterem certas qualificaes. Dando um exemplo,
uma enfermeira na Inglaterra quer tornar-se cirurgi.
Evidentemente, conhece alguma coisa de anatomia. Neste
caso, do que precisa para entrar na Faculdade de Medicina?
Discute o que tem a fazer, e o faz. De idntica maneira, ele
ou ela no Outro Lado da vida decide, recebendo ajuda
considervel, quais as lies que precisam ser aprendidas,
que tarefas devem ser completadas e que dificuldades
suportadas. A coisa toda  planejada com o mximo de
cuidado.
Voc joga xadrez? Bem, se joga, conhece muito bem os
problemas de xadrez publicados em certas revistas. O
tabuleiro  disposto com pees, cavalos, torres e tudo mais
em certas posies predeterminadas. Voc, pobre alma, tem
que pensar, matutar, at que a cabea esteja a ponto de
estourar para descobrir um meio de ganhar o jogo. O
planejamento da vida futura  algo parecido. Os obstculos
so erguidos e as condies estabelecidas. O que tem que
aprender? Tem que aprender pobreza e como super-la? No
 bom nascer numa famlia rica, neste caso, certo? Precisar
aprender a ser generoso com o prximo e a lidar com
dinheiro? Neste caso, no vale a pena nascer numa famlia
pobre, certo novamente? Voc tem que decidir o que quer
aprender e que tipo de famlia atender melhor as suas
especificaes. Nascer numa famlia de comerciantes ou de
profissionais liberais? Ou nascer numa famlia nobre? Tudo
depende, como sabe. A situao lembra a de atores no palco.
Um ator talvez seja rei numa pea e mendigo em outra. O
mesmo acontece com a vida, tudo dependendo do que a
pessoa precisa aprender. A pessoa nasce nas condies e na
situao, cercada das dificuldades, problemas e obstculos
que ela mesmo escolheu. Antes de vir, equaciona os
problemas mais ou menos da mesma maneira como arma
um problema dc xadrez e o deixa para que algum o
solucione.
O leitor, por conseguinte,  confrontado com problemas e,
em vez de sentar-se apenas e coar a cabea ou qualquer ou-
tro lugar em que sinta comicho no momento e perguntar-
se o que fazer, age. Olha em volta e descobre a famlia, o
pas e a localidade que lhe permitiro viver os problemas
que a si mesmo se prope e os soluciona pelo mero fato de
viv-los e suportar dificuldades e provocaes.
Afinal de contas, um estudante que se matricula num curso
de ps-graduao sabe que ter de suportar certos
inconvenientes, obter certa percentagem de notas, pois, de
outra forma, no passar e ter de matricular-se de novo.
Mas sabe que ter de "cumprir" certo tempo nas salas de
aula, sabe de tudo isso e quer passar por elas porque deseja o
diploma e os conhecimentos que obter mais tarde. Assim,
voc planeja as coisas nos seus menores detalhes, mas os
planos jamais incluem o suicdio. Se o cometesse, isso o
colocaria na categoria dos desistentes e significaria que voc
fracassou. E se a pessoa desiste, isto implica dizer que no
pde progredir por falta de qualificaes e carncia de
fortaleza interna. Quase sem exceo, os que desistem da
vida pela via do suicdio voltam e comeam tudo novamente
com um novo conjunto de problemas.
Na prxima vez que ler num jornal ou numa revista um
problema de xadrez cuidadosamente armado nos quadrados
pretos e brancos, lembre-se de que se props coisa parecida
antes de voltar  Terra.
De que modo os est solucionando? Est-se saindo bem?
No fique desanimado. Voc mesmo foi quem os props,
como sabe!

CAPTULO    5

CEM HOMENS PODEM CONSTITUIR UM
ACAMPAMENTO; BASTA UMA MULHER PARA
CONSTRUIR UM LAR

 Psiu, psiu  disse o Ancio  Srta. Cleo, que, sentada,
admirava a luz do sol que entrava pelas cortinas abertas. Ela
voltou sabiamente a cabea e fitou-o com belos olhos azuis.
 Psiu, psiu  repetiu ele, como se o som lhe agradasse. 
Eu gostaria  continuou  de ser um escritor rico e de
possuir uma grande biblioteca de consulta. Sabe quantos
livros eu tenho, Cleo?  O Ancio virou a cabea e olhou
para os nicos livros que possua: um dicionrio, um manual
de diabtico, um texto mdico para comandantes de navios,
outro sobre bandeiras nacionais, um catlogo Payette de
peas de rdio, impresso em Montreal, um catlogo de
pneumticos canadenses, impresso em Toronto e,
naturalmente, um atlas muito grande, to grande que so
precisos dois homens e um cachorro para ergu-lo. Era,
decerto, um atlas muito grande e pesado para uma pessoa
condenada a ficar na cama.  E isso so todas as obras de
consulta do autor, Cleo  disse o velho com um sorriso
irnico.  Uma pena, porque o nmero de coisas que me
perguntam seria suficiente para me pr o cabelo em p se eu
no fosse calvo. Ainda assim, estou perdendo tempo. Temos
de continuar o livro, Srta. Cleo, e voc e Taddy podem ir
tomar sol enquanto eu trabalho para ganhar o po de cada
dia.
A Sra. Sorock  nossa velha amiga Valeria Sorock  quer
saber coisas sobre o sono. Deus meu, Sra. Sorock, no sabe
ainda o que  o sono? De qualquer modo, numerosas pessoas
fizeram a mesma pergunta. Vejamos, ento, o que podemos
responder.
No plano fsico, o corpo funciona e produz uma poro de
toxinas, venenos que se acumulam nos msculos. Ao
trabalharmos muito em determinada tarefa, utilizando os
mesmos msculos, formam-se cristais nos tecidos. Sendo
muito afiados, picam quando nos movemos e tornam-nos
"duros". Logo depois, deixamos de mover-nos.
Os rgos do corpo, sem exceo, so saturados de toxinas e,
aps certo tempo, torna-se necessrio ao homem deitar-se e
dormir para que o mecanismo corporal diminua de ritmo e
entre em estado quase esttico. Durante o perodo de sono,
as toxinas que provocam o cansao e a rigidez muscular
dissipam-se ou se dispersam e acordamos novinhos em
folha. Desaparece a dureza, os incmodos e as dores, e
sentimo-nos restaurados, pelo menos se formos para a cama
cedo e descansarmos o suficiente. Em outras circunstncias,
se a pessoa bebeu muito, sobrecarregou demais os
mecanismos corporais, acorda com ressaca. Mas no estamos
discutindo bebidas e coisas afins. Prcoeupa-nos a sua atitude
em relao ao sono, a sua atitude de pessoa sensata.
No plano fsico comum, portanto, ao dormirmos, temos a
inteno de dissipar toxinas e cristais que nos tornam
indolentes, cansados e doloridos.
Se o ser humano fosse obrigado a permanecer desperto
durante todo o tempo, acharia a vida insuportvel e lhe
ocorreriam todos os tipos de estranhas transformaes
fsicas. Ele passa no perodo de sono ao mundo astral, onde
se recupera. Suponhamos que crianas fossem obrigadas a
permanecer na escola durante vinte e quatro horas por dia.
Claro que no poderiam faz-lo, mas supondo que fossem
obrigadas, logo depois no seriam capazes de aprender coisa
alguma e antes de muito tempo estariam loucas,
inteiramente loucas, de fadiga. O mesmo ocorre aos adultos.
Durante esse tempo, o corpo fsico jaz numa cama, a maioria
das vezes deitado. Nessas ocasies, o corpo fsico repousa e,
no sono, dissipa os efeitos de existir durante mais um dia. A
mola propulsora do corpo, a psique, toma outros rumos. O
mecanismo corporal denominado subconsciente assume o
comando, ocorrendo no corpo todos os tipos imaginveis de
aes reflexas. Com freqncia, os olhos rolam por trs das
plpebras cerradas, o corpo prende a respirao, geme,
funga, mexe-se muito porque se exercita um pouco durante
o sono para que os cristais e as toxinas se dispersem e
dissipem mais depressa.  por isso que as pessoas se movem
tanto quando dormem e ningum permanece absolutamente
imvel. Se o fizessem, teriam mais uma carga de toxinas no
ponto de contato com a cama, pois, durante todo o tempo, a
carne seria comprimida.
Durante o sono, o subconsciente fica inteiramente livre do
controle da psique e, de fato, vagueia pelo fichrio da
memria, mais ou menos como um garoto idiota que apanha
um carto aqui ou talvez dois ou trs acol.
Se apenas um carto for retirado  e lembrem-se de que eu
deveria ter posto a palavra "carto" entre aspas para indicar
que no se trata realmente de um carto e que estamos
apenas usando um smbolo. Se quiserem, poderamos, para
tornar as coisas mais claras, dizer que um aglomerado de
recordaes  sondado. Se , temos um sonho que pode ser
muito claro sobre determinado fato. Mas se dois
aglomerados (chamemo-los de cartes e acabemos com
isto!) forem selecionados, o sonho se transforma em fantasia
e, puramente como exemplo, podemos sonhar ou ter uma
aventura na qual vemos um peixe na estrada montado a
cavalo, porque a recordao escolhida pode ser a de um
grande peixe e, sobre ela, ser superposta uma pessoa a
cavalo. Se os dois cartes de memria forem superpostos,
obteremos a impresso destorcida de um peixe montado.
Se gosta de projetar slides com transparncia de 35 mm,
voc sabe que obter uma imagem muito clara se colocar
apenas um deles no projetor; mas, se inserir dois, conseguir
algo que jamais aconteceu, imagens superpostas. E se usar
trs, bem, conseguir apenas uma imagem confusa. O
mesmo acontece com os sonhos. O sonho  algo simples,
uma mera recordao direta, mas quando a mistura 
dominada por outro carto de memria, a pessoa sonha com
uma fantasia ou tem um pesadelo. Pensa em coisas
inteiramente impossveis, que nunca poderiam acontecer. E
se reteve o menor controle da memria, a psique retorna ao
corpo e dizemos que tivemos um pesadelo.
Durante o sono, a psique est distante, o censor interno
dorme tambm e algumas das recordaes ou fantasias
podem ser erticas ou sadistas. Temos, portanto, aqueles
horrveis sonhos que levam a pessoa a dizer ou escrever, s
vezes: "Hei, o que foi que me aconteceu?"
 impossvel confundir viagens astrais com sonhos ou
pesadelos, porque nos sonhos h sempre certa incoerncia,
alguma improbabilidade, algum elemento discordante com o
que conhecemos como fatos. As cores talvez sejam erradas
ou podemos ver uma pessoa, por exemplo, com a cabea de
um tigre. Pode-se averiguar com um pouco de prtica o que
 sonho e o que  viagem astral.
As recordaes de sonhos e de viagens astrais chegam pelo
mesmo caminho  conscincia quando a pessoa est acor-
dada. Ao voltar a psique, o corpo desperta e talvez diga: "Oh,
que sonho horrvel tive na noite passada." Ou, se a pessoa
teve treinamento e sabe como viajar conscientemente no
plano astral, retorna lembrando-se em detalhes de tudo o
que fez. O corpo continua descansado e so dispersadas as
toxinas, mas a Psique conserva a informao do que ocorreu
no astral.
Alguns escolares gozam frias e ficam to excitados com a
volta s aulas que tudo o que aconteceu durante as mesmas
desaparece inteiramente da mente e das recordaes. Da
mesma maneira, pessoas que retornam de viagens astrais
podem esquecer por completo o que aconteceu na excitao
de comear outro dia.
No poderemos nunca repetir o suficiente que, se quisermos
recordar a viagem astral, precisamos, apenas, dizer trs vezes
durante o sono: "Vou ter um sono profundo e reparador e,
pela manh, lembrar-me-ei de tudo o que fiz no astral."
Repita trs vezes antes de dormir e se realmente pensa no
que diz, e se est realmente querendo isso, lembrar ao
acordar. Coisa alguma de mgica existe nisso. Equivale
apenas a dirigir-se a um subconsciente muito estpido e
dizer, de fato: "Hei, moo, voc precisa manter-se alerta
hoje  noite, nada de brincadeiras de entupir as canalizaes
da memria. Mantenha-se a postos para uma nova carga de
memrias quando eu voltar."
Claro que a pessoa treinada pode realizar viagens astrais
quando inteiramente desperta.  muito comum que ela se
sente numa cadeira, cruze as mos, junte os ps e feche os
olhos. Pode, ento, obrigar-se a deixar o corpo e ir a
qualquer parte, permanecendo em plena conscincia
durante todo o perodo de viagem. Ao voltar o corpo astral
ao fsico, traz uma recordao fiel de tudo o que aconteceu.
Isto precisa de prtica, por certo, e um pouco de
autodisciplina. Mas no  difcil treinar-se para recordar o
que ocorreu ao adormecer o corpo. Precisa-se apenas dizer
ao subconsciente que cale a boca, da mesma maneira que se
manda calar um escolar desobediente. Na primeira vez, 
praticamente uma perda de tempo; na segunda, o
subconsciente salta e presta ateno e, na terceira, h
esperana de que a ordem penetre fundo e que ele obedea.
Mas se fizer isso durante algumas noites, descobrir que o
subconsciente obedece.
Numerosas pessoas gostam de manter um bloco de notas e
um lpis junto  cama para anotar imediatamente ao acordar
o que aconteceu durante a noite. De outro modo, dada a
presso e agitao da vida moderna, h grande tendncia de
esquecer. O pobre indivduo acorda, por exemplo, pensa
que vai chegar atrasado ao trabalho e, no momento seguinte,
pergunta-se se a mulher, est de bom humor e se vai dar-lhe
o caf da manh ou se ter que passar sem ele. Com tantas
coisas assim no crebro, no tem o estado de esprito
conveniente para recordar-se do que aconteceu durante a
noite. Assim, forme o hbito, mantenha bloco e lpis ao
lado, escreva imediatamente tudo de que se recordar. Com a
prtica, descobrir que  fcil e com um pouco mais de
prtica, no precisa do lpis e bloco. E passar seus dias na
Terra muito mais contente sabendo que ela  apenas uma
dura escola e nada mais, certo de que, no fim do perodo,
voc poder voltar para Casa.
Ultimamente apareceram anncios audaciosos de todos os
tipos imaginveis de empresas que se apresentam como
capazes de ensinar a pessoa a aprender dormindo. Querem
vender um dispositivo dispendioso ou, ainda melhor, cursos
completos e extensos gravados, acompanhados de
interruptor, fones auriculares, microfones para colocar sob o
travesseiro e muitas outras coisas mais.
Ora,  inteiramente impossvel aprender-se a menor coisa
que valha a pena dormindo. Para comear, o motor do
corpo est longe e tudo o que resta  uma espcie de
estpido encarregado chamado de "subconsciente".
Pesquisas muito extensas feitas nos pases mais adiantados do
mundo provaram, alem de qualquer dvida, que aprender
durante o sono no  possvel, no funciona.
Se permanecer acordado, isto , se custar a dormir, voc
talvez absorva alguns trechos de conversao gravada. Mas
no h maneira fcil de aprender. No se pode apertar um
boto e dizer: "Hei, estou pronto" a uma mquina porque
isso no o transformar em gnio da noite para o dia. Em
vez disso, interferir no ritmo de seu sono e torn-lo- um
mal-humorado voc sabe o qu.
Suponhamos que voc deixa o carro na garagem antes de
entrar em casa para comer feijo-manteiga com torradas, ou
que porventura coma antes de ir para a cama. Bem, voc
seria uma grande otimista se pensasse que seu carro ia
aprender alguma coisa por intermdio de fitas enquanto
estivesse longe. Os fabricantes, reconhecemos, fazem
diversas alegaes espantosas e impossveis para suas latas
mecanizadas (no, no tenho carro), mas at mesmo os
anunciantes mais otimistas recusariam dizer que os carros
aprendem enquanto o dono dorme.
O corpo  apenas um veculo mediante o qual o Eu Superior
obtm certa experincia na Terra e em alguns outros poucos
planetas. Portanto, no se d ares sobre a sua inteligncia,
sua importncia, e tudo mais, porque, quando chega a
ocasio de conferir ou compar-lo com o padro de valor
que queira usar, "voc"  apenas uma bolha de protoplasma
dirigida durante o dia por um proprietrio que acontece ser
o seu Eu Superior. A situao lembra a do irlands e do
jumento: o jumento passa a noite no estbulo, mas nenhum
volume de fita gravada o far falar ingls, ou mesmo ingls-
americano. Apesar disso, durante o dia, ao proprietrio pode
ser ensinado... at mesmo ingls-americano. Valeria a pena
ensinar gals a um irlands algum dia para verificar se isso
pode ser feito. '
Penso que realmente mereo uma medalha por apontar-lhe
algumas destas coisas destinadas a alivi-lo de dinheiro
arduamente ganho. Pense sempre: o que est por trs do
anncio? Bem, claro, o anunciante quer seu dinheiro. O
anncio me lembra pessoas que anunciam que podem
ensinar a outras a ganhar um milho, digamos, em trs fceis
lies, ou prever o resultado do Sweepstake irlands, e levar
o primeiro prmio. Se essas pessoas pudessem fazer isso, elas
no se preocupariam era anunciar, no? E, se no podem
faz-lo, querem ganhar dinheiro de outra maneira, fingindo
que podem ganhar milhes num ms. Podem, se um
nmero suficiente de pessoas responder aos anncios, mas
no seja uma delas, abotoe o bolso, feche a carteira,
mantenha tambm a boca calada e os ouvidos bem abertos.
Oh, Deus meu. L vem outra pergunta, e  melhor que
vocs leiam isto com ateno: "O senhor diz que o
subconsciente  estpido. Apesar disso, em Captulos de
Vida diz que  ele muito inteligente e talvez mais do que a
parte de ns que diz ser um dcimo consciente. Bem,
esclarea,  estpido ou superinteligente?"
Se vamos voltar s origens novamente, tenho a dizer que o
subconsciente nem  inteligente nem estpido porque no
possui inteligncia. O que possui  algo inteiramente
diferente. O subconsciente  simplesmente um repositrio
de conhecimentos, bons e maus. Diramos que  apenas um
arquivo. Contm tudo o que ouvimos, vimos,
experimentamos. Lembra a seus reflexos automticos
quando inalar e exalar. Lembra a voc que deve contorcer-
se e soltar um gritinho se lhe fizerem ccegas etc. Constitui,
apenas, um mecanismo automtico de recordao.
Voc diria que uma bibliotecria  inteligente? Bem, isto 
apenas uma questo, naturalmente. O que sei  que tentei
entrar em contato com as tolas bibliotecrias de uma famosa
biblioteca de Londres, as tais que anotam detalhes, e tentei
dizer-lhes que o que escreviam a meu respeito estava total e
irremediavelmente errado. Mas como custa convenc-las.
Fiquei com a opinio indelvel de que as bibliotecrias-
anotadoras dessa famosa biblioteca nada tm de inteligente.
De qualquer modo, trata-se de questo de opinio. Mas
faamos a pergunta novamente apenas para responder 
questo.
Voc acha que as bibliotecrias so gnios? Pensa que elas
poderiam responder a qualquer pergunta sobre todos os
assuntos e reproduzir o que qualquer pessoa disse antes?
Bem, claro que no. Nem mesmo se voc fosse uma
bibliotecria poderia fazer tais alegaes. Em vez disso,
responderia, com toda a correo, que no h tais
conhecimentos registrados num crebro humano, mas que
sabe onde localizar certas informaes. As melhores so
aquelas que podem localiz-las com maior rapidez.
Poderamos ir a uma biblioteca e perder tempo ein certos
arquivos procurando um ttulo de livro que contenha
assunto sobre a matria que nos interessa. Verificaramos
que teramos de procurar algo mais e descobriramos que o
livro est esgotado, fora de circulao, ou fora da biblioteca.
Perderamos metade do dia. No obstante, perguntando 
bibliotecria, durante um momento ela apresentaria uma
expresso inteiramente vazia e, em seguida, pareceria que a
moeda tivesse cado no lugar certo com um estalido, ela
entraria em movimento e nos traria o livro com a
informao desejada.
Se fosse boa bibliotecria, recomendaria numerosos outros
livros.
O subconsciente  algo parecido. To logo o "ns" pensante
quer saber algo, o subconsciente tenta fornecer a resposta.
Isto no  inteligncia.  inteiramente automtico e, como 
automtico, pode ser treinado.
Mas treinado para qu? Bem, a resposta  simples. O sub-
consciente  nossa memria. Se temos m memria isto
significa que o dcimo consciente no est tendo acesso aos
nove dcimos subconscientes. Se temos m memria, isto
equivale a dizer que o subconsciente no consegue fornecer
a informao que desejamos.
Suponhamos que queremos saber o que Gladstone disse
realmente no ano de mil oitocentos e tanto. Bem,
provavelmente ouvimos citar-lhe as palavras, lmo-las em
alguma parte, elas esto registradas na memria e, se o
subconsciente no as puder extrair, h pane em algum rel.
Certas pessoas podem citar um material extensssimo sobre
quadros de futebol e beisebol, mencionar os vencedores ou
o que quer que sejam chamados, isto cobrindo um perodo
de anos. Acontece isto porque esto interessados no assunto.
Ningum pode lembrar coisas pelas quais no se interessa.
Nunca tendo assistido a uma partida de futebol ou beisebol,
e nem querendo assistir a ela, no tenho a mais remota idia
sobre o assunto. Eu pensava, por exemplo, que uma quadra
de beisebol fosse algo que se desse aos vencedores. Sem
dvida, algum me escrever restabelecendo a verdade.
Se quer cultivar uma boa memria, voc precisa cultivar o
subconsciente. Precisa interessar-se pelo assunto e, a menos
que esteja interessado, o subconsciente no pode comear?
"pregar papeletas". Muitas de nossas leitoras sabem tudo
sobre artistas de cinema, quantas vezes se casaram, quantas
se divorciaram e quantas vezes andaram em volta do mundo
atrs do amor do momento. Isto  fcil, podem faz-lo. Mas
peam-lhe para ir ao armarinho comprar uma linha nmero
sessenta e elas voltaro com uma expresso mais vazia do
que a habitual.
Para treinar a memria, isto , treinar o subconsciente, voc
deve pensar com clareza nas coisas e desenvolver interesse
por elas. Se homens saem para comprar artigos femininos,
voltam sem um nico pensamento, mas, se tomassem
interesse pelas coisas, a memria melhoraria. Pode-se
desenvolver o interesse perguntando por que a mulher quer
isto ou aquilo, ou alguma outra coisa. A mulher, de sua
parte, pode perguntar-se por que um homem quer, por
exemplo, um carretel de linha fina. Se criarem interesse
autntico, lembrar-se-o.
Se tenta lembrar-se de algo especfico como um nmero de
telefone, tente imaginar a pessoa a quem pertence o nme-
ro, ou, se no a conhece e no a pode visualizar, examine o
nmero.  uma srie de crculos ou de barras? por exemplo,
o 6, o 9 e o 0 se transformam em crculos, bem como 3 e 2,
mas as barras seriam o 1, o 7 etc., e naturalmente o 4. Se
voc pudesse visualizar certo nmero de crculos e barras,
poderia lembrar-se. A melhor maneira  usar o velho
sistema de trs. Repita o nmero trs vezes, ao mesmo
tempo mantendo a convico sincera de que sempre se
lembrar dele. Voc pode fazer isso.  muito fcil e no
apresenta a menor dificuldade.
Outra coisa que se pode fazer durante o perodo de sono 
aproximarmo-nos de uma pessoa que desejamos influenciar.
Bem, aprender algo durante o sono  absoluta perda de
tempo porque tentamos ensinar ao corpo alguma coisa
quando a entidade que o controla est distante. Mas
tratemos aqui de outra coisa  influenciar o prximo.
Suponhamos que o Sr. John Brown quer ardentemente ser
nomeado para a fbrica XYZ. O Sr. Brown ouviu dizer que a
companhia  muito boa e que seria muito desejvel trabalhar
para ela.
Brown teve a boa sorte de marcar uma entrevista com o
gerente de pessoal ou alguma outra pessoa de autoridade,
digamos, para o dia seguinte. Ora, se Brown quer convenc-
lo,  isto o que far.
Reunir todas as informaes possveis sobre a firma e,
sobretudo, sobre a pessoa com quem vai entrevistar-se. Isto
significa que deve informar-se bem sobre quem o
entrevistar. Em seguida, se for possvel, conseguir uma
fotografia do entrevistador e, antes de ir dormir naquela
noite, procurar ficar a ss e visualizar a si mesmo
conversando com ele na manh seguinte.
Convincentemente (no isolamento do quarto), declarar os
motivos por que seria um empregado desejvel, os motivos
por que precisa daquele determinado emprego, as razes por
que considera merecer mais do que a empresa paga normal-
mente. Diz tudo isso  fotografia, levanta os ps, coloca-os
sob as cobertas e pe a fotografia a sua frente na posio
costumeira em que dorme.
Brown adormece com a inteno firme, muito clara, en-
ftica de deixar o corpo e ir at a casa do entrevistador. Ali
encontrar o entrevistador fora do corpo e o astral de Brown
dir ao astral do entrevistador tudo o que disse e no
isolamento do quarto.
Fantstico? Maluco? Nem pense nisso! O sistema funciona
realmente. Se o entrevistado jogar como deve as cartas, o
entrevistador lhe dar o emprego. Isto  certo, definido, e
funciona.
Agora, se vocs querem um melhor emprego ou ganhar
mais, releiam essas palavras e ponham-nas em prtica.
Podem influenciar pessoas dessa maneira, embora no
necessariamente para o mau. Podem influenci-las a fazerem
o que normalmente elas fariam, isto , no se as pode
influenciar para o mal ou para cometer uma m ao. Isto
significa que alguns de vocs que me escrevem perguntando
como podem influenciar as moas, bem, percam a
esperana. No podem e nem tentem.
Sim, inocentes leitoras, senhoras da mais cristalina pureza,
recebo s vezes cartas de "cavalheiros" que me pedem para
ensinar-lhes a hipnotizar moas, enfeiti-las ou dar-lhes a
frmula de algo que as torne inermes para que o
"cavalheiro"... bem para que ele faa o que faria em tais
circunstncias. De qualquer modo, respondo-lhes com a
verdade, que  que, a menos que resolvam usar veneno, no
podem levar uma pessoa a fazer o que a conscincia
normalmente no admitiria. E isto  tudo. Se os seus desejos
so puros ou "limpos", podem influenci-las, influenci-las
para praticar o bem, mas no o mal. De qualquer modo,
muitas pessoas no precisam ser influenciadas para praticar o
mal, que lhes vem como coisa natural.
Talvez valha a pena introduzir aqui uma pergunta que se
aplica a algumas observaes feitas em captulos anteriores.
A pergunta  a seguinte:
"O senhor diz que a pessoa vem repetidamente  Terra at
que cumpra sua misso especfica. Diz tambm que, s
vezes, grupos vm com a mesma finalidade. Poderia dar-nos
um exemplo claro, no particular?"
Para dizer a verdade, sim, definitivamente sim. Bem, recebi
h algum tempo um recorte de jornal em espanhol. O re-
corte continha detalhes sobre uma revista chamada
Excalibur, publicada h alguns anos, aparentemente em
Durban, na frica do Sul. Tenho a fazer apenas comentrios
muito curtos sobre o assunto, mas parece que a revista
publicou alguns notveis e comprovados paralelos entre a
vida e morte do Presidente Lincoln e do Presidente
Kennedy. Isto responder to bem a tantas perguntas que
vou dar abaixo os detalhes. Faamo-lo numericamente e ser
muito mais fcil se quiser reexamin-los ou discuti-los com
os amigos. Vejamos o primeiro:
1.	O Presidente Lincoln foi eleito em 1860. Isto,
naturalmente, pode ser verificado nos livros de Histria.
Bem, Lincoln tornou-se Presidente em 1860 e aqui est a
primeira coincidncia: Kennedy subiu  presidncia em
1960, cem anos depois.
2.	Talvez o abale um pouco saber que o Presidente Lincoln
foi assassinado numa sexta-feira. O mesmo aconteceu com o
Presidente Kennedy.
3.	Voc talvez tenha lido que o Presidente Lincoln se
encontrava num teatro assistindo a uma pea, na presena
da esposa, junto  qual foi assassinado. O Presidente
Kennedy visitava Dallas e estava num carro com a esposa.
Apreciava tambm o espetculo, isto , o espetculo das
aclamaes pblicas etc.
4.	O Presidente Lincoln foi baleado nas costas enquanto se
encontrava num camarote. O Presidente Kennedy foi
atingido nas costas sentado num automvel.
5.	O Presidente Lincoln foi sucedido por um homem
chamado Johnson. Johnson tornou-se Presidente aps
Lincoln. No Texas, o Presidente Kennedy foi morto, tendo
o Presidente Johnson prestado juramento como Presidente
dos Estados Unidos a bordo do avio que conduzia o corpo
do falecido Primeiro Mandatrio e o novo de volta  Capital.
6.	Mas no terminamos ainda nossa lista de coincidncias.
Nem de longe. O Johnson que sucedeu ao Presidente Lin-
coln era um democrata do Sul. Lydon Johnson, que sucedeu
ao Presidente Kennedy, era tambm um democrata do Sul,
do Texas.  uma boa lista de coincidncias, no? Apesar
disso, h mais do que mero acaso, h o suficiente para
demonstrar que, forosamente, deve ter havido algum
"Plano Divino" determinando que a entidade que era o
Presidente Lincoln voltasse talvez como Kennedy para que
a tarefa fosse cumprida. Muito bem, voltemos a...
7.	Ambos os Johnsons foram membros do Senado antes de
ascenderem  presidncia.
8.	O sucessor de Lincoln foi Andrew Johnson. Agora leiam
bem isto: Andrew Johnson nasceu em 1808; o Johnson que
sucedeu ao Presidente Kennedy nasceu em 1908, cem anos
depois.
9.	Lincoln morreu s mos de um tipo muito estranho,
pessoa inteiramente insatisfeita, se formos dar crdito aos
relatrios, hoje Histria, chamado John Wilkes Booth,
nascido em 1839. Lee Harvey Oswald, que segundo se diz
assassinou o Presidente Kennedy, era pessoa tambm
profundamente insatisfeita, sempre metida em encrencas.
Nasceu em 1939.
10.	Continuando a lista de "coincidncias", Booth foi
assassinado antes de ser levado a julgamento; o mesmo
aconteceu com Oswald. Oswald tombou varado de balas
quando era levado pela Polcia, antes de ser julgado.
11.	Essas coincidncias, como viram, estendem-se no
apenas aos presidentes e aos assassinos, mas tambm s
esposas, porquanto a Sra. Lincoln perdeu um filho enquanto
na Casa Branca, o mesmo acontecendo  Sra. Kennedy.
12.	Lincoln possua um Secretrio chamado Kennedy. O
Secretrio Kennedy aconselhou-o veementemente a no ir
ao teatro, onde o Presidente foi assassinado. O Presidente
Kennedy possua igualmente um Secretrio chamado
Lincoln que o aconselhou energicamente a no ir a Dallas!
13.	John Wilkes Booth baleou o Presidente quando ele
assistia a um espetculo teatral, fugiu e foi esconder-se numa
loja. Lee Harvey Oswald, porm, baleou Kennedy de uma
loja e correu para esconder-se num teatro. Leia tudo isto
atentamente mais uma vez e veja como  estranho. Um
assassino atirou num teatro e escondeu-se numa loja; o outro
atirou numa loja e escondeu-se num teatro.
14.	L-I-N-C-O-L-N tem sete letras e o mesmo acontece
com K-E-N-N-E-D-Y.
15.	Se contar as letras de John Wilkes Booth encontrar
quinze letras e a mesma coisa como o nome de Lee Harvey
Oswald.
16.	Acredita-se que Oswald matou Kennedy e que tinha
cmplices. Coisa alguma disto foi real, definitiva e
incontroversamente provada; trata-se de evidncia
circunstancial. Tampouco pde algum provar que Booth
assassinou Lincoln. Da mesma maneira, Oswald, segundo se
declarou, tinha cmplices, mas no foi conclusivamente
provado que matou Kennedy. Tampouco foi provado que
possua cmplices. Agora, enfrentemos a questo de frente:
a evidncia circunstancial aponta claramente para Booth e
Oswald, mas quanto do que lemos era verdade e quanto
prejulgamento e pr-condenao da imprensa? No
sabemos, e chamo a ateno porque se trata de outra
coincidncia no caso dos dois.
17.	Vocs devem lembrar-se que um homem chamado
Rubby, que era tambm um tanto fantico, matou Oswald.
Baleou-o diante das cmaras de televiso. Abriu caminho
entre a multido, apontou a arma e disparou. Boston Corbett
era tambm meio fantico e acreditava tambm que agia
bem quando assassinou John Wilkes Booth. Em ambos os
casos, mataram o suspeito e acusado do assassinato do
Presidente, em ambos os casos, declarou-se que os segundos
assassinos, isto , Corbett e Rubby, fizeram-no motivados
por lealdade excessiva ao Presidente da ocasio. Mas em
nenhum caso foi provado o motivo real.
Em outro livro, eu disse que o Eu Superior dirigia um grupo
de tteres. Bem, pensem no caso  luz destas informaes,
de dois presidentes eleitos com um intervalo de cem anos,
assassinados numa sexta-feira, examinem a lista novamente e
notem as diferentes coincidncias. Agora, digam-me,
francamente: vocs acreditam que fossem apenas
coincidncias? Isto no  realmente possvel, como sabem.
Pessoalmente, acredito que Lincoln no cumpriu sua misso
e que teve de voltar a basicamente o mesmo cargo para
completar o que deixara por fazer.
A nica maneira de voltar seria como homem que se tor-
naria Presidente dos Estados Unidos. E foi o que fez. Podem
acreditar que, s vezes, o Eu Superior faz "ensaios de gala*'
com tteres. No caso de Lincoln, o palco foi preparado e, de
modo muito apropriado, num teatro, sendo o Presidente
assassinado. Coisa alguma se provou contra o suposto
assassino, que foi liquidado por outro. A situao toda
pareceu insatisfatria, ningum conhecia os motivos e coisa
alguma se provou contra algum. Talvez o Eu Superior tenha
ficado um tanto aborrecido com tal perda de tempo e
esforo e feito uma combinao para cem anos depois, desde
que, no mundo astral, o tempo  diferente daqui. No Outro
Lado, no astral, poderia ter-se sentado e coado a metafrica
cabea, por assim dizer, e se perguntado o que fazer em
seguida. Bem, depois de ter-se mexido um pouco e se
coado um pouco mais, poderiam ter transcorrido cem anos
de tempo terreno.
Cabe perguntar agora o que vir depois. Ficou o Eu Superior
satisfeito com a segunda tentativa ou haver uma terceira?
Pessoalmente, acredito que um Presidente dos Estados
Unidos ser internado como louco. Bem, conheo todas as
velhas piadas a respeito de presidentes americanos loucos e
longe de mim desencoraj-las. Mas desta vez o assunto 
srio e acredito que antes de muito tempo um Presidente
dos Estados Unidos ter de ser suspenso dos seus deveres
porque ser louco demais para continuar. Acredito tambm
que veremos outra situao muito difcil: numerosos
influentes membros do governo americano sero acusados
de atividades comunistas  de darem ajuda e conforto ao
inimigo e venderem o prprio pas. Alguns de vocs
bastante jovens, vero tudo isso, porque vai acontecer.
Coisas realmente horrendas ocorrero nos Estados Unidos.
Mantenham, portanto, os rdios ligados nos prximos anos!

CAPTULO    6

O TEMPO  A COISA MAIS VALIOSA QUE UM
HOMEM PODE DESPENDER

O Ancio jazia na nova cama, de hospital, dotada de motor
que levantava e baixava a cabeceira e que, apertando-se um
boto, ajustava-lhe a altura. Para cima e para baixo, brincava
com a coisa mais ou menos como uma criana com um
novo brinquedo. Mas talvez no seja to agradvel quando a
pessoa no pode em absoluto andar de um lado para outro,
ou  obrigada a permanecer na cama, uma to baixa que im-
pede mesmo que se olhe da janela. Bem, o Ancio possua
uma cama, cuja altura podia ser ajustada por um motor
eltrico. Considerou-se uma espcie de submarino que subia
 superfcie para dar uma espiada no mundo.
	Hei!  gritou a Srta. Clepatra.  Como  que voc
pensa que vamos saltar sobre a cama se continuar a mudar
assim a altura. De que modo pensa que podemos calcular a
distncia?
O Ancio voltou ao presente com uma sacudidela e, s
pressas, colocou-a na posio mais baixa. A Srta. Clepatra
saltou para cima e sentou-se, indignada, no seu peito.
	Est tentando livrar-se de mim?  perguntou.  Quer
tornar as coisas difceis para que eu no possa saltar sobre
seu peito, hem?
	No, claro que no, Cleo  respondeu o Ancio. 
Pense apenas nisso: se ficar em p aqui em cima de meu
peito pode olhar por cima daquele terrao idiota do outro
lado da janela e ver os navios no porto.
Juntos ficaram observando o porto. O mais prximo era um
navio que descarregava minrio de nquel. Havia um navio
russo com a popa muito afundada na gua e a proa bem
levantada, mostrando que a parte dianteira precisava ser
ainda carregada. Mais adiante, dois ancoradouros depois, um
navio sul-coreano carregava polpa de madeira para a Coria.
	No sei por que vem aqui buscar polpa de madeira 
disse o Ancio.  H bastante rvore na Coria do Sul.
	Oh, bem  disse Buttercup  provavelmente querem
fazer uma troca ou alguma coisa assim. Compram polpa do
Canad em troca de outro produto.
Buttercup era definitivamente a especialista quando se tra-
tava de navios e navegao. Era tambm perita no que
tocava a bandeiras de navios. A incomum bandeira sul-
coreana deixou-a perdida durante alguns momentos apenas,
mas qualquer outra, panamenha, monroviana, at mesmo o
velho Pavilho Vermelho, ela identificava a quilmetros de
distncia.
A Srta. Taddy levantou os olhos.
	O que  que voc est fazendo, chefe?  perguntou algo
perplexa.  Ficou to doente que comeou  falar sozinho?
	Claro que no estou falando sozinho. Estou simplesmente
tomando notas para um livro. Posso? Voc no pode deixar
de intrometer-se, Taddykins?
A gata sacudiu a cabea em confuso espanto, enrodilhou-se
novamente numa bela e compacta bola e caiu mais uma vez
no sono. Subitamente, a Srta. Cleo empinou as orelhas e
Taddy acordou com um arfanco, inteiramente desperta. Do
lado de fora, ouviu-se uma voz estridente:
	Bem, olhei nos jornais hoje e vi que meu horscopo no
prestava. Assim, pensei comigo mesma, bem, se voc no
tivesse trabalho a fazer, minha velha, seria melhor faltar ao
trabalho hoje e continuar na cama. Mas no pode fazer isso
quando precisa ganhar a vida e tem um homem para
sustentar, no ?  A voz passou, acompanhada pelo
murmrio de outra mulher, com toda probabilidade
arrotando alguma bobagem sobre os prprios problemas.
	Ah, sim  disse o Ancio  isto me lembra de uma
pergunta que tenho aqui. Vejamos, onde est ela? 
Folheou uma pilha de cartas e, triunfantemente, tirou a que
desejava.
Marca do correio, algum lugar nas distantes ilhas ao largo.
Assunto? Qual? "Prezado senhor. Envio-lhe um dlar e mi-
nha certido de nascimento. Por favor, envie-me sem
demora um horscopo completo e um estudo de minha
vida. E mande-os por via area. Se houver algum troco,
guarde-o para compens-lo por quem no enviou as
despesas postais."
Bem, o que  que vocs acham disso? Algumas pessoas
pensam que horscopo nascem em rvores. No  to fcil
assim e leva tempo para faz-los. Mas h outra pergunta!
"O que  que o senhor realmente pensa dos horscopos? Os
que os anunciam fazem-nos apenas para ganhar dinheiro?
Nunca um horscopo acertou comigo. O que  que h de
verdade em tudo isso?"
Bem, a verdade da astrologia  a seguinte: supostas as
condies apropriadas, a astrologia pode ser exata e
acertar..., mas, supostas as condies apropriadas.
Mas, em primeiro lugar, deixem-me adverti-los contra esses
anncios comuns que lhes oferecem um horscopo por uns
dois dlares ou alguns xelins. O que vocs obtm  um mao
de papel impresso que se apresenta como horscopo. Esse
material, porm, nem merece ir para o lixo e, na minha
opinio mais ponderada, pode-se dizer o mesmo sobre essas
bobagens que se dizem feitas por computadores.
Simplesmente no valem o que a pessoa paga por elas. A
astrologia no  um processo mecnico.  uma cincia e
uma arte. No se a pode fazer, apenas como cincia. A arte 
necessria. E, tampouco, vice-versa.
Para fazer um horscopo devidamente  isto , um
realmente exato   necessrio saber-se o momento preciso
do nascimento e sua localizao exata. Em seguida, faz-se
mister passar diversos dias deslindando vrios aspectos. No
se pode oferecer uma boa coisa por cinco ou dez dlares. O
que se consegue  apenas um guia aproximado,
extremamente grosseiro, que se poderia aplicar a milhares de
diferentes pessoas. No fao um horscopo para pessoa
alguma por mais que me pague, porque no acredito que
deve t-lo. Se a pessoa o consegue, pensa que tem de fazer
exatamente tudo o que o horscopo diz e ele no , em
absoluto, um molde imutvel de condies. O horscopo 
um conjunto de possibilidades. Conhecendo-se a
constituio astrolgica da pessoa, pode-se descrever sua
provvel aparncia, o que deve ser seu carter,
estabelecendo-se, tambm, limites sobre o que ela pode ser.
A pessoa, por exemplo, pode ter um horscopo que lhe diz
que no pode subir acima da posio social em que nasceu,
mas que pode realizar certas coisas com um dispndio
imenso de esforo.
Uma segunda pessoa talvez receba outro que lhe diz que
subir na vida e que progredir com grande rapidez sem,
praticamente, esforo algum. Se querem saber realmente o
que  um horscopo, pensem no assunto  luz seguinte:
constitui uma especificao, um palpite bem informado
sobre as capacidades da pessoa.
Esclarecendo ainda mais, tomemos dois automveis. O
"horscopo" do Rolls-Royce diz que o carro ser muito
silencioso, muito rpido, muito confortvel, que alcanar
tal velocidade mxima e que usar tanta gasolina por tantos
quilmetros. O horscopo do segundo talvez diga  h
ainda Morris Minors na Inglaterra?  que  veculo de baixa
potncia, muito conveniente para passeios locais, que tem
uma velocidade mxima de tanto, que no queima muita
gasolina e que  timo para circular no trfego pesado. As
pessoas so tambm assim, regidas por especificaes, que
chamamos de horscopos.
O horscopo no dir  ansiosa jovem, aquela tal que est
ansiosa para casar-se logo, que encontrar a "Outra Metade"
sob o terceiro poste da rua ao virar para a esquerda ou para a
direita ou que conhecer um jovem moreno, que estar
amarrando o cadaro dos sapatos. O horscopo no 
absolutamente isso, no a astrologia real. Isso  a
cartomancia falsificada.
So muito poucos, pouqussimos mesmo, os astrlogos
realmente autnticos e capazes que anunciam servios. No
precisam faz-lo. A fama que tm e a exatido dos seus
prognsticos correm de boca em boca. E se vocs pensam
que podem encher um cupom e envi-lo com cinqenta
centavos ou cinco xelins para conseguir um prognstico de
vida  bem, pensem novamente, porque vocs so desses
ingnuos que merecem, de fato, cair na armadilha dos
sabiches por pensar que podem conseguir algo assim to
barato. S conseguimos aquilo por que pagamos.
No farei horscopos por soma alguma. Se os fao, fao-os
gratuitamente, em circunstncias muito especiais. Mas, na
minha opinio mais ponderada, nenhum horscopo que
custe menos de cem dlares vale a pena, porque significa
que seu autor simplesmente no se deu ao tempo e ao
esforo necessrios. E, assim, o que vocs conseguem 
apenas um punhado de letras num pedao de papel.
No meu prprio caso, o meu passado foi previsto pela
astrologia com uma exatido realmente estupenda. Tudo que
me foi augurado aconteceu e, para maior tristeza minha,
outras coisas extras, certas coisas que o astrlogo no quis
discutir. E todas as miserveis "extras" foram tambm ms!
Respondendo  pergunta: "A astrologia  autntica?", eu diria
que sim, que pode ser de autenticidade inatacvel, sugerir o
que ser a vida da pessoa, indicar probabilidades. Mas apenas
probabilidades. Desta maneira, no leve a astrologia muito a
srio a menos que consiga uma jia de astrlogo que saiba
exatamente o que faz, que tenha moral ilibada, isto , uma
pessoa que diga a verdade, toda a verdade, e nada mais que a
verdade. Por isso mesmo, numerosos outros astrlogos
pem suas "informaes" em frases chapadas, porque sabem
o que pessoas querem ouvir.
Mas aqui temos outra pergunta: "O marido de minha filha 
um homem muito estranho. No acredita nas mesmas coisas
que eu. No acredita, por exemplo, no ocultismo. O que
posso fazer para mudar-lhe as idias?"
A nica resposta que posso dar aqui  dizer, em termos
inequvocos, que coisa alguma pode ser feita para ajudar, da
forma que essa senhora quer. Se a pessoa no est ainda
pronta para estudar assuntos ocultos,  definitivamente
errado obrig-la a tanto.
Todos tm o direito de livre opo e a escolha que fizerem 
assunto que lhes diz respeito apenas, e pela qual so
responsveis. Se Billy Bugsbottom resolve que "essa estria
de ocultismo  cascata", ento, por que deve algum tentar
persuadi-lo do contrrio? Ele assim acredita e assim resolveu,
e  definitivamente errado influenci-lo.
So inumerveis as pessoas que me escrevem perguntando
como podem, mediante um mantra, obrigar algum pobre-
diabo a fazer o que odiaria. Repito ad nauseam que  errado
influenciar o prximo. Talvez a pessoa tenha alguma clara
razo para no querer estudar astrologia, ocultismo ou jogar
tal ou qual jogo. De igual modo,  errado esperar que
concorde conosco em tudo que fazemos. Vocs deviam ver
como Buttercup e eu concordamos em divergir. Existem
numerosas coisas que, por experincia vivida, sei que so
fatos. Buttercup, porm, tem direito  prpria opinio. Se
minhas crenas nem sempre so as dela, isso  deciso dela e
eu no a influencio em absoluto. A imprensa idiota publica
amide artigos dizendo que ela  minha discpula. No
poderia estar mais longe da verdade! Nem  budista. Para
comear, no os tenho e nem nunca os tive e, em segundo,
acho errado que a pessoa vire casaca e se torne budista
quando quer realmente ser crist ou crist quando quer ser,
de fato, budista. Tendo certos preconceitos no que toca ao
assunto, digo sempre que, quando a pessoa estiver pronta,
ela se tornar budista automaticamente porque o budismo
real significa to-somente obedecer a lei de fazer ao prximo
o que queremos que ele nos faa. Claro que no me refiro a
esses estranhos cultos existentes nos Estados Unidos e na
Inglaterra que se chamam de "templos" budistas. Eles no
so, em absoluto, minha idia de budismo. O verdadeiro
budista no precisa ir  rua para converter. Eu sou budista
autntico.
Mas enquanto estamos tratando mais ou menos de astro-
logia, examinemos dois outros sistemas. A grafologia, que  a
cincia de ler o carter pela escrita,  algo que endosso sem
restries quando praticada por especialista. Grafologia no 
leitura da sorte. E, sim, um mtodo extremamente exato de
determinar o carter da pessoa, as potencialidades, e tudo
mais. Evidentemente,  preciso ser perito nessas coisas. Um
nmero excessivo de principiantes ou de falsos graflogos
baseiam as concluses em apenas um ou dois detalhes do
cursivo. Mas o fato  que so necessrias sete confirmaes
antes que se possa dizer com absoluta certeza, sem medo de
contestao, que isto  assim ou assado.
A escrita informa sobre o carter, capacidade, e coisas assim.
No  em absoluto possvel, no entanto, prever o futuro na
base da escrita e nenhum graflogo reputado alega isso. O
uso ideal da grafologia consiste na avaliao da capacidade da
pessoa para certo emprego.
H alguns anos, "Ma", que agora chamamos de "Ra'ab", fez
grafologia com xito, para algumas empresas industriais. As
empresas submetiam amostras da escrita de pessoas que se
candidatavam a um emprego. Ra'ab, com grande exatido,
sugeria qual candidato era o mais conveniente e fornecia
uma avaliao de seu carter e capacidade.
Oh, por falar nisso, talvez seja bom dizer por que "Ma"
transformou-se subitamente em "Ra'ab". Bem, os gatos
pensaram que o primeiro nome (Ma) sugeria demais Dinah
Drip-dry's Ma, a lavadora de assoalhos. Resolvemos, assim,
adotar o nome que ela usou numa vida anterior, Ra'ab. Esta 
outra de minhas infames digresses, por falar nisso. Mas no
importa,  melhor uma digresso do que no escrever o
livro, no acham?
Neste livro sero muitas as digresses e muitas as repeties.
Estive examinando uma srie inteira de perguntas e
compreendi que as repeties so essenciais, mesmo que um
ou dois de vocs no as tolerem. Ficam, portanto, avisados
de que haver algumas repeties. Posso, com segurana,
adverti-los, agora que esto to adiantados no livro, que,
espero, tenham comprado em vez de tom-lo emprestado a
alguma biblioteca. O pobre autor, como vocs sabem, no
recebe direitos autorais por livros emprestados pelas
bibliotecas. Cada livro retirado da prateleira de uma
biblioteca representa perda de renda, isto , menos alimento
na mesa do autor. Pessoas me escrevem dizendo que leram
parte de um dos meus livros na Biblioteca Pblica e, agora,
quer fazer o favor de responder-me a uma srie de
perguntas? Ou, se eu lhes enviar a coleo completa, todos
os volumes autografados e uma fotografia minha, eles
procuraro arranjar tempo para l-los. Alminhas
esperanosas, no? Assim, se chegaram at aqui e
presumivelmente compraram este livro, permitam-me
dizer-lhes que, sim, haver algumas repeties, mas tudo no
interesse da boa causa. A minha esperana  que repeties
gravem tudo isto no subconsciente de vocs. Vocs tiveram
de praticar repetio antes de decorar a tabuada de
multiplicar. Eu estou tentando fazer alguma coisa por vocs,
ajud-los, pondo estes conhecimentos em seu
subconsciente.
So muitas as empresas que escolhem os candidatos na base
da escrita e  do seu prprio interesse atualizar-se no assun-
to. Dessa maneira, podero conseguir melhor emprego ou
ganhar mais dinheiro. Podero tambm obter uma avaliao
de carter de um bom graflogo porque isto lhes ajudar a
dominar qualquer fraqueza de carter e fortalecer aqueles
pontos que j so fortes. Mas nunca acreditem que algum
lhes pode ler a "sorte"  vista da escrita. No pode.
Um dos sistemas originais de descobrir o passado da pessoa,
o presente e o futuro,  atravs da quiromancia, a
interpretao daquelas esquisitas marcas na palma da mo.
Em curtas palavras e supondo que voc seja destro, a mo
esquerda indicar o que voc planejou fazer nesta vida, o
equipamento que trouxe, isto , se  de temperamento
artstico ou um esforado, ou se tem temperamento
arrebatado ou calmo. A mo esquerda mostra o que se
planejou e a direita o que se conseguiu at agora. O
quiromante comum pode dar uma avaliao bastante
razovel do carter pelas linhas das mos e dos dedos. Mas 
preciso algo mais do que um quiromante comum para dizer,
com exatido, o que foi a vida passada e quais as
probabilidades. Agora, deixem-me frisar novamente este
ponto: as "probabilidades". Coisa alguma nesta terra pode
afirmar, definida e irrefutavelmente. No h cincia, arte,
habilidade ou dispositivo que diga o que acontecer, sem
sombra de dvida, ao indivduo. Os praticantes autnticos
reconhecero que podem, apenas, mencionar
probabilidades.
Vejamos, para dar um exemplo, um pobre-diabo que cai de
um avio sem pra-quedas. Todo mundo teria razo em
dizer que ele est virtualmente morto logo que comea a
queda, porque logo que deixar de cair haver um horrvel
baque e ele deixar uma marca na terra. Mas, espere um
momento. Pode ser que ele no caia sobre algo duro. So
muitos os casos de pessoas que caram de avies e
sobreviveram para contar a estria. E contaram! No meu
prprio caso, ca de um avio em chamas, de cerca de uns
trezentos e cinqenta metros, sofri graves ferimentos que
me causaram certo grau de curvatura na espinha. Outros
caram em segurana. Houve um pobre indivduo que caiu
de um avio em cima de um monte de feno e o perigo real
que correu foi o de sufocar antes que viessem tir-lo do
fundo do monte. Saiu com um ou dois galos na cabea, um
medo tamanho famlia, e mais nada.
Outro caso muito conhecido ocorreu na Sua. O piloto foi
obrigado a saltar, sem pra-quedas ao que parece, e caiu
atravs do frio ar suo, aterrando num profundo monte de
neve. Correu apenas o perigo de morrer congelado e foi
preciso que se cavasse freneticamente para tir-lo. Da
experincia, saiu apenas com um ligeiro resfriado. Vocs
vem, portanto, que qualquer astrlogo diria que morreria
num acidente areo, pois tal era a probabilidade, mas ele
realmente no morreu.
Se qualquer ledor de sorte, clarividente, astrlogo,
quiromante etc., ab lib, disser-lhes que tal coisa acontecer,
sem falta alguma, agarre seu dinheiro e caia fora. Podem
falar-lhes em probabilidades, mas guardem sempre em
mente que so probabilidades, e nada mais. E se mantiverem
a cabea fria e usarem um pouco de fora de vontade e
imaginao, as probabilidades podem ser combatidas.
A esse respeito temos um exemplo clssico. Conhecem-no?
Bem, ao que parece, Scrates, um dos homens realmente
sbios que j viveu, mandou tirar o horscopo quando era
muito jovem. O horscopo dizia que ele seria um bandido e
assassino entusistico e que cometeria todas as formas de
crimes com grande lan. O jovem Scrates exclamou para
seus botes o equivalente a, "Menino, se  assim, eu j estou
mudando", e resolveu fazer alguma coisa sobre o problema.
Canalizou, destarte, todas as energias para a conquista do
saber e as obras filosficas e hoje  reverenciado como um
dos Sete Sbios. Deixou marca indelvel nas pginas da
Histria, ao passo que, se se tivesse sentado sob o peso de
um horscopo desfavorvel, poderia ter deixado a marca no
Livro de Ocorrncias de uma Delegacia de Polcia. Portanto,
mesmo que um astrlogo ou quiromante lhes diga algo que
os apavorem, lembrem-se de que podem super-lo, que
podero sempre evitar as coisas ms.
Pelas cartas que recebo acho que a maioria de vocs tem a
impresso que escritores como eu reclinam-se em
acolchoado esplendor, com uma turma inteira de secretrias
em volta, com a respirao contida, esperando ordens. Acho
que muitos de vocs pensam que um escritor como eu tem
um Rolls-Royce ronronando na porta, pronto para levar-me
a passeios. A situao no  essa. No, absolutamente. Para
dizer a verdade, estou reclinado com certo desconforto
numa cama hospitalar e, no momento, por incapacidade e
outras coisas, no posso bater  mquina. Buttercup, a
Benvola, est datilografando as pginas para mim, como fez
com a maioria dos meus livros. E servio bem feito, por falar
nisto. Mas sabem que tipos de perguntas me fazem? Admito
que vocs conhecem algumas, mas sabem, por acaso, quais
as que eu normalmente no respondo? Como  que vocs,
por exemplo, responderiam a uma pergunta como esta:
"Explique-me como  que lanamos uma sombra quando
ficamos em p ao sol?" Outra: "H realmente a coisa
chamada distncia e o globo terrestre  realmente uma
esfera?" Terceira: "O que  que significa isto  direito, aquilo
 direito? Significa isto que devemos comer apenas com a
mo direita?"
A ltima pergunta  realmente sensata. Podem pensar que:
foi feita por algum biruta, mas se pensarem seriamente no
assunto, verificaro que ela tem muito sentido. O que
significa direita isto ou direita aquilo? Todos sabemos o que
significa fazer as coisas do modo direito e evitar o modo
errado. Sabemos que  direito fazer o bem em vez de o mal.
Mas sabem vocs por acaso que nossas mos tm polaridade?
Uma das mos  positiva e a outra  negativa. Se relerem
alguns pargrafos anteriores, onde discutimos a questo das
palmas da mo, verificaro que a mo esquerda trata do
abstrato, isto , de coisas anteriores  nossa volta  Terra, do
modo como planejamos as coisas, ao passo que a direita  a
prtica, que nos diz at que ; ponto alcanamos nossos
objetivos.
Da mesma maneira, at alguns anos atrs os rabes tinham
uma norma muito clara sobre mos. A mo esquerda era
conhecida como a "mo suja" e usada apenas para coisas
sujas, como tratar de certos aspectos da higiene. A direita era
a "limpa" e podia-se us-la quando se manuseavam
alimentos. Todos os alimentos eram tocados com a direita,
embora se pudesse erguer um copo ou uma xcara com a
esquerda. Seria assunto interessante investigar mais a fundo
a matria e descobrir que diferena faria a nossa digesto se
tocssemos os alimentos apenas com a mo direita e, talvez
um ms depois, mudssemos para a esquerda.
A mo direita  a mo apropriada para empunhar uma adaga
ou a espada, ou dar um aperto de mo. Nos velhos dias,
costumavam as pessoas levar uma faca ou adaga na direita
para desencorajar os assaltantes. Quando encontravam um
amigo, estendiam a direita para mostrar que no escondiam
arma e que vinham como amigas. E assim comeamos o
costume do aperto de mos. Apertando-se a mo pode-se
ver que a pessoa no tem uma faca na palma, presa com o
polegar. E, se tiver armas escondidas na manga, sacuda-lhe a
mo.
Da mesma origem vem outra pergunta, a saber:
"Como  que o Cordo de Prata liga o corpo fsico, o Eu
Superior e o corpo astral ao mesmo tempo?"
O Cordo de Prata, como tudo mais,  uma vibrao, o que
significa que constitui tambm uma fonte de energia. O
Cordo no precisa necessariamente ir apenas at outro
objeto, isto , no se limita a ligar corpo e alma.   Extenses
podem ser tiradas dele da mesma maneira que se podem
tirar extenses do telefone caseiro. Se temos um telefone na
sala de estar, no h grande problema em levar uma
extenso at o quarto de dormir.
Constitui mero bom-senso compreender que o Eu Superior
 a fonte da energia da pessoa, do ser. Poder-se-ia dizer que
traz o ser humano preso a uma correia. Pode-se ter um co
numa correia ou dez deles. Da mesma forma, pode o Eu
Superior estar ligado ao astral e ao corpo fsico. Nada h real-
mente a responder  pergunta, exceto dizer que, se temos
um co, digamos, um co avantajado,  muito fcil prender
ao fim da correia um co menor e isto corresponderia ao Eu
Superior, e os corpos astral e fsico.
Escrevendo livros, entrei em contato com pessoas
absolutamente horrveis, birutas completas, que poderamos
classificar de egressos de asilos de alienados. Constituem a
grande minoria, porm, e conheci tambm pessoas
notavelmente decentes. Dando um exemplo, existem duas
senhoras muito decentes na Columbia Britnica, a Srta. e a
Sra. Newman. Querem transformar a vida num sucesso e
acho que esto conseguindo. Enviaram algumas perguntas e,
aqui neste captulo, vou responder a apenas uma pelo
motivo muito especial de que se ajusta muito bem ao que
vimos discutindo. Vamos, ento,  resposta  pergunta
especfica da Srta. e Sra. Newman. Perguntam elas: "Pode,
por favor, explicar a homossexualidade mais ou menos da
mesma maneira como explicou o alcoolismo em Alm do 1.
Dcimo?
O nosso Eu Superior, conforme expliquei, acumula
experincia na Terra. O Eu Superior em si  grande demais,
poderoso demais e tem vibraes altas demais para descer 
Terra.  obrigado, por isso, a empregar esses pedaos de
protoplasma que, em nossa ignorncia, consideramos as
formas mais altas de existncia em qualquer esfera. Ns
humanos somos nada mais do que pedaos de carne
montados num arcabouo sseo, impelidos de um lugar a
outro pela graa do Eu Superior. Inevitavelmente, porm,
surgem enguios.
Muitas vezes, um fabricante de automveis diz para si
mesmo (s para si mesmo): "Oh, Deus, montei os freios
erradamente naquele modelo de carro. Vamos recolh-los."
A notcia  divulgada e os carros tm que voltar  fbrica
para conserto.
Na confuso de sair do mundo astral e descer ao mundo que
chamamos de terra, surgem problemas. Nascer constitui
uma experincia traumtica, assunto extremamente
violento. Um mecanismo delicado pode, com a maior
facilidade, desarranjar-se. Dando um exemplo, est para
nascer uma criana e, durante toda a gravidez, a me
mostrou-se muito descuidada na alimentao e no que fazia.
O beb, portanto, no recebeu o que se poderia chamar de
um insumo qumico equilibrado. Talvez carea de certos
elementos qumicos e o desenvolvimento de certas
glndulas pode ter sido interrompido. Digamos que o beb ia
nascer menina, mas que, devido  falta de certos elementos
qumicos, nasceu menino, um menino com inclinaes
femininas.
Os pais vem que ganharam um pobre-diabo efeminado e
atribuem talvez a situao a mimos demais ou a qualquer
outra coisa. Podero tentar instalar-lhe algum bom-senso 
custa de pancadas, pretendendo, de uma maneira ou de
outra, torn-lo mais masculino. Mas no funciona. Se as
glndulas no so o que deveriam ser, no importa que tipo
de projees ele tem na frente. Ser ainda uma menina em
corpo de menino.
Na puberdade, o menino talvez no se desenvolva
satisfatoriamente ou  possvel que o faa apenas no que
toca  aparncia exterior. Na escola, pode parecer um
daqueles amunhecados, mas o pobre no pode evitar isso.
Ao chegar a adolescncia, descobre que "no pode fazer as
coisas que se fazem naturalmente" e, em vez disso, corre
atrs dos rapazes  homens. Claro que o faz porque todos
seus desejos so femininos. A psique  feminina, muito
embora devido a um infeliz conjunto de circunstncias a
fmea tenha recebido equipamento masculino. No lhe ser
ele de muito uso, embora ainda continue no lugar!
O macho transforma-se no que costumava ser chamado de
"pederasta" e revela tendncias homossexuais. Quanto mais
feminina a psique, mais fortes as tendncias homossexuais.
Se a mulher tem psique masculina, no sentir interesse
pelos homens e sim pelo seu prprio sexo, porquanto a
psique, que se situa mais prxima do Eu Superior do que o
corpo fsico, envia mensagens confusas a este ltimo, que
responde com certo tipo de comando: "Ande. Faa o que
tem a fazer." A miservel psique masculina fica obviamente
enojada com a idia de "fazer o que tem a fazer" com um
homem.  Desta forma, todo o interesse  concentrado numa
fmea. Vemos ento o espetculo de uma fmea fazendo
amor com outra, o que chamamos de lesbianismo porque,
numa ilha da Grcia, aquilo costumava ser o "que se fazia".
 inteiramente intil condenar os homossexuais. No so
criminosos. Em vez disso, deveriam ser classificados como
doentes, pessoas afligidas por problemas glandulares. E se a
medicina e os mdicos tivessem a cabea no lugar, fariam
algo a respeito da deficincia glandular.
Se uma lsbica (mulher) ou um homossexual (homem)
conseguem encontrar um mdico compreensivo, ele poder
lhes administrar extratos glandulares que, sem dvida,
melhoraro a condio dos mesmos e lhes tornaro a vida
suportvel. Por infelicidade, hoje em dia, com o tipo comum
de mdico que parece preocupado apenas em ganhar
dinheiro, precisa-se procurar muito para descobrir um que
valha a pena.  intil, porm, condenar o homossexual. No
 culpa dele ou dela. So pessoas muito infelizes, porque
confusas, no sabem o que lhes aconteceu, percebem que
so objeto de zombaria e no podem controlar o que ,
afinal de contas, o impulso mais forte conhecido do homem
ou da mulher  o da reproduo.
Os alienistas, conhecidos tambm como psiclogos, tam-
pouco so muito teis porque levam anos para fazer o que
uma pessoa comum faria em dias. Se for explicado sem
meias palavras ao homossexual que tem desequilbrio
glandular, ele pode habitualmente adaptar-se. De qualquer
modo, as leis esto sendo emendadas para levar em conta
esses casos, em vez de submet-los a uma feroz perseguio
e penas de priso pelo que , na verdade, uma doena.
So vrias as maneiras de ajud-los. A primeira, quando uma
pessoa muito compreensiva e muito mais velha, que sinta
profunda pena do sofredor, lhe explica exatamente o que
aconteceu. A segunda, igual  primeira, com o acrscimo de
que a vtima deve receber algum medicamento que suprima
o impulso sexual, a fome sexual. A terceira, bem, mais uma
vez  preciso explicar as coisas, e um mdico pode ministrar
injees de hormnios ou testosterona, que, sem dvida
alguma, podem ajudar o corpo na questo do ajustamento
sexual.
O que  de importncia vital  que no se condene nunca o
homossexual. No  culpa dele, que est pagando por algo
que no fez, por uma falha da natureza. Talvez a me tenha
ingerido o tipo desaconselhvel de alimento, talvez me e
filho fossem quimicamente incompatveis. No obstante,
qualquer que seja o ngulo por onde se examine a questo,
os homossexuais podem ser ajudados apenas pela verdade,
compreenso e simpatia e, tudo indica, pela ministrao
judiciosa de certos medicamentos.
Tenho aqui uma pergunta a que j respondi, mas talvez seja
melhor respond-la novamente: "Como  que surgiu a
concepo errnea de que os ocultistas no podem cobrar
pelos servios que prestam?"
No  difcil encontrar a resposta. No Extremo Oriente as
pessoas so desesperadamente pobres, no possuem televi-
ses, automveis, avies particulares e casas de dois andares.
s vezes, conseguem apenas alimentos e algumas roupas.
Ocasionalmente, so encontradas ali pessoas que no viram
dinheiro nem uma nica vez em suas vidas. Fazem compras
pelo sistema de escambo, trocam produo, ovos, por
exemplo, ou mesmo trabalho, pelas coisas que querem.
Assim, se querem os servios de um ocultista, no pensam
em dar-lhe dinheiro, que no possuem. Em vez disso,
fornecem-lhe alimentos, cereais, por exemplo, ou frutas e,
se no podem dispor deles, trabalham para o ocultista,
consertam-lhe o manto e fazem-lhe uma nova escudela. Se
o ocultista tem casa, o campons a limpa. Talvez seja uma
caverna na encosta de uma colina e, neste caso, a pessoa que
lhe usou os servios limp-la- tantas vezes, varrer a palha
velha e cobrir o cho com palha nova. Ir cortar madeira
para o fogo e far outros servios.
Apesar disso,  ainda pagamento, certo? Se fornece ali-
mentos ou trabalho, ainda paga. Mas, na verdade, a
advertncia contra o pagamento constitui assunto
inteiramente diferente, pois visa aos ocidentais
inescrupulosos que anunciam servios que no podem, na
verdade, realizar, e que cobram preos exorbitantes. Alguns
dos anncios que ali so fantsticos demais para serem
acreditados. Acho extremamente hilariante o indivduo
arrumar uma pasta de documentos, e talvez uma valise, e
correr s pressas at o astral para ler o Registro Akshico de
uma pessoa, e isto sempre por alto preo. Tais coisas so
impossveis, absolutamente impossveis, porque est em
vigor uma lei oculta muito rigorosa que diz que pessoa
alguma pode ler o Registro Akshico de outra que ainda
esteja viva. Se vocs querem saber o que aconteceu h
quinhentos anos, o assunto  diferente. Trata-se de Histria.
E pode-se consultar o Registro Akshico da mesma forma
que se vai  filmoteca e pede-se para projetar um filme
histrico. Mas da mesma forma que numerosas coisas so
secretas hoje, quando no se podem divulgar a velocidade de
certo avio ou a rapidez com que se desloca um obus,
tampouco se pode ler ou discutir o Registro Akshico de
uma pessoa viva. Afinal de contas, o Mundo Espiritual no
existe apenas para benefcio desses anunciantes sabiches.
Pensem nisso quando lerem alguns desses anncios e soltem
uma gargalhada comigo, certo?

CAPTULO     7

FAA MAL AO PRXIMO E FAR MAL A SI
MESMO

O dia foi muito agradvel, com um claro cu azul e
temperatura mais quente do que nas ltimas semanas.
Houve sinais de que o inverno terminou e que a primavera
est realmente pensando em espiar pela folhinha e trazer
calor, sol e nova vida aos exaustos e abatidos pelos frgidos
invernos do Canad.
Nos vales, a neve  ainda profunda e assim permanecer
durante algumas semanas, embora, em terreno mais alto,
exposto aos raios clidos do sol, a neve j derreta
rapidamente e desa em regatos que correm impetuosos para
engrossar as guas do rio Saint John.
Muitas aves passaram num sinal de que a primavera est
chegando, voltando para os velhos ninhos. Um bando de
patos passou logo depois de terem as enormes gaivotas de
dorso preto descido, vindas do mar, para pousar no teto,
olhar em volta e soltar granidos roucos.
A noite esfriou e sentimos uma sugesto de neve no ar.
Inesperadamente, ouvimos o tamborilar de granizo nas
janelas, atingindo o terrao e saltando. Em poucos
momentos a rua ficou coberta com um verniz gelado.
O Ancio pensava: "Oh, pobre Sr. Robichaud. Ter
novamente muito trabalho pela manh!" Durante o dia, o Sr.
Robichaud estivera muito ocupado varrendo poas de neve
derretida, tirando o cascalho lanado na rua, e que
transbordou para a calada, por caminhes da Prefeitura,
numa tentativa de prover poder de trao aos veculos. O
granizo viera, porm.
enchendo de mais cascalho a parte fronteira do edifcio e
criando mais trabalho para um homem j por demais
explorado.
A noite passou rpida e as luzes da cidade foram apagadas
uma a uma. No hospital, permaneciam sempre acesas,
sempre prontas para as emergncias, em estado de alerta
constante.
O Ancio voltou a cabea e olhou pela janela para o terrao.
No porto, ainda havia atividade. O navio russo que carregava
cereais para a Unio Sovitica continuava feericamente
iluminado. Ouvia-se o estrugir de maquinaria e o silvo de
vapor a alta presso.
Bem perto ouviu-se um rudo horrvel quando mais uma das
locomotivas da Canadian National passou trovejando pelos
trilhos, apitando na passagem de nvel como se o mundo
tivesse enlouquecido. "Acho que ningum disse ao
maquinista que h luzes de sinalizao nos cruzamentos",
pensou o Ancio, pois parece loucura que, no Canad, as
locomotivas circulem ao acompanhamento constante de
apitos e badalar de sino. Lembram uma turma de crianas
muito pequenas brincando numa grande algazarra. O
Canad, ainda mais do que os Estados Unidos, deveria ser
conhecido como a Terra do Rudo e da Agitao.
O Ancio estendeu os olhos mais uma vez, alm da passa-
gem de nvel e do comboio interminvel de vages de
cargas que obstruam a estrada. Os rebocadores do porto
aproximaram-se de um navio liberiano que acabara de
descarregar sete mil toneladas de minrio de nquel.
Anteriormente, o navio fora detido por falta de pagamento
de direitos nos Estados Unidos. Sara de um porto da Costa
do Pacfico, aparentemente sem a pequena formalidade de
pagar as taxas de atracao. O telefone, porm,  muito mais
rpido do que o navio, e mensagens correram cleres da
Costa do Pacfico dos Estados Unidos para a costa leste do
Canad. Cedo naquele dia, policiais subiram a bordo e
entregaram um mandado de priso ao comandante.
Trabalhou-se freneticamente e foi paga uma fiana. O navio
podia agora sair e os rebocadores aproximavam-se para
reboc-lo de popa, lev-lo de costas para as guas mais
profundas do canal, onde, com a proa na direo certa,
possivelmente partiria para a Austrlia.
O piloto j estava a bordo. A sua lancha j se dirigia para
alm das bias, onde esperaria o navio, que reduziria a mar-
cha, permitindo que ele desembarcasse. O navio ficaria
ento livre para navegar por meios prprios.
O navio saiu em silncio, sem apito, sem rudo de ferragens,
nenhum silvo de vapor, e deslizou para longe como se
envergonhado de ter sido detido por perfdia e m-f da
humanidade, a humanidade exemplificada por aqueles que
deveriam ter pago as contas devidas por servios prestados.
Em toda a cidade, pessoas adormecidas deixavam os corpos
fsicos e subiam para os mundos astrais, com os Cordes de
Prata esticados como linhas de seda, auto-iluminados,
brilhantes, contorcendo-se e sacudindo-se.
O Ancio sorriu ao ouvir num dos quartos os roncos macios
de Buttercup. "Ela nunca acreditaria no que est fazendo!"
pensou o ancio. Subitamente, a forma astral dela apareceu
atravs da parede e disparou para longe, diretamente para
cima, na direo dos Estados Unidos. Com o corpo astral
fora do fsico, aumentaram os roncos.
Em outro quarto, Ra'ab roncava tambm. Partira antes para a
Terra dos Gatos Astrais, onde seria recebida por algumas
pequenas gentes realmente carinhosas, a Srta. Ku'ei, a Sra.
Fifi Greuwhiskers, a Srta. Cindy, Long Tom, Lord Furhead, e
outros. Ra'ab sabia que ia para a Terra dos Gatos Astrais, mas
provavelmente no sabia como podiam ser estertreos os
seus roncos!
A pequena gata Clepatra dormia ao lado de Ra'ab. Ela
tambm fora para a Terra dos Gatos Astrais, A gorda gata
Taddykins, porm, estava de servio, e assim ficaria at 4 da
manh. Descansava na prateleira imediatamente em cima do
radiador, onde era envolvida pelo calor do ar suavemente
aquecido que subia. Uma pata.pendia enquanto a outra lhe
sustentava o queixo. As ancas apontavam para um lado e a
parte anterior para outro, numa posio que somente um
gato pode adotar.
Muito longe, na baa de Fundy, um barco de pesca acendeu
os faris subitamente. O feixe hesitou durante um momento,
tenteando em volta, e com igual rapidez foi apagado e no se
viram mais traos do pequeno barco. Apesar disso, em toda
baa os barcos haviam lanado linhas e redes, esperando
fisgar peixes que no estivessem contaminados pelo
mercrio da gua que corre dos Estados Unidos, lanado por
uma grande indstria que descarrega grande volume de
eflvios venenosos nas correntes que passam pelos seus
limites. E havia ainda uma nova fonte de venenos, porque
um petroleiro partira-se ao meio e afundara ao largo da costa
da Nova Esccia. Petrleo, peixes e aves envenenadas
estavam sendo lanados sem cessar nas praias pelas ondas.
Os pescadores de Nova Brunswick trabalhavam, por isso
mesmo, bastante sombrios, sabendo que estava em jogo seu
meio de vida, por causa da maneira criminosa como o
homem polui as fontes da natureza.
Algumas nuvens corriam pelos cus e parecia que se for-
mava uma forte ventania. As trs bandeiras no alto da colina
distante flutuavam loucamente, enquanto as adrias batiam
nos mastros como se em unssono com as bandeiras.
Sobre a colina, alm de Mispec, a lua cheia subiu com
inesperada e espantosa rapidez diretamente para um espao
aberto de cu, lanando um plido brilho sobre a paisagem,
amortecendo as luzes das ruas e da nova ponte sobre o rio
Saint John. E quando subiu, o feixe de luz prateada correu
tremendo de Mispec at o porto, tocando com dedos
brilhantes um barco de pesca aqui, iluminando uma bia ali,
prateando um trecho de terra e se desfazendo em ondas ao
tocar na esteira deixada por um veloz rebocador.
O Ancio voltou-se subitamente, e uma aguda, dilacerante e
cortante dor lanceou-lhe as entranhas, uma dor que o
deixou sem flego, quase vomitando de agonia sbita. A dor,
companheira constante havia muito tempo, tornava-se cada
vez mais freqente e mais intensa, uma dor que, com dedos
inexorveis, apontava para a folhinha, mostrando que
progredia a jornada pela vida e indicando quando ela
terminaria.
Na prateleira sobre o radiador, a gorda gata Taddykins
levantou-se, fitou atentamente o Ancio, murmurou alguma
coisa para si mesma e saiu a trote para o quarto onde Ra'ab
dormia ainda. Logo depois, o Cordo de Prata que ligava o
astral e o fsico de Ra'ab comeou a enrolar-se, com rapidez
cada vez maior at que voltou tambm o corpo astral.
Segundos depois, Ra'ab entrou para perguntar o que podia
fazer pelo Ancio? Mas o que poderia ela fazer? O Ancio
estava em estado de espanto permanente desde que recebera
"tratamento mdico" no Canad. Na sua ignorncia, pensara
que o primeiro dever do mdico era aliviar o sofrimento.
Fora o que aprendera. ' Ensinaram-lhe que, em primeiro
lugar, alivia-se o sofrimento e, em seguida, tenta-se curar o
que o provocou.
Mas agora via o outro lado da estria, no como mdico, mas
como doente.
Sofria muito, e ele e Ra'ab haviam pedido aos mdicos
alguns comprimidos para aliviar a dor. Ou qualquer outra
coisa. Inicialmente, haviam respondido: "No, no os
podemos dar ainda. Poderia disfarar os sintomas." Mas,
enquanto isso, o Ancio sofria, sentia ainda dor e fora levado
ao hospital como caso de extrema gravidade. Uma
enfermeira bondosa no primeiro hospital fizera o que os
mdicos no pareciam capazes, de fazer.
Ocorreu, ento, a segunda crise e foi levado ao segundo
hospital, onde recebeu o veredicto de que coisa alguma
podia ser feita. Sabendo que coisa alguma podia ser feita para
cur-lo, o Ancio, Ra'ab e Buttercup simplesmente no
conseguiram compreender por que coisa alguma no se
poderia fazer tambm para aliviar o sofrimento, diminuir a
dor, dar descanso. Pois, repetindo a pergunta, no  o
primeiro dever do mdico aliviar o sofrimento? E se no
pode curar a causa, pode decerto dar alvio enquanto h
vida.
Ra'ab olhou em volta sem saber o que fazer. O que poderia
ela fazer? Nada havia, no possua drogas, nada. Mais uma
vez, sentou-se simplesmente, ficou a olh-lo e coisa alguma
lhe pde dar, salvo compaixo e compreenso.
Logo depois, entrou Clepatra, fazendo o equivalente felino
de uma cambalhota, na esperana de desviar a ateno, de
proporcionar algum ligeiro alvio. Clepatra e Taddkyns
ronronaram para mostrar que compreendiam que era
lancinante o sofrimento. Duas pequenas pessoas que, para o
homem comum, pareceriam apenas dois pequeninos
animais muito belos. Mas, para os que sabem, os dois
pequeninos so gente  parte, inteligentes, altamente
civilizados, de simpatia e compreenso totais.
O Ancio, deitado no leito de dor, perguntava-se ainda por
que a comunidade mdica local no ouvira falar em
analgsicos ou, se ouvira, por que os mdicos no os
usavam, por que no usavam tais mtodos para dar alvio a
algum que passava por um grande sofrimento?
O cu escureceu e a lua foi encoberta por nuvens pretas e
baixas. Um nevoeiro nasceu subitamente no mar distante,
correu para a terra, as primeiras gotas de chuva tamborilaram
nas vidraas das janelas e uma pancada de ar sacudiu o
edifcio. Logo em seguida, a tempestade caiu com toda a
fria, em uivos e guinchos do vento misturado com
torrentes de chuva e granizo. Caiu, removendo todas as
recordaes do dia agradvel, ocultando o porto num vu de
chuva. As luzes das ruas assumiram uma tonalidade
sobrenatural verde-azulada, enquanto as lmpadas de sdio
tentavam, em vo, penetrar no nevoeiro e na chuva
cortante.
A monotonia do tamborilar da chuva e os uivos do vento
em torno dos cantos do edifcio, empurrando janelas e
sacudindo portas, lembraram ao Ancio como as coisas
deviam estar em suas entranhas.
A noite parecia interminvel, cada minuto, uma hora, e cada
hora, um dia. Ra'ab, a pedido do Ancio, voltou para a cama.
Cleo permaneceu com ele durante algum tempo e voltou
tambm para a cama. Taddykins retornou ao posto em cima
da prateleira, onde ficaria at 4 horas da manh escura e
sombria. s 4 horas, a Srta. Clepatra voltou ao quarto e
saltou para o lado de Taddy. Esfregaram os narizes durante
um curto momento. Taddy desceu com um salto e deixou a
Srta. Clepatra quase na mesma posio que adotara.
Na rua, comeava o primeiro trfego do dia. Os trabalha-
dores matutinos iam para as docas. L embaixo, um homem
deu partida ao carro. Talvez fosse  doca seca ver como iam
as coisas. Um rebocador solitrio apitou ao longe e perdeu-se
na chuva e na escurido. No se via a luz do farol. A chuva
lhe tapava totalmente o feixe. Ao longe, ouviu-se o baixo
profundo triste de uma sirena de nevoeiro.
Arrastaram-se as horas. Por fim, uma fraca luz cinzenta
apareceu sobre as colinas de Mispec, uma luz mortia que
pouco fez para dissipar a escurido, pois mostrou apenas um
dia absolutamente desagradvel, encharcado. gua
borbulhando dos telhados, gua correndo pelas ruas e
pancadas sbitas que obliteravam a vista da ponte e do porto.
Mais horas transcorreram e mais pessoas comearam a
acordar. Ra'ab voltou, seguida logo depois de Buttercup.
Comeara outro dia.
O porto parecia quase vazio. Um cargueiro da Blue Star fazia
a volta no canal prestes a ganhar mar alto. Ele, tambm,
estava ansioso para deixar-nos. O navio russo continuava no
mesmo lugar, soltando uma plida coluna de fumaa pela
chamin. No cais de manuteno, homens subiam nos
barcos de casco vermelho que saam para levar suprimentos
aos faroleiros e inspecionar as bias luminosas e as sonoras.
No meio do porto, um rebocador solitrio permanecia
imvel e uma figura na popa parecia puxar uma linha de
pesca. Talvez os tripulantes estivessem tentando pescar o
caf da manh!
A correspondncia inevitvel, incessante, chegou em cas-
cata. Naquele dia, com o Ancio se sentindo como algo que
o gato traz para casa. Chegaram setenta e oito cartas, quase
todas de pessoas que queriam algo e a maioria sem exibir a
cortesia elementar de ajuntar o selo de resposta.
Uma mulher escrevia impetuosamente: "Oh, Dr. Rampa,
ouvi dizer que o senhor vai morrer e pensei em pedir sua
ajuda antes que seja tarde demais. O senhor far isso por
mim? Precisa faz-lo antes de morrer."
Pessoas escreviam, interminavelmente, e o Ancio fazia o
que lhe era possvel para responder s perguntas razoveis.
Buttercup trabalhava muito, e com exatido, datilografando
as cartas, o que o Ancio no podia mais fazer. Mas no lhe
davam descanso. Muitos deles, to logo recebiam uma
resposta, enviavam uma srie inteira de novas perguntas,
"antes que seja tarde demais".
Uma "senhora" de Toronto enviou sete cartas na mesma
mala postal. Aparentemente, escreveu uma carta de vrias
laudas, e quando a terminou e a pos no correio, lembrou-se
de outras coisas que queria saber e continuou at enviar as
sete.
O Ancio teve numerosas e estranhas experincias com a
correspondncia. Uma senhora de Ontrio escreveu cartas
realmente inflamadas e conseguiu, de alguma forma, o
endereo do Ancio. Entrou em contato com a Polcia e
disse que havia necessidade urgente de comunicar-se com o
Dr. Rampa. Era uma questo de vida ou morte. A nossa
bem-humorada e bem intencionada Polcia local enviou um
carro de patrulha  casa do Ancio, que agonizava, com uma
ordem muito severa: "O senhor deve telefonar
imediatamente para este nmero. Trata-se de uma questo
de vida ou morte." A mesma mulher enviava cartas
expressas, telegramas, tudo, enfim. Por fim, o Ancio no
pde mais suportar. O "por fim" foi ocasionado por uma
carta dizendo que a menos que ele se tornasse seu "amigo",
ela cometeria suicdio. E juntou trs pginas repetindo a
mesma coisa: morreria, morreria, morreria. O Ancio no
suportou mais e chamou a Polcia do distrito onde ela
morava. A Polcia foi procur-la e perguntar que estria era
essa de cartas de natureza "amatria". Agora, pelo menos,
daquela origem h paz. Mas se sabe, embora, que o pobre
infeliz policial que a visitou voltou  delegacia
consideravelmente abalado com a experincia.
Certa noite, quando morava em Habitat, o Ancio jazia na
cama gravemente enfermo. Mais ou menos por volta de
meia-noite ouviu uma trovejante batida na porta. Ra'ab
correu do quarto. O Ancio conseguiu sair da cama, sentar-
se na cadeira de rodas e agarrar alguma coisa na
eventualidade de que o intruso fosse perigoso.  porta,
surgiram dois policiais franco-canadenses, que, em ingls
decididamente claudicante, exigiram falar com o Dr. Rampa.
Um dos policiais era da Delegacia de Fraudes, o outro, o
motorista. Indagaram todos os tipos de coisas. Perguntas de
todos os tipos tiveram de ser respondidas, e isto  meia-
noite. Por fim, o Ancio quis saber o motivo de tudo aquilo,
por que faziam tantas perguntas. Os dois policiais se
entreolharam e um deles foi ao telefone. Numa algaravia
franco-canadense conversaram com o Superintendente.
Depois de terem posto o telefone no gancho, as maneiras
dos dois muraram por completo. Contaram que um homem
num dos Estados do Meio Oeste dos EUA havia telefonado
para a Central de Polcia de Montreal dizendo encontrar-se
numa situao de grave emergncia, e que, por favor,
poderia a Polcia entrar em contato com o Dr. Rampa,
endereo desconhecido, e mand-lo chamar certo nmero
naquele Estado?
Ao transmitir-se a mensagem  radiopatrulha, a informao
chegou algo mutilada, e porque um homem da Delegacia de
Fraudes a recebeu, pensou que teria que visitar o Ancio
sobre uma questo qualquer de mistificao, e agiu nessa
conformidade. Por fim, as coisas foram explicadas e os
policiais saram. As desculpas chegaram um pouco tarde,
muito depois de meia-noite, aps terem despertado e
perturbado um homem muito doente.
Coisa idntica aconteceu, quando, em outra ocasio, o An-
cio morou antes em Saint John. A Polcia recebeu um
telefonema de alguma velha biruta de Montreal. Disse ela
que se tratava de questo de vida ou morte. A Polcia
apareceu como um ativo esquilo, pensando que ia salvar
uma vida. Foi dado um telefonema e a estpida mulher
queria simplesmente que o Ancio dissesse ao marido que
ela no devia ter relaes sexuais com ele! Incidentalmente,
embora o caso acarretasse despesas considerveis, nem a
mulher nem o mando fizeram a menor tentativa de
reembols-lo. Isso  o que habitualmente acontece. Algumas
pessoas pensam simplesmente que o Ancio  feito de ouro
e que est morrendo de vontade de correr para ajud-los, e
remuner-los pelo prazer.
H muito pouco tempo, um homem escreveu-lhe da sia.
Disse que queria servir  humanidade e, como julgava que ia
ser mdico, ordenava ao Ancio que lhe enviasse
imediatamente dinheiro para custear uma viagem area de
primeira classe at o Canad. Disse ainda ele (o Ancio)
deveria sentir-se honrado em oferecer casa e penso e pagar
todas as despesas do futuro mdico. Terminou, dizendo:
"Jamais poderei reembols-lo, mas, pelo menos, o senhor
saber que estou fazendo o bem ao prximo."
Outro caso em Habitat ocorreu quando chegou um homem,
tarde da noite, com bagagem e tudo. Chegou-se  porta e
simplesmente bateu, bateu, at que foi atendido. Viera da
ndia. E disse: "Vim morar com o senhor, como seu filho.
Cozinharei para o senhor." E tentou forar a entrada... com
bagagem e tudo.
O Ancio cismava sobre essas coisas, sobre os humanos que
lhe escreviam, sobre a mulher que lhe enviou uma epstola
dizendo que o livro que escrevera tora concludo, o livro
que ele lhe ditara telepaticamente. Agora queria uma carta
dizendo que o recomendava para publicao e que os
direitos autorais deviam ser pagos a ela.
Um livro extremamente divertido poderia ser escrito sobre
algumas dessas cartas notveis. Mas, para dizer a verdade, o
Ancio, no pouco tempo que lhe resta, est muito mais
interessado em responder a perguntas, que, espera, ajudem a
outras pessoas. Muitas perguntas so bastante sensatas, como
esta:
"Por que  que nunca nos lembramos das misses que
supostamente devemos cumprir aqui na Terra? Por que
temos de continuar cegamente, sem nada saber do que
fazemos? Pode responder isso?"
Claro, e certamente nada h de especialmente notvel a esse
respeito. Se as pessoas soubessem por antecipao o que
tinham de fazer, elas se concentrariam exclusivamente nisso
e, dessa maneira, ganhariam apenas conhecimentos ou
experincias unilaterais.
Amide me dizem que eu comparo a vida na Terra a uma
escola. Claro que comparo, pois  uma escola, uma escola
para seres humanos. E, voltando  nossa explicao escolar,
pensem nisto: vocs estudam, mas m que passar nos
exames.
Tm que submeter-se a um teste. Sim, um exame que
revelar o quanto vocs sabem. Entram na sala da banca sem
saber que perguntas sero feitas. Se as conhecessem antes,
no seria absolutamente um exame, porque vocs
enrolariam apenas algumas frases sobre pouqussimos
assuntos e, evidentemente, seriam aprovados sem
dificuldade. Mas nada saberiam.
Na escola o indivduo  obrigado a versar um amplo campo
de conhecimentos e, para haver certeza de que aprendeu
adequadamente tudo isso, os exames so marcados para uma
data futura. Os alunos sabem que vai haver exame, mas,
claro, no as perguntas exatas. Por isso mesmo, tero que
estudar toda a matria que ser abrangida pelo exame e no
se especializar em apenas uma ou duas.
Suponhamos que um cirurgio, ou melhor, um futuro
cirurgio, est fazendo exames mas se descuidou nos
estudos, supondo-se que algum lhe contou a natureza exata
das perguntas. Se ele fosse inescrupuloso e sem princpios,
concentrar-se-ia apenas nessas questes e, naturalmente,
passaria "cum laude".
Mas, quem sabe, o leitor poderia ser seu primeiro doente.
Suponhamos que fosse submetido a uma operao renal e
tudo que ele soubesse fazer era tirar um apndice. Voc se
sentiria feliz?
Voc se sentiria satisfeito em ter negcios ou voar com um
piloto que, conhecendo as respostas s perguntas que lhe
seriam feitas no exame, e nada mais sabendo, conseguisse o
emprego? Claro que no.
Vocs so mantidos na ignorncia de sua tarefa nesta vida
para que faam o mximo (ou, pelo menos, h esperana de
que o faam!) cm todas as esferas. Talvez sua tarefa seja ser
bondoso com os gatos. Se vocs soubessem o que teriam que
fazer, poderiam ser muito bondosos, abjetamente bondosos,
de fato, mas poderiam ficar to absorvidos no tema que,
talvez, inadvertidamente, causassem sofrimento a ces ou
cavalos, negligenciando-os completa e totalmente. No, Sra.
Interpeladora,  providencial que os humanos no saibam o
que vm fazer na Terra. Se soubessem, o conhecimento os
tornaria desequilibrados e unilaterais.
Mas no fiquem com a idia de que todos aqueles que me
escrevem so imbecis ou birutas, pois incorreriam em grave
erro. Tive oportunidade de travar conhecimento com
algumas pessoas excelentes. Valeria Sorock foi uma delas.
Foi a primeira a cumprimentar-nos quando chegamos da
Irlanda, pois j ramos sinceros amigos, e Valeria Sorock
possui uma virtude absolutamente maravilhosa: pode-se ter
completa e total confiana nela. Eu no gosto de circular
muito e se h alguma coisa de que eu necessite e, claro, 
sempre alguma coisa extremamente difcil de obter, Valeria
Sorock  a pessoa para localiz-la. Vivemos muito longe um
do outro fisicamente, mas muito prximos espiritualmente.
Permitam-me aqui saudar Valeria Sorock pela sua fidelidade
invarivel e pelo imenso esforo que despende para fazer o
bem. No  uma mulher rica por qualquer critrio e, de fato,
 obrigada a trabalhar muito e andar quilmetros para ganhar
o que , na realidade, uma ninharia, mas, ainda assim,
Valeria Sorock pode sempre dispor do tempo para fazer o
que se queira, e ajudar. Assim  Valeria  meus
agradecimentos a voc e minha imorredoura amizade pelo
carinho que sempre me testemunhou.
Existem numerosas pessoas definitivamente acima da mdia,
claramente muito acima, e  triste que elas, a maioria das
vezes, no sejam absolutamente dotadas dos bens deste
mundo. Quase sempre so to decentes e modestas que,
inegavelmente, subestimam a prpria capacidade. Estou
pensando agora em duas pessoas muito brilhantes, o Sr. e a
Sra. Czermak. Esto tendo dificuldades porque, na minha
opinio, eles no sabem "vender-se".
O Sr. Czermak  um homem que todas as pessoas teriam
orgulho em conhecer, da melhor qualidade, com um
crebro de primeira classe, e que se destaca numa coisa que
sempre me derrotou  nmeros! Nmeros complicados e
no o tipo que conhecemos, embora eu no tenha dvida de
que o Sr. Czermak poderia possivelmente brilhar em
qualquer terreno.
E temos tambm a Sra. Czermak, uma pessoa realmente
talentosa. Ela possui a mais extraordinria capacidade
artstica. A cermica, a fotografia, qualquer coisa no campo
artstico parece brincadeira de criana para ela. Ela aplica os
freios ao prprio progresso por querer ser perfeccionista
demais. No se pode ter perfeio neste mundo e, se nos
esforamos demais para alcanar a perfeio absoluta,
desperdiamos tempo demais no inatingvel.
Logo em seguida trataremos de duas perguntas, a primeira
enviada pelo Sr. Czermak e a segunda pela Sra. Czermak.
Sim, escrevem-me sobre todos os tipos de estranhos
problemas. A carta mais longa que recebi foi escrita numa
folha de papel de 23 centmetros de largura por 4 metros de
comprimento. Era uma nica folha e datilografada em
espao um. Foi, como disse, a carta mais longa que j recebi.
O que  que vocs fariam com ela? Fiz o mesmo!
E, naturalmente, h John Henderson. Conheci-o aps uma
ou outra carta que ele me escreveu. John Henderson  um
indivduo muito decente, muito capaz, e "vai vencer na
vida". Tenho a esperana de que, mais tarde, possa abrir as
asas espirituais e escrever um ou dois livros, fundar o Retiro
Espiritual e fazer o que quer que as pessoas do Outro Lado
sugiram.
Sim, fiz excelentes conhecimentos. Algumas pessoas que me
escrevem no tm o menor conhecimento de metafsica,
mas o que importa se o indivduo est interessado no
assunto ou no? De fato, talvez fosse uma boa idia
responder  pergunta do Sr. Hanns Czermak. Diz ele:
"Sim, tenho uma pergunta, Dr. Rampa. Qual  a coisa mais
importante que uma pessoa deve ou pode fazer para
desenvolver qualquer latente capacidade oculta que possua?
Pergunto-lhe isto porque, aparentemente, tenho dificuldade
em comear as coisas que o senhor descreve to claramente
em seus livros. Obviamente, estou fazendo alguma coisa
errada e me pergunto se no h uma maneira de preparar
minha mente e corpo?
Na verdade, no importa realmente se voc faz
conscientemente ou no viagens astrais porque todo mundo
as faz ao dormir. Mas se voc encontra dificuldade em fazer
alguma coisa, est certo de que, realmente, quer faz-la?
Tem certeza de que no existe algum obstculo criado,
digamos, pelas dificuldades de sua vida passada?
Suponhamos que uma pessoa  oh, no voc, claro! 
tenha sido uma feiticeira na vida pregressa. Suponhamos que
tenha sido queimada no pelourinho ou liquidada de alguma
maneira igualmente interessante. Se voltasse a esta vida com
certo interesse pelo ocultismo, ela poderia ter certo medo
instintivo de que, se comeasse novamente, terminaria no
pelourinho ou na ponta de uma corda. Neste caso, o
subconsciente aplicaria os freios e ela no faria progresso
algum.
O nico caminho que o indivduo pode tomar, se encontra
grande dificuldade em iniciar trabalho de ocultismo,  o
seguinte:
Medite sobre o problema. Voc real e sinceramente deseja
fazer viagens astrais, desenvolver a clarividncia, ler cartas
ou fazer alguma coisa nesse campo?
Se deseja, se responder "sim", pergunte-se por que quer
faz-lo.  preciso esclarecer inicialmente todos esses
problemas.
A coisa seguinte a perguntar-se : receia sair do corpo e no
poder voltar, sente medo de que algumas entidades estra-
nhas o ataquem se deixar o corpo? Em caso afirmativo, lem-
bre-se de que mal algum lhe pode acontecer se no tiver
medo.
Se tem certeza de que quer realmente efetuar trabalho
oculto, a melhor coisa a fazer  dedicar certa ocasio do dia,
mesmo uma meia hora,  noite, para pensar no caso. E a me-
lhor maneira  imaginar com canta f quanto possvel que
vai fazer o que quer, porque, quando conseguir convencer o
subconsciente de que quer ir ao astral, ele, metaforicamente,
abrir a porteira e lhe dar liberdade. Pense no
subconsciente como uma espcie de idiota, um idiota de alto
calibre, se quiser, que obedece literalmente s ordens. E se
em alguma ocasio no passado voc lhe disse, "Hei! Pelo
amor de Deus no me deixe sair do corpo!", o subconsciente
obedecer a essa ordem at que voc possa submeter essa
mente unilateral e substituir uma ordem revogada por outra.
Mas lembre-se de que, se pensa que no est fazendo
progresso, estar, definitivamente, enquanto estiver
consciente do assunto. E meu mais veemente conselho 
que, se enfrentar obstculos ou experimentar dificuldades,
simplesmente no se preocupe e espere at que as coisas se
acomodem.
Quando eu estudava o alfabeto morse h muitos anos,
avisaram-me para acautelar-me com a "corcova". Bem, essa
misteriosa "corcova" no me aborreceu at que alcancei a
velocidade de vinte e trs palavras por minuto. Da em
diante, por mais que tentasse, mais horas treinasse, no
podia galgar a tal "corcova". Esta revelou-se uma montanha
no meu progresso para aumento da velocidade de
transmisso e recepo.
Certo dia, pronunciei fervorosamente certas palavras
impublicveis, que equivaliam mais ou menos ao seguinte:
"Bem, se eu no posso ir mais ligeiro, ento, simplesmente,
no posso." Mais tarde, no mesmo dia, sentei-me em frente
 velha tecla morse e descobri que podia trabalhar muito
mais rapidamente. De fato, podia transmitir quase trinta
palavras por minuto. Eu havia transposto a "corcova".
Estivera-me esforando demais. O senhor est tambm
fazendo o mesmo. Se encontrar um obstculo, no o ataque
como se fosse um trator, acalme-se, pense no problema, e
descobrir que o caminho da menor resistncia o levar
sobre a corcova. E ficar surpreso com a facilidade.
Bem, acho que no interesse da harmonia domstica devo
responder  pergunta da Sra. Czermak no mesmo captulo
em que respondi  do marido. De outra maneira, poderia ser
acusado de separar marido e mulher e coisas assim.
Vejamos o que escreve a Sra. Czermak. "Uma pergunta:
quando for tarde demais para apresent-las sei que terei um
sem-nmero delas. No momento, porm, existe apenas um
nico problema que ainda me aflige muito e talvez outras
pessoas tambm aproveitem, se o senhor tiver a bondade de
dizer algumas palavras sobre o tpico.  a questo do tempo,
ou melhor, a carncia de tempo. H apenas um nmero
certo de horas no dia e elas simplesmente no so
suficientes para permitir que eu faa tudo o que quero. Eu,
por certo, no evito trabalho, mas o que  mais frustrador 
que no apenas no h tempo suficiente para todas as coisas
mais ou menos mundanas que quero fazer, mas nunca
parece sobrar o suficiente para as coisas espirituais que quero
aprender. Quando se trata de meditao, parece que eu no
tenho energia suficiente para levantar-me mais cedo nos
sbados ou domingos, em vez de dormir uma hora a mais. E
quando se trata de viagem astral, parece que adormeo logo
que toco com a cabea no travesseiro."
As empresas comerciais, fbricas e escritrios muito grandes
enfrentam o mesmo problema.  por isso que chamam os
especialistas que se intitulam de "Peritos em Tempo e
Movimento". Todo mundo dispe de trs ou quatro vezes
mais tempo do que pensa, mas habitualmente o desperdia
da mesma maneira que se desperdia gua. E agora h
carncia de gua potvel em todo o mundo.
Os peritos em tempo e movimento estudam a maneira como
as pessoas trabalham. Por exemplo, se voc vai  cozinha
quantas coisas traz de cada vez? Traz uma ou duas quando
sabe perfeitamente que, imediatamente depois, ter que
voltar l para buscar duas ou trs outras. Se as pessoas
fizessem uma avaliao inteligente das coisas que tm a
fazer, teriam tempo suficiente para tudo.
A melhor maneira de agir  escrever numa folha de papel
todas as coisas que voc precisa fazer num determinado dia.
Ignore as coisas no realmente necessrias e planeje as
restantes para faz-las da maneira a mais rpida e no ser
obrigada a duas ou trs viagens quando uma nica seria
suficiente. Certas pessoas precisam ir s compras, correm at
a loja da esquina, compram uma coisa, voltam  cozinha e
descobrem que precisam de sal, acar ou alguma outra
coisa e l se vo de novo. Vivem correndo sem parar.
Outras talvez precisem botar cartas no correio e fazem uma
viagem especial com esse fim, quando, se esperassem um
pouco mais, poderiam post-las quando sassem para as
compras.
Pode-se dividir o dia exatamente como so divididas as aulas
na escola: tanto para a Geografia, tanto para a Histria, tanto
para a Aritmtica, tanto para recreio e tanto para as re-
feies. Se as pessoas realizassem o que tm a fazer de modo
sensato, teriam tempo mais do que suficiente.
No caso da Sra. Czermak, ela possui um marido altamente
inteligente que, gostosamente, a ajudaria a planejar o dia. E 
uma tarefa para a qual ele est bem talhado para empreender
com todo o xito.
Ento, a resposta  a seguinte: se as pessoas planejassem
devidamente as atividades e cumprissem o plano, haveria
tempo suficiente para tudo. Esta  a voz da Experincia
porque eu pratico o que prego  e com xito!

CAPTULO     8

SE VOC NO ESCALAR A MONTANHA, NO
PODER VER A PLANCIE

O Ancio, repousando na cama, olhava para a cidade, para
um novo edifcio em construo e para um hotel muito,
muito grande, o maior de toda a cidade.
A Srta. Cleo e a Srta. Taddy estavam muito ocupadas...
dormindo. Haviam tido uma noite muito agitada porque o
Ancio passara mal e, claro, so necessrias mesmo duas
gatas siamesas para arranjar as coisas quando o patro est
gravemente doente. Estavam, portanto, recuperando o sono,
movendo-se no sono como fazem as melhores pessoas,
contorcendo-se um pouco, mas felizes por estarem to
prximas. O Ancio pensava nelas com absoluto amor,
pensava nelas como pensaria nas prprias filhas, pois elas
eram entidades muito importantes em forma animal,
pequenas pessoas que haviam vindo  Terra cumprir uma
tarefa e que se desincumbiam de forma magnfica.
Nos seus quatro curtos anos de vida elas andaram muito,
viajaram bastante, e passaram por numerosas dificuldades,
dificuldades em grande parte ocasionadas pela incessante
perseguio da imprensa. O Ancio continuava deitado na
escurido, pensando em tudo isso, nas condies de
Montreal, e como haviam partido antes de terminado o
contrato.
Haviam combinado as coisas para morarem na cidade de
Saint John, mas, quando era tarde demais para mudar os
planos, a pessoa que ainda ocupava o apartamento no se
pde mudar e, assim, a Famlia no teve alternativa seno
ficar num caro hotel. O Admiral Beatty Hotel era um lar to
verdadeiro longe do lar quanto pode ser um hotel. Era e 
um hotel feliz, onde todo mundo est satisfeito com o
Gerente-Geral, um homem de muitos anos de experincia,
conhecedor de todos os problemas e, melhor ainda, que
sabe como resolv-los.
No hotel, um dos mensageiros, Brian, mostrou-se sempre
prestativo e extremamente corts. E, sendo amigo dos gatos,
caiu realmente pela Srta. Cleo e pela Srta. Taddy. As duas,
sendo namoradoras como a maioria das moas, realmente
incensavam-no, ronronavam para ele, esfregavam-se nele e,
como a maioria das garotas, fizeram-no pensar que ele era o
nico.
Elas fizeram outra amiga no hotel, a Sra. Catherine Mayes. O
Ancio tinha muitos problemas com a dieta, e o cardpio
dos hotis no  feito para doentes e pessoas que comem
apenas certos alimentos. A Sra. Catherine Mayes
abandonava seus afazeres em todas as ocasies para
certificar-se de que tudo estava correndo to bem como
devia. Agora que a Famlia estava num apartamento, a Sra.
Mayes ainda a visitava.
As luzes no porto, porm, tornavam-se mais e mais
numerosas. Navios entravam para descarregar no dia
seguinte. Dois navios russos, um da Libria, um da ndia, e
um de Chipre, todos atracados, todos carregados, muito
abaixo da linha dgua, balouando-se suavemente com a
mar.
A lancha do piloto afastava-se juntamente de um recm-
chegado com a lmpada de sinalizao piscando e
balanando. Logo depois, virou para a direita e entrou na
doca, onde os pilotos esperariam por outro navio.
L embaixo, na passagem de nvel, os infernais trens
apitavam e estrugiam, fazendo tal agitao que outra igual
levaria uma pessoa diretamente para a priso por perturbar o
sossego pblico. Apesar disso, esses imperdoveis operrios
ferrovirios pareciam pensar que tinham a prerrogativa e o
dever sagrado de arruinar a audio de toda a cidade. O
Ancio perguntou-se por que a Cmara dos Vereadores no
tirava os traseiros das cadeiras e votava aquela lei
longamente adiada, proibindo que os trens que cruzassem a
cidade usassem apitos.
O Ancio, porm, pensou que era intil permanecer olhan-
do indolentemente para fora, quando havia um livro a ser
escrito. Pensou que teria que fazer o que a Cmara dos
Vereadores deveria tambm, isto , tirar o traseiro da cadeira
e voltar ao trabalho.
Examinando as perguntas, uma das coisas que mais o
espantavam era o nmero de pessoas que pediam que lhes
contasse como  "a vida depois da morte e como  a morte".
Sinto profunda vergonha de voltar ao assunto, de que j
tratei tantas vezes. Tenho certa vergonha de dizer a Ra'ab
que estou escrevendo mais uma vez sobre a morte, mas fico
quase amedrontado quando penso no olhar vtreo de
Buttercup quando ela me disser que me estou repetindo.
Mas acontece que a Srta. Newman, talvez seja a Sra.
Newman, pergunta sobre a vida aps a morte, ao passo que
outra carta quer "uma explicao completa, mas
compreensvel, do chamado estado ps-morte". Folheando
as perguntas descubro um nmero crescente de pessoas que
fazem perguntas sobre esse assunto. Bem, parece que  uma
deciso contra mim, que tenho de dizer alguma coisa e se
voc, leitor, no quer ler sobre o assunto, folheie estas
pginas com os olhos fechados at encontrar uma parte que
lhe agrade.
Vejamos o que acontece no momento da morte.
Habitualmente, a pessoa encontra-se doente e, em
consequncia da enfermidade, parte do corpo, essencial 
continuao da vida na Terra, est perdendo a capacidade de
funcionar devidamente. Talvez seja o corao. Vamos supor
que estamos discutindo um caso cardaco. Bem, em nosso
caso vascular dizemos que o msculo cardaco transformou-
se numa massa fibrosa, que no pode mais bombear sangue
em quantidade adequada, e que as faculdades se embotam. 
medida que assim se tornam, diminui a vontade de viver e
reduz-se o estmulo ao corao para que continue o
laborioso bombeamento.
Chega a ocasio em que o corao no pode mais continuar.
Antes que esse estgio seja atingido, a pessoa entra num
estado em que no tem mais energia para sentir dor, est
pela metade neste mundo e metade no outro. Assemelha-se
a um beb que est pela metade no mundo que  a me e
tem a outra metade no mundo que chamamos de Terra. No
Outro Lado da morte, os auxiliares esto a postos. Logo que
o corao pra, h uma sacudidela. No, no  uma
sacudidela de dor, no h agonia, isso  uma mentira
estpida. A denominada "agonia da morte"  simplesmente
uma ao reflexa dos nervos e msculos que, livres do
controle do "motorista" do corpo, simplesmente se
contorcem, tremem e se sacodem  como o nome implica
 incontrolavelmente. Numerosas pessoas pensam que 
agonia, mas, claro, no  nada disso, porque o ocupante do
corpo deixou-o. Se houver uma careta no rosto, isto 
meramente uma contrao muscular.
O corpo, livre de seu ocupante, pode contorcer-se e ofegar
durante um curto espao de tempo. Talvez se oua um rudo
de rgos no interior do corpo, mas isso  exatamente igual a
uma velha roupa que se acomoda depois de ter sido lanada
numa cadeira ou na cama. No  nada de importante. O
corpo  apenas lixo naquele instante, pronto para ser en-
terrado ou queimado, no importa realmente o qu.
O mais novo ocupante, ou habitante, do mundo astral, o
antigo motorista do corpo, ser recebido pelos auxiliares,
prontos para fazer tudo o que puderem para facilitar o
processo de aclimatao. Por infelicidade, acontece, s
Vezes, que uma pessoa realmente ignorante no acredite na
vida aps a morte. Neste caso, o que  que acontece?
Se a pessoa se recusa definitivamente a acreditar na vida
aps a morte, ocorre isso porque se encontra em estado de
completa hipnose, auto-hipnose. Mesmo na Terra, h
numerosos casos de pessoas cegas simplesmente porque
pensam que o so. E existe um nmero no menor de surdos
que o so apenas porque o desejam, talvez para evitar o
matraquear de uma mulher irritante. Tais casos so
confirmados pela medicina.
Se a pessoa se recusa a acreditar na mnima coisa aps a
morte, ficar envolvida num espesso, negro e pegajoso
nevoeiro, e os auxiliares no podero ajud-la. No podero
alcan-la porque ela no os aceita, recusa toda a ajuda
oferecida, pois est to convencida de que no existe vida
aps a morte que acredita estar tendo um desagradvel
pesadelo.
Com o passar do tempo, a pessoa comea a perceber que
existe algo nessa vida aps a morte, afinal de contas. Por que
ouve vozes, por que sente a presena de pessoas prximas,
por que ouve, talvez, msica? Com percepo crescente de
que talvez possa haver algo aps a morte, o espesso nevoeiro
negro clareia e torna-se cinzento, a luz pode penetrar, ele v
figuras indistintas movendo-se em volta e pode ouvir com
maior clareza. Assim, a pouco e pouco,  medida que os
preconceitos e inibies se esfacelam, torna-se mais e mais
consciente de que algo ocorre a seu redor. Pessoas tentam
constantemente ajud-la, dizer-lhe que querem auxili-la,
convidam-na a aceitar a ajuda. E logo que ela sente
realmente que a quer, o nevoeiro desvanece-se e v toda a
glria do mundo astral, cores de que a Terra carece, brilho e
luz, e um ambiente muito, muitssimo agradvel.
Nosso pobre amigo, que comea justamente a perceber que
h vida aps a morte,  levado ao que poderamos chamar de
hospital, casa de repouso, ou centro de recuperao. A,
graas ao emprego de vrios raios, suas inibies mentais so
ainda mais dispersadas, fortalecido, tornado sadio o corpo
espiritual, e nutrido.
Explicaes lhe so dadas. Ele se encontra quase na mesma
situao de uma criana recm-nascida, com a exceo de
que entende tudo o que ouve, e responde, ao passo que a
criana nem a falar aprendeu ainda. O indivduo, portanto,
ouve uma explicao sobre o que  a vida no Outro Lado. Se
quer discutir o assunto, no pode. Ningum discute com ele.
Ele  simplesmente deixado a pensar sobre o que lhe
disseram. E logo que, sem reserva, aceita o que lhe foi dito, a
explicao continua. Nunca  persuadido ou forado a fazer
a mnima coisa. Tem direito de livre opo. Se no quer
acreditar, ter que ficar numa situao algo esttica at que
acredite.
Numerosas pessoas existem que deixam a Terra para a vida
seguinte imbudas da convico firme, absolutamente
inquebrantvel, de que a religio que professam  a nica
que pode existir. Essas pobres pessoas vem-se mais ou
menos na mesma situao que o nosso exemplo anterior,
porquanto os auxiliares do Outro Lado sabem perfeitamente
que no as podem ajudar, se o seu mero aparecimento em
cena destri uma antiqussima crena. Suponhamos,
portanto, que o indivduo  catlico convicto, que acredita
em anjos, demnios e todo o resto da pantomima. Ao
chegar ao Outro Lado, v, de fato, os Portes Perlferos,
nota um velho cavalheiro de barba, folheando um grande
dirio, no qual, pensa, esto anotados os pecados.
Tudo  feito para montar o espetculo que o bom e igno-
rante catlico quer ver. V anjos batendo as asas, pessoas
sentadas em nuvens tocando harpa e, durante algum tempo,
transborda de satisfao, pensando que chegou ao cu.
Gradualmente, porm, ocorre-lhe que isto tudo tem um som
oco, as pessoas no voam no ritmo certo do bater de asas,
etc. etc. Aos poucos, vai percebendo que  um espetculo
teatral e comea a perguntar-se o que se esconde por trs de
tudo isso, o que h por trs das cortinas e adereos, o que
so realmente essas coisas. E to logo comea a pensar, v
"rachaduras" na fachada da Multido Celestial. Antes de
muito tempo no aceita mais a pantomima e brada por
esclarecimento. Sem demora, desaparecem os anjos de asas
esvoaantes, com igual rapidez os tocadores de harpas, de
camisoles nas nuvens, caem fora, e rapidamente auxiliares
altamente treinados e experientes mostram ao recm-
despertado novato a realidade, em vez da iluso. E a
realidade  imensamente superior do que poderia ser a
iluso.  um triste fato que tantas pessoas vejam algumas
estampas na Bblia e as tomem pelo Evangelho. No se
esqueam de que ilustradores de livros so usados tambm
para ilustrar a Bblia.
Pouco importa qual seja a religio. Se houver adeptos que
acreditem piamente nas lendas e, digamos, nas fantasias que
ela espalha, so justamente elas que vero ao deixarem a
Terra e penetrarem no plano astral.
Logo que o recm-chegado percebe a natureza do mundo
em que se encontra, pode continuar a desenvolver-se. Entra
no Saguo das Recordaes e ali, sozinho, penetra numa sala
e v desfilar sua vida, tudo o que fez, tudo o que tentou, e
tudo o que quis fazer. Observa cada coisa que lhe aconteceu
e pensou enquanto se encontrava na Terra. E ele, ele
sozinho, julgar se sua vida constituiu um sucesso ou um
fracasso.
Ele, e mais ningum, decidir se "voltar  escola" e
recomear todo o curso na esperana de passar na prxima
vez.
No encontra em volta me, pai ou melhor amigo que
aceitem a culpa pelos seus erros. Est s, inteiramente s,
muito mais s do que quando compareceu quele lugar na
ltima vez. E julga a si mesmo.
Nenhum demnio, nenhum Sat de cauda balouante e
respirao ardente, ningum vai meter-lhe tridentes no
corpo e, quanto s chamas, l no se usam essas coisas no
aquecimento central!
A maioria das pessoas emerge do Saguo das Recordaes
bastante abalada e notavelmente satisfeita com a ajuda e
compreenso dos auxiliares, que, do lado de fora, as
oferecem.
Segue-se um perodo de ajustamento, um perodo em que o
recm-chegado pensa no que viu, repassa os erros, cisma
sobre o que far. No se trata do assunto que se decida em
alguns minutos. Coisas de toda natureza tero de ser levadas
em conta. Vale a pena voltar e recomear, ou seria melhor
passar umas poucas centenas de anos no astral, esperando
talvez que surjam situaes mais convenientes? Mas, pensa o
recm-chegado, nada sabe sobre as condies favorveis ou
quando surgiro.  convidado, ento, a procurar os
auxiliares, com quem discutir miudamente os assuntos e
que o aconselharo sem aplicar-lhe presso alguma. Se
resolve voltar e pintar o sete na Terra, a escolha  dele,
exclusivamente dele.
Numerosos novatos no compreendem que podem retirar
todo o sustento, toda a nutrio do ar e das vibraes que os
cercam. Recordam-se da vida terrena, da variedade de
alimentos que gostariam de ter tido, mas que talvez no
pudessem comprar. E se os querem, podem t-los. Qualquer
que seja o tipo de alimento, basta pedir. Se quiserem grossos
charutos, finos cigarros ou fedorentos cachimbos, sim,
podem t-los, tambm. Roupas... Vocs jamais viram tal
confuso de roupas e fantasias como vero no plano astral!
Pode-se usar qualquer tipo de roupa, no  considerado
absolutamente condenvel, ningum se importa, trata-se de
assunto de cada pessoa. Se o indivduo deseja vestir-se de
hippie com um dlar de maconha em cada mo, pode fazer
isso. A maconha ali no lhe far mal, prejudica apenas na
Terra, porque a maconha astral  inofensiva, ao passo que a
terrena  terrivelmente perigosa.
O recm-chegado, porm, cansa-se logo de nada fazer,
aborrece-se de bater pernas e observar o mundo astral
passar. Mesmo que tivesse sido um indolente na Terra, um
indivduo que gostava de ficar em volta das esquinas
assobiando para as donas boas, bem, ele se cansa de nada
fazer na atmosfera do plano astral. Pede trabalho e o
consegue. Que tipo? Existem coisas de todos os tipos a serem
feitas.  impossvel dizer, que tipo de trabalho far, da
mesma maneira que  impossvel dizer que tipo de trabalho
a pessoa encontraria se fosse levado de um momento para
outro para Tibuctu ou a Alscia Lorena. Trabalha dentro do
que pode, trabalho necessrio, e, ao faz-lo, descobre grande
satisfao e estabilidade.
Mas, invariavelmente, persegue-o o pensamento sobre o que
fazer. Deve ficar no astral um pouco mais? O que fariam
outras pessoas? Pergunta repetidas vezes e repetidas vezes
recebe a resposta, sempre a mesma. Jamais h a menor
tentativa de persuadi-lo a fazer alguma coisa. Cabe-lhe por
completo a escolha.
Finalmente decide que no pode ficar ali por mais tempo,
que no pode desistir da escola na Terra, que precisa voltar e
estudar devidamente as lies e ser aprovado nos exames.
Anuncia a deciso e  levado  presena de um grupo espe-
cial de pessoas de imensa experincia, que usam
instrumentos muito notveis. Determina-se o que a pessoa
tem que aprender. Nascer numa famlia pobre ajudaria? Ou
numa famlia rica? Deve ser branco ou preto e, se mulher,
preta ou branca? Tudo depende da confuso que ele fez na
ltima vida, da sua disposio para o trabalho na vida
seguinte, do que tem a aprender. De qualquer modo, os
conselheiros so pessoas bem qualificadas para ajud-la.
Podem sugerir  mas apenas isso  o tipo de pas, pases e
situao. Acordadas as condies, certos instrumentos so
trazidos e localizados os necessrios futuros pais. Localizam-
se tambm pais alternativos, que so observados durante um
curto espao de tempo. Se tudo se mostrar satisfatrio, a
pessoa prestes a reencarnar  internada num lar especial do
mundo astral. Deita-se e, ao acordar, est no ato de nascer
na Terra. No  de espantar que faa tal confuso e solte
berros de desespero!
Numerosas pessoas, entidades, resolvem que no querem
voltar logo. Permanecem nos mundos astrais, onde h muito
a fazer. Mas antes de discuti-las, vejamos uma classe especial
que no tem escolha: os suicidas.
Se a pessoa termina por iniciativa prpria a vida antes do
nmero marcado de anos, ter que voltar  Terra com toda a
rapidez a fim de cumprir o tempo que lhe falta, da mesma
forma que um presidirio fugido e recapturado. E talvez lhe
sejam acrescentados mais alguns anos como castigo extra.
O suicida entra no mundo astral. Encontra pessoas  espera e
 recebido como se fosse pessoa legtima comum que
retorna, sem recriminaes ou coisas desse tipo, em
absoluto. Tratam-no exatamente como aos outros
matriculados. Concedem-lhe um tempo razovel para
recuperar-se do choque de deixar o corpo fsico, com toda
probabilidade violentamente, e entrar no astral.
Suficientemente recuperado,  obrigado a comparecer ao
Saguo das Recordaes onde rev tudo que lhe aconteceu,
bem como as falhas que, na realidade, o impeliram ao
suicdio.
E fica com a horrorosa impresso, o pavoroso conhecimento
talvez a descrevesse melhor, de que ter de voltar e cumprir
o resto da pena.
E bem possvel que o suicida seja indivduo de baixo calibre
espiritual, que talvez carea de fortaleza ntima para voltar 
Terra e que pensa como seria bom permanecer no mundo
astral, e que ningum poder fazer coisa alguma a esse
respeito. Mas ele est errado porque h uma lei dispondo
que o suicida tem que voltar  Terra. E se no voltar de boa
mente, ser compelido a tanto.
Se resolver voltar,  informado numa reunio com
conselheiros especiais sobre quantos dias ou anos lhe restam
ainda para cumprir a "sentena" na Terra. Ter que cumpri-
la toda e, igualmente, todo tempo decorrido desde que
cometeu suicdio antes da volta. Talvez tenha levado um
ano para endireit-lo e lev-lo a decidir que tem que voltar
mesmo. Um ano, portanto,  acrescentado  vida na Terra.
So identificadas as condies da sua volta. E encontrar
basicamente os mesmos tipos de condies que o levaram
antes a acabar com a vida. Na ocasio apropriada,  posto a
dormir e acorda no ato de nascer.
Se relutar e nenhuma medida tomar para voltar, os
conselheiros decidem por ele no que toca s condies
apropriadas ao seu caso. Se no vai por espontnea vontade,
as condies so um pouco mais rigorosas. Mais uma vez, na
ocasio decidida,  posto a dormir sem ter qualquer opo
no caso e, ao acordar, est de volta.
Acontece, muitas vezes, que um beb que nasce e morre
talvez um ms ou dois depois  a reencarnao de pessoa
que cometeu suicdio, de preferncia, talvez, a enfrentar
dois ou trs meses de sofrimento de um cncer incurvel e
inopervel. O doente talvez tenha-se suicidado dois, trs ou
talvez seis meses ou um ano antes de morrer naturalmente.
Mas ainda assim ter de voltar e cumprir a pena que tentou
ladear.
Pensa-se muitas vezes que a dor e o sofrimento so inteis.
Pensa-se ocasionalmente que seria uma boa coisa liquidar
um ser humano incurvel, mas as pessoas que propem tais
medidas sabem realmente o que o sofredor tenta aprender?
O prprio sofrimento, a prpria natureza da doena, talvez
tenha sido algo que ele desejou aprender.
Pessoas me escrevem com muita freqncia e perguntam:
"Oh, Dr. Rampa, por que tem o senhor que sofrer tanto
assim, um homem com os seus conhecimentos? Por que no
se cura e vive para sempre?" Isto, naturalmente,  tolice.
Quem quer viver para sempre? E como podem saber o que
tento fazer as pessoas que me escrevem nesses termos? No
sabem, e isto  tudo. Se uma pessoa investigar certo assunto,
tem freqentemente de suportar um volume considervel
de dificuldades para realizar devidamente o trabalho. As
pessoas que vo levar ajuda e sustento aos leprosos, por
exemplo, no sabem o que o doente sente ou pensa. Talvez
auxiliem o fsico do leproso, mas eles no so leprosos. O
mesmo ocorre com a tuberculose, o cncer, ou mesmo com
uma unha encravada. At que a pessoa sinta realmente a
doena ou o estado, no est, em absoluto, qualificada para
discuti-los. Sempre me diverte que padres catlicos, que
nunca se casaram e que, presumivelmente, nunca tiveram
filhos, nunca se tornaram pais, isto , salvo no sentido
espiritual, ousem aconselhar mulheres sobre ter filhos ou
no. Claro que muitos desses padres catlicos saem de frias
e aprendem uma poro de coisas sobre mulheres. Ns
presenciamos esses casos em Montreal.
 absolutamente errneo, por conseguinte, cometer suic-
dio. Vocs apenas adiaro o dia de libertarem-se
legitimamente da Terra, tero de voltar como o presidirio
recapturado, no prejudicam ningum, salvo a vocs
mesmos, e  em vocs que vocs pensam, no? Isto  uma
das coisas que precisam ser igualmente superadas.
A pessoa comum, nem muito boa nem muito m, passar no
mundo astral um perodo varivel. No  verdade que todos
passem ali seiscentos, mil ou dois mil anos. Tudo depende
das condies no caso de cada indivduo. H um tempo
mdio, mas h tambm o homem e a mulher mdios
comuns e o tempo mdio  apenas... bem, um nmero.
So muitas as tarefas a cumprir no mundo astral. Certas
pessoas ajudam os novios, agem como guias. Mas estes
"guias" nada tm a ver com sesses espritas ou com velhas
senhoras que pensam ter um guia pele-vermelha, mandarim
chins ou lama tibetano. O que essas senhoras tm
habitualmente  uma dose excessiva de imaginao. Na
verdade, se fossem feitas as contas e listadas as pessoas que
alegam ter um guia ndio ou tibetano, simplesmente no
haveria o suficiente destes ltimos.
E, de qualquer modo, as pessoas do Outro Lado tm
trabalhos a fazer e, entre estes, no se incluem movimentar
xcaras para que alguma velha biruta faa a leitura da sorte
nem tampouco falar atravs de uma corneta de estanho ou
empurrar de um lado para outro um pedao de pano. Todas
essas manifestaes, absolutamente inteis, claro, so
provocadas pela energia nervosa de parte do operador,
habitualmente um histrico. As pessoas do Outro Lado tm
muito a fazer cuidando dos prprios negcios para ainda
encontrar tempo de descer  Terra, mexer em quartos
escuros ou enviar um hlito pelo pescoo de pessoas que
esto ali em busca de uma deliciosa sensao. Os nicos do
Outro Lado que comparecem s sesses espritas so os
Espritos da Natureza de um tipo inferior, chamados
Elementais. Vo ali apenas para se divertir um pouco, para
verificar que um bando de tolos so os humanos em
acreditar em tudo que lhes dizem. No se deixe cair por isso,
meu querido leitor, porque  pura bobagem.
O mesmo se aplica aos tabuleiros adivinhatrios. Arranja-se
um desses tabuleiros, brinca-se com ele e algum elemental,
que vive sempre andando de um lado para outro como
macacos traquinas, v o que est sendo feito e influencia,
sem dvida alguma, a leitura. Talvez voc pense que no h
perigo nisso, mas tampouco h bem algum e,
indubitavelmente, grande mal  feito nessas leituras se o
elemental faz com que a mensagem parea altamente
plausvel. Mas ela  algo extrado do subconsciente da
vtima. A vida inteira da pessoa pode ser prejudicada pela f
nos tabuleiros adivinhatrios.
Outra grande fonte de informaes errneas surge quando o
tabuleiro  movido pelo pensamento coletivo de pessoas
reunidas a sua volta. Amide,  impelido por pensamentos
que se deseja transformar em realidade e, mais uma vez,
transmitir uma mensagem que poder ser muito danosa,
por enganadora. A orientao mais segura  a seguinte: nada
queira com os tabuleiros nem com as sesses espritas.
Lembre-se de que veio  Terra deliberadamente, sem saber a
natureza exata de sua visita, e, se tentar descobrir demais
sem motivo muito excepcional, voc se assemelhar ao
estudante que consegue surripiar uma cpia das perguntas
que lhe sero feitas pela banca examinadora. Trata-se de ato
desonesto que no o ajudar em coisa alguma.
Um dos trabalhos no mundo astral  a recepo dos que
chegam durante as horas de sono. Pessoas chegam a todo
instante porque quando  dia numa parte do mundo  noite
na outra e, portanto, no cessa a torrente de pessoas que
vm ao astral durante o sono. So como crianas que voltam
da escola. Da mesma forma que elas gostam de ser
cumprimentadas pelos pais ou amigos, o mesmo ocorre com
esses viajantes noturnos.
O trnsito tem que ser dirigido, eles precisam ser postos em
contato com os que querem encontrar, e no so poucos os
que desejam informaes e conselhos durante o que, na
Terra,  noite. Querem saber como esto indo e o que
devem fazer na manh seguinte. Esse trabalho consome
muito tempo de muitas pessoas.
H tambm outras entidades no astral que no reencarnaro
novamente na Terra. Esto subindo para um plano ainda
mais alto de existncia. No momento apropriado, "morrero"
pacfica e indolormente no mundo astral. De fato, apenas
desaparecero de l e aparecero num plano mais alto.
H um nmero sempre maior de pessoas vindo  Terra,
nascendo na Terra, e muitas pessoas se perguntam por que
deve ser assim. A resposta  que a Terra  apenas um gro de
poeira entre bilhes de gros iguais. Quando me perguntam
por que a populao cresce, respondo-lhes a verdade, que 
que pessoas chegam de planos mais nebulosos de existncia.
Talvez a pessoa venha de um mundo bidimensional e a
Terra  a sua primeira experincia num tridimensional.
Comea ela assim a roda da vida no mundo tridimensional
que chamamos de Terra. E mais e mais pessoas chegam 
medida que a Terra se transforma em escola cada vez mais
dura de dificuldades. Saibam que esta  a finalidade da Terra,
ensinar o que so dificuldades e como suport-las. Ningum
vem  Terra para desfrutar um perodo muito agradvel.
Vem aprender para que a informao recolhida seja
transmitida ao Eu Superior.
Aps este mundo h o plano astral e, neste, na plenitude do
tempo, o indivduo nasce em diferentes planos de existncia
at que, por fim, a entidade plenamente evoluda funde-se
com o Eu Superior. Assim cresce o Eu Superior.
Se, depois de ter evoludo muito, o Eu Superior chegar 
concluso de que h muito mais a aprender, novos "tteres"
so postos em algum mundo e recomea o processo de
ciclos vitais. Cada vez que os tteres completam os ciclos,
voltam purificados ao Eu Superior que, mais uma vez, cresce
atravs deles.
Ao viver a pessoa no mundo astral, isto , depois de ter
"morrido" na Terra, a entidade em causa participa de toda a
vida do mundo astral, e no  mais um visitante, como os
que retornam enquanto o corpo dorme. Sendo membros
aceitos do mundo astral, comportam-se como o fariam
pessoas comuns na Terra, isto , ao fim do dia astral,
dormem. O corpo astral que, naturalmente,  muito slido
para quem vive nesse mundo, adormece e, mais uma vez, a
psique deixa o corpo astral na ponta do Cordo de Prata e
sobe para um plano mais alto. Ali aprende coisas que sero
teis no que poderamos chamar de baixo astral quando o
esprito retorna ao corpo. No pensem que o mundo astral 
o mais alto, que  o cu, porque no . So muitos e
diferentes os ciclos ou planos de existncia.
Enquanto estamos no mundo que chamamos de "astral"
podemos constituir famlia. Vivemos quase da mesma
maneira que aqui embaixo, com a exceo de que no h
malquerenas pelo motivo muito simples de que l
simplesmente no podemos encontrai pessoas com quem
somos incompatveis. Se voc se casar no astral no ter
uma esposa que o apoquente. Este ponto no  geralmente
compreendido na Terra. No mundo astral no podemos
encontrar os inimigos que tivemos na Terra e a famlia astral
 to slida para voc como as pessoas da Terra.
Os seres humanos no moram sozinhos no mundo astral. Os
animais sobem tambm at l. Nunca, mas nunca mesmo,
cometa o erro muito trgico de pensar que os humanos
constituem a forma mais alta de existncia. No so. So
apenas outra forma. Os humanos pensam de uma maneira,
os animais de outra, mas h entidades que, comparadas
conosco, esto to acima de ns como ns dos vermes da
Terra. E mesmo estas pessoas sabem que no constituem a
forma final de evoluo. Esquea, portanto, toda essa
histria de ser criatura superior e concentre-se no que tem a
fazer, da melhor forma possvel.
Os animais sobem ao astral e to alto como merecem,
exatamente como nos acontece. Uma das maiores dificulda-
des da religio crist  pensar que a humanidade constitui a
forma mais alta possvel de evoluo, pensar que todas as
criaturas foram criadas para satisfao do homem, fato este
que deu origem a celtas horrveis situaes. O mundo
animal e os Manus dos animais mostram-se incrivelmente
tolerantes, pois sabem que os humanos foram
desencaminhados pelos lderes religiosos, pelos padres que
realmente reformaram o cristianismo para adquirirem
suficiente poder.
Acreditem, pois, como fato autntico, que nos mundos as-
trais no encontraro ces covardes e gatos medrosos.
Encontraro, em vez disso, um companheiro, que , em
todos os sentidos, igual ao humano e que se pode comunicar
sem dificuldade com ele atravs da telepatia.
Numerosas pessoas fazem perguntas sobre corpos. Os corpos
parecero um balo de gs, ou o qu? A resposta  no, o
corpo parecer to slido no astral como este pedao de car-
ne que sou eu, empurrado de um lado para outro sobre dois
suportes sseos. Se duas pessoas colidem no astral, levam um
choque da mesma maneira que acontece aqui na Terra.
H muito amor no plano astral, amor fsico e espiritual,
embora, claro, numa escala que a mente limitada a
pensamentos terrenos no pode compreender enquanto se
encontra no corpo atual. No existe "frustrao" no mundo
astral porque o amor  totalmente satisfatrio, em todos os
momentos, para ambos os participantes.
Certas pessoas me escreveram pedindo uma descrio de
Deus. Saibam que Deus no  o Diretor de uma grande
Sociedade Annima, no apenas um velho cavalheiro de
longa barba que leva uma lanterna na ponta de uma vara.
Deus  uma Grande Fora, que compreenderemos e
entenderemos quando deixarmos o corpo terreno e
penetrarmos no mundo astral. Atualmente, estamos num
mundo tridimensional, na Terra, e a maioria das pessoas no
poderia compreender, digamos, a descrio de um objeto de
nove dimenses.
Cada mundo est a cargo de um Manu. Poder-se-ia
assemelh-lo a um dos Deuses do Olimpo, to
exaustivamente descrito nas lendas gregas. Ou, se quiserem
uma descrio mais moderna, pensem no Manu como o
Gerente-Geral da filial de uma grande firma. Sob o Gerente-
Geral da filial  porque este mundo , afinal de contas,
apenas uma filial  temos os gerentes departamentais, que,
por seu lado, poderiam ser intitulados de Manus dos
diferentes continentes ou pases. Esses subgerentes so
responsveis, digamos, pela administrao dos Estados
Unidos, Alemanha, ou Argentina, e assim por diante.
E da mesma forma que gerentes humanos exibem os
temperamentos os mais diversos, o mesmo ocorre com os
Manus. E por isso que cada pas exibe uma diferente
caracterstica nacional. Os alemes, dando um exemplo,
diferem muito dos italianos, e este, dos chineses. Ocorre isto
porque o "Gerente" de cada departamento  diferente.
Os Manus, por mais gloriosos paream, so apenas tteres da
Grande Entidade, ou Eu Superior, que  "Deus". O Grande
Eu Superior utiliza Manus como tteres quase da mesma
maneira como o Eu Superior humano usa um conjunto de
seres para adquirir experincia.
Outra pergunta freqentemente feita  a seguinte: "O corpo
astral aparentemente tem certa substncia. Se possui
molculas, por mais dispersas estejam, elas poderiam sofrer
destruio ou leses por meio do calor, frio ou coliso. Se
fosse assim, certo desconforto e dor em sentido quase fsico
poderiam existir. De que modo se sairia o astral na
vizinhana de uma estrela fsica?" Bem, quando falamos de
molculas referimo-nos a substncias situadas no plano
terreno. A molcula  algo fsico, uma pea de matria, mas,
ao passarmos ao plano astral, distanciamo-nos muito da
vibrao de baixo grau que compreende tudo o que aqui
existe. O corpo fsico na Terra pode ser lesionado por outro.
No astral, porm, no pode ser ferido por um corpo fsico da
Terra. As duas coisas diferem radical e completamente.
Poder-se-ia dizer, apenas como exemplo, e no l grande
coisa como exemplo, que uma pedra e luz no se
influenciam mutuamente. Se lanarmos uma pedra no cu
no prejudicaremos o sol. De idntica maneira, o que acon-
tece na Terra no lesiona o corpo astral. O que fere as
pessoas que se encontram no astral  a crassa estupidez
revelada pelos humanos ao tentarem liquidar-se
mutuamente, exterminarem-se de variadas e dolorosas
formas e, de modo geral, comportarem-se como um bando
de pessoas inteiramente loucas em vez de entidades que aqui
se encontram para aprender algo. O modo como se
comportam atualmente as pessoas da Terra lembra muito
estudantes que destroem computadores que custaram
milhes de dlares. J  tempo de que os seres humanos
cresam e, tambm, que os estudantes compreendam que
vo para a escola ou faculdade para aprender com pessoas
que sabem mais do que eles.

CAPTULO     9

LEMBREM-SE DE QUE A TARTARUGA S
PROGRIDE QUANDO ESTICA O PESCOO

Deus meu! Pensei que tinha acabado de discutir planos
astrais, mortes e coisas assim, e agora recebo outra pilha de
perguntas sobre as mesmas coisas. Por exemplo: "Uma
exploso atmica, que incinera milhares de seres humanos
na mesma ocasio, ocasiona tambm um pandemnio no
plano astral, ou de que modo o afeta ou perturba?"
No o atinge em coisa alguma fisicamente, mas no h
dvida de que ocasiona terrvel confuso porque milhares de
pessoas sobem para o astral numa nica e terrvel batelada.
Muitas aparecero doentes de medo, um sem-nmero loucas
de choque, e todos os auxiliares disponveis so mandados s
pressas para receber a torrente, toda ela profundamente
agitada. A cena, para dizer a verdade, seria muito
semelhante  que conhecemos quando ocorre na Terra uma
catstrofe, digamos, um terremoto, ou pelo menos algo to
desastroso, e auxiliares e voluntrios correm para a cena
levando todos os possveis meios de ajuda. A resposta,
portanto,  que ningum no mundo astral  prejudicado pela
detonao da bomba, mas que ela perturba muito devido ao
trabalho extra de cuidar de tantas pessoas simultaneamente.
Muito embora eventos dessa natureza tenham sido
previstos, apesar de tudo as "previses" so probabilidades, e
no fatos reais prestes a acontecer.
Outra pergunta: "Como  que os Manus supervisionam os
negcios de sua nao? Trabalham atravs de representantes
nas Naes Unidas, dos primeiros mandatrios das naes,
dos gabinetes, conselheiros, ou o qu?
Se as Naes Unidas fossem o que se esperava, elas teriam
sido o campo de ao dos Manus. Mas vejamos algo a que
vocs devem dedicar atenta considerao. Talvez lhe seja
desagradvel e inteiramente chocante, mas, apesar disso, 
fato autntico.
Este nosso mundo no  muito avanado. Na verdade,  um
mundo penitencirio, um inferno, uma dura escola  cha-
me-o como que quiser  e muitos dos Manus aqui
encarregados esto, eles mesmos, aprendendo!  medida
que ganham experincia e obtm xito, so promovidos
como qualquer gerente de filial. Se o Gerente-Geral tornar
isto aqui um sucesso, pode muito bem ser promovido para
uma filial mais importante.
O necessrio  encarar as coisas com a mente aberta e
lembrar que, ao chegarmos ao Outro Lado, no astral,
ningum vai sentar-se numa nuvem, dedilhar um banjo, ou
puxar as cordas de uma harpa. Vai  trabalhar.
Quem est no jardim de infncia da escola pode pensar que
os enormes "grandes" de doze anos de uma classe mais
adiantada so verdadeiros Deuses, que nada fazem salvo
dizer aos mestres que vo para aquele lugar. Os de doze e
quatorze talvez pensem que os que esto no clssico ou
cientfico so os verdadeiros Deuses da Criao. Mas estes
ainda tm que fazer os deveres escolares, comparecer s
aulas, ganhar experincia. Muito bem, as pessoas vm 
Terra para reunir experincia, os Manus cuidam deste
mundo (mais ou menos) com o mesmo objetivo, e se
houver lutas entre pases, a guerra ensina no somente aos
seres humanos mas tambm aos Manus.
Nos estados mais elevados, isto , nos mundos mais
avanados, os Manus se renem e discutem cordialmente a
situao. Em conseqncia, no h guerras nem crimes
espetaculares. Mas isso  coisa adiantada demais para os
bandidos daqui. O povo terreno aqui est para aprender a
duras penas porque no aprender da maneira suave,
bondosa. Se um cara se aproxima e descarrega-lhe um golpe
com um porrete ou mostra a profunda inteno de fender-
lhe a cuca e coloc-lo sem sentidos,  intil dizer-lhe:
"Peo-lhe, meu querido amigo, que desista dessas intenes
indesejveis." Ao contrrio, se voc tiver juzo, d-lhe um
pontap onde doer mais e escapole para chamar a Polcia.
Os Manus deste mundo, por conseguinte, so aprendizes.
Aprendem exatamente como vocs e logo que aprenderem
um pouco a consertar as coisas, sero promovidos para cargo
melhor. Mas, alegrem-se, vocs tm que permanecer aqui
apenas setenta anos, mais ou menos, e os pobres Manus
cumprem sentenas imensamente mais longas do que essa.
Bem, eis aqui uma pequena pergunta escondida entre as
outras: "Sabe-se que a linhagem do XIII Dalai Lama
constituiu-se da mesma alma. Poderia o XIII estar agora na
Terra das Luzes Douradas e reencarnar ainda como o XIV?"
Bem, esta  a pergunta de resposta mais fcil, porque o XIV
Dalai Lama parece ter pessoalmente entornado o caldo,
reconhecendo para a imprensa que no  a encarnao do
Grande XIII, o que  timo, porque o Grande XIII 
realmente uma entidade muito ativa no mundo astral, onde
pratica muito bem e, acredito, est muito triste porque os
atuais "lderes" exilados da ndia pouco fazem para minorar o
sofrimento no Tibete. Mas tratei desse assunto com alguma
extenso em captulo anterior deste livro e talvez no seja
preciso dourar a plula nem repetir-me quando no tenho
necessidade disso.
Outra pessoa escreve referindo-se a Minha Visita a Vnus.
Mas deixem-me dizer aqui, clara e definitivamente, que no
recomendo aquele "Livro". So apenas algumas pginas
contendo alguns artigos que escrevi h anos e contm
algumas ilustraes  bem, considero-as modernistas 
feitas por mim. Esse livro, incluindo partes de meu trabalho
e de uma poro de coisas bombsticas, foi publicado sem
minha autorizao e contra meus desejos.
O mesmo se aplica a um disco, O Poder da Prece.
Decididamente, no o recomendo. A qualidade  medocre
e nunca houve a inteno de grav-lo. Trata-se apenas de
algo que fiz h muitos, muitos anos. Ao deixar a Amrica do
Norte para visitar a Amrica do Sul, fui informado de que
fora gravado sem minha permisso, contra meus desejos, e
durante minha ausncia deste continente.
Se desejam um disco, compre o Disco da Meditao, que fiz
especialmente para esse fim, com o objetivo de ajudar as
pessoas a meditarem. Pode ser obtido no seguinte endereo:

Sr. E. Z. Sowter, 33
Ashby Road, Leicestershire,
Inglaterra.

Devo dizer-lhe que o Sr. Sowter possui os direitos mundiais
desse disco, das Pedras de Toque e de numerosas outras
coisas.  a nica pessoa que tem minha permisso e
concordncia para vender meus discos e as Pedras de Toque.
Vende tambm vrias outras coisas de desenho meu.
Trata-se de um anncio gratuito para o Sr. Sowter, um
homem muito decente e que tenta praticar o bem.
No  inteno deste livro ser um catlogo de gente de-
cente, nem tampouco uma lista de imbecis quase s beiras da
loucura, mas no ficar completo sem meno de uma fam-
lia extremamente agradvel: Sra. Worstmann e as duas
filhas. Vocs talvez se recordem de que um dos meus livros
foi dedicado  Sra. Worstmann, uma mulher muito
agradvel e altamente educada, que d prazer conhecer.
Conheo-a h vrios anos, conheci-a quando o marido ainda
vivia aqui na Terra, e tenho entrado em contato com ele,
que se encontra agora no Outro Lado. A Sra. Worstmann 
um dos tipos mais esclarecidos. Por certo, teve
esclarecimento suficiente para ganhar duas filhas talentosas,
Luise, a primeira,  enfermeira num dos melhores hospitais
londrinos, boa enfermeira e competente em muitas outras
coisas.  de temperamento artstico, mas, bem, no vou
listar-lhe todas as virtudes, pois so numerosas demais.
Quero mencionar tambm a irm, Therese, tambm muito
talentosa e tambm enfermeira. Ela est muito desejosa de
ser cirurgi, possui capacidade para tanto, tudo, de fato,
menos dinheiro. Andei procurando saber se h algum plano
de seguro que permita a uma jovem altamente talentosa
estudar cirurgia. Infelizmente, no encontrei ainda uma
dessas fontes. E se alguns de vocs, leitores, sabem como
levantar o dinheiro com que uma jovem muito capaz possa
custear os estudos na Faculdade de Medicina, eis a uma
oportunidade de praticar o bem.
Deixo claro, absolutamente claro, que essa jovem possui
habilidade para fazer bem ao mundo como cirurgi e parece-
me horrvel que seja privada de tal oportunidade por falta de
dinheiro para custear-lhe a educao.
Falando de futuros cirurgies, vejamos a questo dos
transplantes cardacos. Tenho aqui a pergunta seguinte: "O
que me diz da corrente moda de transplantes cardacos e
outros tipos de cirurgia radical, com insero de rgos
estranhos, vlvulas plsticas, tubos, etc., no corpo humano?
Do ponto de vista puramente material, fisiolgico, isto 
considerado um progresso cientfico quase milagroso. Mas,
funciona? O emprego de vrios produtos qumicos
combater a tendncia normal do corpo de rejeitar material
estranho nele introduzido dessa maneira? Ou ser a rejeio
inevitvel simplesmente porque a colocao de um novo
rgo sadio no corpo para substituir um doente resulta na
mistura entre o corpo etrico ainda doente do rgo em
questo com a rplica material artificialmente introduzida?
E, demais disso, ganhar realmente o indivduo operado
alguma coisa se tiver apenas alguns meses ou mesmo anos de
invalidez acrescentados  presente estada na Terra, a menos
que use realmente o tempo extra para aprender certas lies,
de fato valiosas, que teriam, de outra maneira, sido adiadas
para outra encarnao?"
Bem, isso  o que eu chamo de uma pergunta comprida, sem
dvida alguma! H muitas centenas de sculos o povo da
Atlntida podia realizar transplantes. Era possvel nesses dias
enxertar uma perna ou brao, substituir coraes, rins e
pulmes, mas constituiu ato providencial da natureza que se
extinguisse a civilizao capaz de tais coisas. Tentaram
substituir crebros e produziram monstros amorais.
Basicamente, nada h de muito difcil em substituir um
corao.  apenas um procedimento mecnico. Precisa-se
extrair o corao e operar o substituto para que se ajuste
perfeitamente aos "canos" que restam. Qualquer cirurgio
competente faz isso.
No mundo fsico temos um semi-invlido. Afinal de contas,
quando se pratica a operao, pequenos vasos sangneos e
nervos no podem ser ligados, a estrutura se debilita, e um
homem muito doente ganha uma doena adicional  a
debilitao do corpo. Mas, ainda assim, a pessoa poder
sobreviver durante um nmero infinito de anos, mas em
semi-invalidez.
No mundo astral, porm, duas pessoas sofrem muito ao
serem "misturadas". Uma das pessoas chega pela metade ao
astral, isto , vai l apenas durante o sono, ao passo que a
outra reside l. mas, como o seu corao ou outro rgo
ainda vive, conserva uma espcie de ligao simptica
atravs do Cordo de Prata da pessoa que agora os possui.
s vezes, temos dois rdios. Ligamos os dois no mesmo
aposento, talvez para o mesmo programa. Se desligarmos um
deles h ligeiro aumento de volume no segundo. H certa
interao entre eles. E so apenas rdios, coisas apenas, que
moas montam enquanto conversam sobre os ltimos
namorados e em que medida sero minis suas minissaias na
prxima estao. No caso de seres vivos a interao  muito,
infinitamente mais forte, e no h dvida alguma de que
debilita a eficincia da pessoa que vive no astral estar at
mesmo "simpaticamente" ligada ao corpo de outra.
Acredito firmemente que substituir rgo assim constitui
um erro terrvel, criminoso. Na verdade, ningum devia
permitir que a natureza fosse violentada dessa maneira. Os
reflexos do corao do doador aparecem na aura do
recebedor e os dois talvez no sejam compatveis. O fato de
que um seja negro e o outro branco nada tem a ver com o
problema. O que  de todo importante  a taxa bsica de
vibrao, isto , a freqncia de cada pessoa. E tenho a
sincera esperana de que os transplantes sejam colocados
fora da lei.
Assunto muito diferente  substituir um rgo por outro
sinttico porque isto no seria pior do que se a pessoa usasse
culos, aparelho auditivo, roupa, ou muleta.
Acho que os cientistas mdicos deviam ser encorajados a
inventar rgos artificiais que poderiam, com segurana, ser
usados em pessoas. Neste caso, no haveria cruzamentos
entre duas entidades, o que prejudica a ambas at que as
duas se libertem dos Cordes Prateados e passem a viver no
mundo astral. Assim, respondendo a esta pergunta
especfica, sou decididamente contra os transplantes.
Abordemos agora outra pergunta, que deve revestir-se de
interesse geral.  a seguinte:
"Queria informaes ou instrues sobre o modo como
pessoas que trabalhassem juntas poderiam provocar uma
mudana no curso dos negcios mundiais."
Se algumas pessoas pensassem realmente no "mesmo
compasso" sobre um assunto especfico, o que pensassem
poderia, sem dvida, tornar-se realidade. Atualmente,
ningum pode manter um pensamento durante mais de um
segundo ou dois. Se duvidam, tentem vocs mesmos,
tentem pensar em um assunto especfico enquanto
observam o ponteiro de segundos do relgio. Descobriro,
se forem honestos, que a ateno variar e se desviar com
muito maior rapidez do que acreditariam possvel. A ateno
permanecer mais ou menos constante se vocs pensarem
no que fazer consigo mesmos, algo que desejam, que
querem fazer, que os afete profundamente. Outra coisa, tal
como levar ajuda a algum que conhecem... bem, no
mantero o interesse por muito tempo.
Os pensamentos humanos no so constantes e ningum
pensa na mesma coisa ao mesmo tempo com a mesma
intensidade. Lembram uma massa de pessoas circulando,
todas caminhando, mas fora de compasso, enquanto que, se
pudessem pensar "em compasso", obrariam realmente
milagres. Se querem pensar um pouco mais no assunto,
lembrem-se de um exrcito, de um regimento que marcha
sobre uma ponte. Se marchassem em compasso pela ponte,
os soldados a destruiriam e, por esse motivo, recebem
instrues para "romper o passo" antes de atravess-la.
Continuam a andar, portanto, to desordenadamente como
uma multido, destruindo-se, assim, o efeito sempre maior
de homens marchando no mesmo ritmo. Dissipa-se a fora,
e a ponte nada sofre.
Se fosse possvel reunir certo nmero de pessoas que mar-
chassem exatamente no mesmo passo, elas destruiriam
qualquer ponte que pudesse ser constituda e, se
continuassem a marchar, poderiam tambm destruir um
edifcio porque as passadas, descendo e subindo, formariam
uma srie de vibraes, cuja amplitude ou grau aumentariam
sempre, ultrapassando o ponto que a elasticididade natural
da ponte ou edifcio poderia tolerar, e eles cairiam como
vidro partido.
Se fosse possvel reunir, oh, basta meia dzia de pessoas, que
pudessem pensar absoluta e deliberadamente em ondas do
padro correto, elas poderiam derrubar ou formar governos,
elevar um pas acima de todos os demais e realizar coisas que
se considerariam totalmente impossveis.
 talvez uma sorte que no seja to fcil fazer pessoas
pensarem em unssono e exatamente  freqncia correta,
porque, o falo com absoluta seriedade, no  piada, se fosse
possvel reunir uma turma de criminosos treinados em
pensar da maneira apropriada, eles poderiam abrir a caixa-
forte de um banco. Deus meu, que pena que eu no tenha
uma pequena quadrilha. Seria agradvel ter um pequeno
monte de dinheiro, no? Ainda assim,  inteiramente
possvel, e nos dias dos atlantes era ocorrncia diria.
Os hinos catlicos constituem relquias desses dias passados,
hinos que certas pessoas pensam que tm apenas dois mil
anos de idade, mas, ainda assim, hinos compostos sobre as
canes originais de poder dos sumrios e dos atlantes.
Talvez deva coloc-los cm diferente ordem, atlantes e
sumrios, porque os atlanntes so mais antigos.
Se vocs pensam que isto  fantstico demais, lembrem-se
de que podem emitir um som capaz de quebrar um copo. Se
mantiverem o som, podem quebrar uma vidraa. O
pensamento  apenas outra forma de som, isto , uma
vibrao, como tudo, alis. Se vocs puserem em
movimento a vibrao apropriada, nada lhes ser impossvel.
Outra pergunta: "Os leitores se perguntam quando ser o
momento apropriado para que o Mundo Livre saiba da
existncia das Cpsulas do Tempo."
No chegou ainda o momento. O momento somente che-
gar ao fim desta civilizao, como a conhecemos
atualmente. Mais tarde  oh, no durante o tempo de vida
de vocs, no se preocupem  terremotos que realmente
sacudiro a crosta da Terra lanaro  superfcie as Cpsulas
do Tempo, prontas para serem abertas. H grande nmero
delas. Uma cpsula imensa est no Egito. Acho que,
tecnicamente,  uma cpsula, mas, na verdade, constitui
uma cmara imensa sepultada sob as areias movedias do
deserto egpcio. A cmara  um museu completo de
artefatos que existiram h dezenas de milhares de anos 
sim, "dezenas de milhares de anos".
H avies de um tipo muito diferente dos hoje usados.
Funcionam na base da antigravidade, de modo que a
potncia do motor no  despendida para suportar um peso,
sendo usada apenas para propelir o veculo  frente. Digo-
lhes com absoluta sinceridade que vi um desses avies.
Um dispositivo ter especial interesse para a dona de casa e
para pessoas obrigadas a transportar pesos.  uma espcie de
cabo que se prende a tudo que precisa ser carregado, Basta
que a pessoa segure o cabo, como faz com uma cesta. Se o
embrulho ou fardo  pesado, o cabo  apertado mais, se no
muito pesado, muito menos. Os dispositivos foram
construdos para que, se o pacote pesa uma ou dez
toneladas, a pessoa no faz mais esforo do que se transporta
meio quilo.
A antigravidade era coisa perfeitamente ordinria, comum,
nos sculos h muito tempo passados. Os sacerdotes
daqueles dias, porm, que eram tambm lderes dos
exrcitos, desavieram-se, e cada lado tentou construir armas
maiores e melhores. Com isso, mandaram pelos ares a
civilizao, que desceu como poeira radioativa.
Mais tarde, quando forem abertas as Cpsulas do Tempo,
surgir a televiso em trs dimenses, no a televiso em 3-
D com duas cmaras ou duas lentes, mas um aparelho no
qual as pessoas parecem reais, em tamanho miniatura,
naturalmente, representando, danando, debatendo.
A fotografia, igualmente, era diferente nesses dias. No havia
coisa parecida com as fotos planas que hoje conhecemos.
Tudo era "slido", muito mais 3-D do que a prpria 3-D. A
coisa que mais se aproxima so os hologramas grosseiros
com que os cientistas esto experimentando agora, nos quais
pode-se quase olhar por trs do objeto fotografado. Bem, nos
dias da Atlntida podia-se olhar por trs!
Centenas de sculos atrs, houve a mais poderosa civilizao
que o mundo conheceu at o momento. Ocorreram, porm,
tais cataclismas que os homens quase se tornaram dementes
e os que restaram tiveram de comear mais ou menos do
estado selvagem. A presente e denominada Idade da Cincia
mal chegou ao que se poderia chamar de estgio de jardim
de infncia da Atlntida no seu auge.
Numerosas pessoas recusam-se a acreditar na Atlntida, o
que, por certo,  igualmente tolo. Lembram pescadores que
vo para o mar e, porque no pescam, dizem: "Oh, no h
mais peixes no mar. Morreram todos."
Sim, houve a Atlntida e h restos vivos dela ainda,
profundamente enterrados em certas partes do mundo. E
deixem-me acrescentar que uma dessas partes no  o
monte Shasta. No acreditem nas bobagens que ouvem ou
lem sobre o monte Shasta. Trata-se apenas de uma rea
comum que foi promovida demais por indivduos
interessados no apenas em ganhar dinheiro fcil, mas um
monte de dinheiro.
Gostaria de contar-lhes algumas das coisas que sei, positiva e
veridicamente, mas muitas delas no podem ser divulgadas
agora. Sei exatamente qual a verdade sobre os submarinos
Thresher e Scorpion, o que lhes aconteceu e por qu. A
estria, se pudesse ser contada, provocaria calafrios em
vocs, mas o tempo no est ainda maduro. Existem muitas
coisas que poderiam ser contadas, mas, bem, estes livros
circulam por toda parte, muitas pessoas os lem, e existem
numerosos indivduos que no devem saber que outros
sabem o que est realmente acontecendo. Podem acreditar,
porm, que o mistrio do Thresher e do Scorpion  a mais
estranha coisa em que vocs jamais poderiam acreditar.
"O senhor parece to interessado em animais", diz uma
carta, "mas diz que no acredita no vegetarianismo. Por qu?
De que modo concilia os dois, o amor aos animais e a antipa-
tia pelo vegetarianismo?"
Acredito com absoluta sinceridade que o homem possui um
corpo que, neste estgio da existncia, precisa de carne para
seu sustento. Agora, ouam bem. H idades incontveis 
h muitos e muitos anos  havia uma forma de homem
inteiramente vegetariano. Passava tanto tempo comendo
que no tinha tempo para mais coisa alguma. Nunca lhe
ocorreu comer carne e, para que pudesse lidar com o
volume de vegetais, frutas e nozes, possua um rgo
adicional, o ltimo vestgio do qual  o apndice.
O experimento redundou em absoluto fracasso. Os Jardi-
neiros da Terra descobriram que o homem vegetariano era
ineficiente. Isto porque era verdadeiramente proibitivo
absorver o necessrio volume de celulose que lhe
possibilitaria fazer qualquer trabalho til. Ele teria que comer
sem parar, comer durante tanto tempo que no lhe sobraria
um minuto para o menor trabalho construtivo. Os
Jardineiros da Terra, em conseqncia, lanaram no lixo esse
tipo de homem e, se voc no gosta da palavra "lixo",
digamos que, atravs da evoluo, a humanidade
transformou-se em carnvora.
Temos de encarar os fatos bsicos, e um deles  o seguinte:
toda matria vegetal tem por suporte a celulose. Agora,
imaginemos uma cortina de renda, de malhas abertas, cujos
espaos so enchidos com uma espcie de pasta contendo
substncia alimentcia. Suponhamos que tivssemos de
comer a cortina para que o valor alimentcio contido nos
espaos abertos pudesse ser absorvido pelo nosso corpo.
Parece um pouco fantstico, no? Mas  exatamente isso o
que acontece quando comemos muito alface, repolho,
outros vegetais ou frutas. O que se come  uma esponja de
celulose, com espaos cheios de alimentos. O material
esponjoso, porm, ocupa muito espao e para conseguir uma
quantidade adequada de alimentos temos de ingerir um
volume excessivo de celulose. O nosso pobre corpo no
pode digerir celulose, como vocs sabem, e o material tem
que ser excretado.
Em minha vida nunca encontrei um vegetariano que
pudesse, realizar trabalho rduo. Naturalmente, sentava-se o
dia inteiro e deixava que outras pessoas trabalhassem e, sem
dvida, assim sobrevivia, mas no poderia ser indivduo
muito brilhante. Se por acaso fosse, pode ter certeza que se
vivesse naturalmente seria muito mais brilhante.
Falando francamente, j viram um marinheiro ou pessoa que
realiza trabalhos pesados que pudesse sobreviver apenas 
custas de frutas e vegetais? No viram, no ? Agora, pensem
no assunto.
Mas, voltemos ao caso dos animais. Sou verdadeiramente
amante dos animais, amo todos, e posso assegurar-lhes que
animais sabem que tm que morrer algum dia e lhes ajuda o
carma se morrerem para uma finalidade til.
Animais usados para servir de alimento so cuidados, criados
com ateno, e todas as doenas so tratadas. O rebanho 
supervisionado atentamente para que nele existam apenas
animais sadios.
No estado selvagem encontramos animais doentes ou
raquticos, que foram lesionados de alguma maneira, ou
mesmo atacados de cncer ou molstias respiratrias, e que
so obrigados a levar uma vida miservel. Se um animal
quebra uma perna, ele ter que viver o resto dos seus dias
uma existncia realmente desgraada, at que morra de fome
ou de dor. O animal de rebanho, porm, seria tratado
imediatamente.
Se no fossem mortos, o mundo seria antes de muito tempo
dominado por animais de todos os tipos. Haveria gado em
enorme quantidade e, quanto mais numerosos estes, maior o
nmero de predadores, que a prpria Natureza cria para
manter baixo o nmero de reses.
Se os seres humanos comem carne, resulta em proveito para
eles que os animais sejam abatidos de forma rpida e indolor.
Ao matar um animal para comer, conserva-se tambm sob
controle o nmero deles e evita-se que, crescendo em
nmeros incontrolveis e revertendo ao estado selvagem, a
estirpe se degrade.
Agora, gostemos ou no, os seres humanos precisam ser
controlados tambm no que diz respeito a nmeros. Se
houvesse um nmero excessivo de seres, ocorreria
inevitavelmente uma grande guerra, um desastroso
terremoto ou surgiria algum tipo de doena ou praga que
liquidaria grandes massas. Acontece nessas ocasies que os
Jardineiros da Terra rareiam as fileiras, cortam o nmero
excessivo de pessoas. Pessoas, afinal de contas, so apenas
animais de tipo diferente.
E no tocante s pessoas que literalmente gritam de agonia ao
pensar numa pessoa que come um pedao de carne, bem, o
que me dizem de comer uma alface viva? Se a pessoa come
carne de vaca ou uma galinha, o possuidor original da carne
j no pode sentir as mordidas. Mas as pessoas que comem
verduras vivas, ervilhas vivas, de que modo reconciliam isto
com seus chamados princpios humanitrios?
A cincia, cnica e cptica como possa ser, acaba de des-
cobrir que as plantas tm sentimentos, que crescem melhor
quando cuidadas por pessoas simpticas a elas. As plantas
reagem  msica. Existem instrumentos que indicam que
grau de dor a planta est sofrendo. Talvez voc no oua o
repolho guinchar de dor quando lhe arranca as folhas
externas. No, no ouvir porque o repolho no tem cordas
vocais, mas h instrumentos que registram o guincho sob a
forma de uma exploso de esttica.
Isto no  estria de fadas, mas fato real, fato investigado e
comprovado repetidas vezes em laboratrio de pesquisas da
Rssia, Estados Unidos e Inglaterra.
Quando vocs tomam alguns morangos e metem-nos na
boca, o que me diz dos sentimentos da planta? Vocs no ar-
rancam um pedao de carne de vaca e o enfiam na boca,
pois no? Se tentassem, a vaca protestaria sem demora. Mas
simplesmente porque as plantas no lhes podem mostrar
como sofrem, vocs se consideram uns humanitaristas
maravilhosos quando as comem, em vez de carne, que no
pode sentir a dor de ser comida.
Com toda franqueza, julgo os vegetarianos um bando de
excntricos e birutas e se abandonassem suas atitudes
estpidas e se lembrassem que os Jardineiros da Terra lhes
projetaram o corpo para certos alimentos, gozariam de
muito melhor sade mental.
Se vocs tm um carro, no esgotam o crter e o enchem de
gua dizendo que no poderiam, em hiptese alguma, usar
leo porque vem de alguma parte da Terra e magoa algum
que vive nas profundezas. Se voc tenta movimentar o
corpo com alimento para o qual ele no foi projetado, voc
est sendo exatamente igual  pessoa que no usa leo no
crter, preferindo gua salgada.
Se queremos ser lgicos e afirmamos que o vegetarianismo 
uma boa coisa, o que me dizem do costume de usar flores
cortadas como decorao? As plantas so entidades vivas e
quando as cortamos amputamos-lhes os rgos sexuais e os
colocamos em vasos. Os seres humanos, de sua parte,
ficariam chocados e infelizes se os seus rgos sexuais
fossem amputados e colocado em caixas para gudio de
alguma outra raa.
Deixem-me fazer uma digresso aqui e dizer que, quando
internado no hospital, tive uma surpresa muito agradvel.
Um grupo de senhoras muito bondosas da Costa do Pacfico
dos Estados Unidos enviou um telegrama a um florista na ci-
dade de Saint John, mandando que fossem entregues
algumas plantas no hospital. Apreciei muito o presente. As
citadas senhoras no mandaram o endereo, mas consegui
localiz-las!
Por questo de escolha pessoal, no gosto de flores cortadas.
Parece-me uma maldade cort-las. Em vez disso, prefiro
muito mais plantas inteiras. Neste caso, a pessoa tem uma
coisa viva que cresce e que no apenas morre. Amide,
penso em pessoas que enviam grandes buqus de flores. Ora,
isso  igual a decepar a cabea de criancinhas, impal-las em
varas e p-las na sala.
Vocs j pensaram por acaso em que estado se encontra esta
velha terra nossa? Numa imensa confuso, como sabem.
Comparam-na com um pomar. Se o pomar for devidamente
tratado, no haver ervas daninhas, as pragas sero
combatidas, no haver mangra nas rvores e as frutas se
apresentaro cheias e sadias.
As plantas tm que ser espaadas e, as doentes, removidas.
Vez por outra, as rvores precisam ser podadas e feitos
enxertos. E necessrio supervisionar atentamente o pomar e
impedir a polinizao cruzada entre espcies indesejveis. Se
o pomar for mantido como deve, ele se transformar num
recanto de beleza.
Mas deixem que os jardineiros vo embora e que o pomar
permanea em pousio durante um ou dois anos. As ervas
crescero, sufocaro e mataro as plantas mais delicadas, as
pragas descero e a manga aparecer nas rvores. No mais
haver frutas redondas e firmes e, antes de muito tempo,
elas se apresentaro murchas, enrugadas, pontilhadas de
pontos pardacentos. Um pomar abandonado  um
espetculo trgico.
Ou passemos do pomar para a criao de animais. Vocs j
viram por acaso pneis selvagens numa charneca ou gado
selvagem em pasto ruim? Diminuem de tamanho, alguns
deles sofrem de raquitismo, muitos aparecem com doenas
de pele. De modo geral, constituem um espetculo pattico,
pequenas criaturas ananicadas, mal cuidadas e selvagens.
Examinem agora um bem cuidado curral. Vero animais de
boa estirpe, cuidadosamente criados. Criados, de fato, de
maneira a eliminar os defeitos. Vemos cavalos ou vacas de
excelente pedigree. So sadios, de grande tamanho e boa
aparncia, parecem satisfeitos de viver, e podemos olh-los
com prazer sabendo que no se afastaro de ns apavorados.
Sabem que h quem cuide deles.
Agora, pensemos na Terra, nas populaes. A estirpe est-se
tornando dia a dia mais medocre. As pessoas adquirem mais
vcios, ouvem "msica" a mais depravada, assistem aos fil-
mes mais obscenos. No estamos mais numa era em que se
d valor  beleza e  espiritualidade, ningum escuta mais
boa msica, ama os belos quadros. Tudo isso est indo por
guas abaixo. No pode haver um grande homem sem que
aparea um dbil mental dizendo coisas cruis sobre ele. Um
dos maiores homens dos tempos modernos, Sir Winston
Churchill, provavelmente salvou o mundo de cair sob a
sombra do comunismo. Mas mesmo ele teve seus
caluniadores simplesmente porque o esprito do mal a tudo
satura na atmosfera dos dias presentes.
O jardim que  a Terra, que  nosso mundo, foi para o brejo.
As ervas daninhas crescem correspondentemente. Podemos
v-las nas ruas com o cabelo comprido e rostos sujos e, se
no podemos, no h dvida de que os ouvimos a metros de
distncia.
As raas precisam de poda, a estirpe precisa de sangue novo
e antes de muito tempo os Jardineiros da Terra aparecero
para a inspeo peridica e descobriro que so intolerveis
as condies reinantes.
Alguma coisa ser feita a esse respeito. No ser permitido
que a humanidade v para o brejo como tem acontecido
recentemente. Chegar o tempo em que todas as raas de
homens se uniro, quando no mais haver pretos, brancos,
amarelos, vermelhos. O mundo inteiro ser povoado pela
"Raa de Tan'' e a cor predominante ser  bronze.
Com o advento da Raa de Tan muita vida nova ser injetada
na raa humana. As pessoas daro novamente valor s
melhores coisas da vida, valorizaro as coisas espirituais e,
logo que a humanidade atingir um grau suficiente, ser-lhe-
possvel conversar mais uma vez por telepatia com os
"Deuses"  os Jardineiros da Terra.
Atualmente, o homem mergulhou no pantanal de desnimo,
na prpria falta de espiritualidade, caiu tanto que suas
vibraes bsicas foram reduzidas a tal ponto que ele no
pode ser ouvido telepaticamente por nenhuma criatura mais
adiantada, nem mesmo por seus irmos. Mas chegar o
tempo em que isso ser remediado.
No estou tentando convert-los ao budismo, ao cristia-
nismo, ou ao judasmo, mas digo categoricamente que ter
que haver um retorno a alguma forma de religio, porque
somente a religio pode proporcionar a necessria disciplina
espiritual que converte uma populao desordenada num
grupo disciplinado e espiritual de pessoas que podem levar
avante a raa, em vez de deixar que ela seja esmagada, e
colocado aqui um novo conjunto de entidades.
No atual estado de discordncia, at mesmo cristos lutam
contra cristos. Tomem o exemplo da guerra entre catlicos
e protestantes na Irlanda do Norte. No importa em absoluto
quem tem ou no razo. Ambos alegam ser cristos e
seguirem a mesma religio. O que importa quando uma seita
se benze com a mo direita e a outra com a esquerda? Tudo
isso nos lembra de uma das estrias de As Viagens de
Gulliver, em que os habitantes de um mstico pas foram 
guerra para decidir que extremidade de um ovo devia ser
partida primeiro, a menor ou a maior! Como pode o
cristianismo possivelmente tentar converter outras naes e
outras religies quando cristos lutam contra cristos, pois
isso  que so, catlicos e protestantes.

CAPTULO 10

NO SE PODE POLIR A GEMA SEM ATRITO
NEM APERFEIOAR O HOMEM SEM
PROVAES

O desjejum terminou logo. No  preciso muito tempo para
consumir apenas um ovo quente de cinqenta gramas, uma
fatia de po e cinco gramas de manteiga. As duas xcaras de
ch permitidas tambm no precisam de muito tempo para
"descer pelo cano".
O Ancio apertou o boto no lado esquerdo da cama, o
motor zumbiu e o cabeceira tomou numa inclinao de
quarenta e cinco graus.
	Oh!  disse Cleo com um sorriso.  Eu adoro quando
essa coisa sobe.
	Bem, eu tenho que trabalhar agora e vocs, diabinhas,
no mc perturbem novamente. Vocs se lembram da farra
que tivemos ontem, no?
A extremidade da cauda da Srta. Cleo contorceu-se de
divertimento e ela se dirigiu para o lugar costumeiro sobre o
peitoril do radiador.
	Que farra, ontem?  perguntou Ra'ab.  Eu no me
lembro de farra alguma.
O Ancio ergueu os olhos e disse:
	Eu tentei ontem trabalhar um pouco no livro, e a gorda
gata Taddy disse que eu no deveria faz-lo. Disse que eu
no estava com boa aparncia e, quando me recusei a parar,
ela repetiu a mesma coisa, subiu na cama e comeou a dar-
me patadas.
	Foi timo que ela tivesse feito isso  observou Ra'ab. 
Ela est apenas tomando conta de voc.
	Sim, claro que est, mas continuou a saltar sobre mim,
tentando empurrar as coisas para o lado. Tentou sentar-se no
meu peito para que eu no trabalhasse. E se eu no trabalhar
e terminar este livro quem  que vai pagar a conta do
mdico?
O Ancio pensou com grande tristeza em todas as pessoas
que ganham dinheiro  sua custa: Secker & Warburg, por
exemplo, publicou A Terceira Viso  oh, h mais ou
menos quinze anos, encadernado, e depois vendeu os
direitos a uma empresa de livros de bolso. E desde ento
Secker & Warburg recebe cinqenta por cento dos direitos
da edio em brochura. A mesma coisa acontece com a
Doubleday nos Estados Unidos. H outras editoras tambm
enfiando a mo e, como disse o Ancio, no  de admirar
que ele nunca tivesse dinheiro quando havia tantas pessoas,
incluindo os coletores de impostos, tentando tirar uma fatia
do dinheiro que ganhava.
O Ancio sempre pensou com o maior carinho na Gorgi, da
Inglaterra, porquanto, atravs de uma longa associao, nun-
ca houve o menor desacordo, nem foi trocada uma palavra
mais spera entre a Gorgi e ele. Pensava com grande afeto
no seu agente, Sr. A. S. Knight, da empresa Stephen Aske,
um homem estritamente honesto que sempre deu de si o
melhor e, como declarado, o Ancio sente grande afeto por
ele. E tudo isso ocorreu porque um antigo agente com quem
o Ancio tinha negcios disse-lhe: "Se conhece melhor
agente, procure-o." O Ancio fez justamente isso e
encontrou o Sr. Knight.
Mas chegara o momento de recomear o trabalho, de
transmitir mais algumas informaes a pessoas que as
apreciariam. O Ancio curvou-se sobre os papis. A gorda
gata Taddy levantou a cabea, olhou-o irritada e enviou-lhe
a mensagem teleptica errada:
	Nada de brincadeira, agora. Voc no pode fazer tudo de
uma vez s, e desta vez Cleo e eu saltaremos sobre a cama.
Tendo dito isso, enrodilhou-se confortavelmente e esperou
pelo que viria.
Muitas perguntas so feitas ao Ancio e ele recebe um
nmero enorme de cartas: pessoas querendo coisas, ajuda,
sugestes, embora a maioria deseje que ele concorde com
ela para que se sinta intimamente justificada. Um sem-
nmero de pessoas escreve-lhe sobre casos amorosos,
pedindo-lhe que escolha entre tal ou qual pessoa,
perguntando se seriam felizes no casamento e coisas assim.
A maioria, porm, no quer conselhos que impliquem o
menor esforo; elas querem apenas garantia de que se esto
portando satisfatoriamente e no precisam fazer mais coisa
alguma; que lhes diga que o destino as trata muito mal, que
merecem a mais profunda simpatia e que simplesmente
desistam e nao faam coisa alguma, porque no adianta lutar
contra o destino. Pode-se lutar, saibam, se for preciso.
As pessoas vm  Terra com um plano cuidadosamente
elaborado sobre o que pretendem fazer. Esto inflamadas de
entusiasmo e determinao e sabem exatamente que sucesso
esperam na prxima vida. Comeam a jornada como
cruzados, cheios de entusiasmo. Ao descerem  Terra e aps
alguns anos de experincia, a inrcia ou a letargia se
declaram, ficam desiludidas com a vida, o que constitui uma
maneira mais polida de dizer que ficam inteiramente
indolentes, o que  realmente a verdade. Tentam evitar
responsabilidades, ignorar o plano que elas, e elas apenas,
aprovaram, porque, lembrem-se, coisa alguma  forada, os
indivduos vm aprender certas coisas, experiment-las, mas
no so obrigados a isso. O mesmo acontece com o
estudante que se matricula na universidade. Ele no 
obrigado, no tem que aprender certas coisas a menos que
queira. Se no aprender, no obter as desejadas qualifi-
caes e isto  tudo.  dele a opo.
Pessoas pedem conselhos e orientao, garantem que os
seguiro fielmente, mas, de fato, continuam da maneira a
mais errtica, uma maneira que lembra tentar levar um
porco ao mercado. J viram um porco ser levado ao
mercado? No? Bem,  mais ou menos assim: voc precisa
de duas varas, uma em cada mo. Coloca-se atrs do porco e
tenta impulsion-lo para a frente. A vara de cada mo serve
para dar-lhe uma pancada se ele no se mantiver no curso
devido. Hoje em dia, claro, os porcos vo de caminho, o
que  muito mais fcil, mas o fato  que as pessoas tentam
fazer tudo, menos o bvio. No compreendem que a senda
est aqui, diretamente  frente e ao seu alcance. No
acreditam. Pensam que tm que viajar at algum pas extico
e l procurar a senda, que precisam ir ao Tibete, arranjar um
Mestre ou tornar-se budista. Se o nmero de pessoas que
alegam que tiveram lamas tibetanos como Mestres falasse a
verdade, bem, a populao do Tibete no seria suficiente. E
o nmero dos que me escrevem dizendo que vo ao Tibete
estudar numa lamaseria indica como so poucos os que
realmente compreendem o que lem. No podem ir ao
Tibete, os comunistas esto l, as lamaserias tm as portas
cerradas.  apenas tolice pensar que, porque uma pessoa est
inflamada de entusiasmo, pode saltar sobre os oceanos,
aterrar com estrondo em Darjeeling e seguir at a lamaseria
mais prxima sobre um tapete estendido. Para o que  que
vocs pensam que os comunistas esto l? Esto l para
acabar com a religio, liquidar todos os lamas, escravizar os
inocentes. E fazem isso porque parece no haver algum
capaz de tirar o povo tibetano do ermo, das trevas do
comunismo, e de conduzi-lo para a luz (da forma que
conhecemos) do mundo livre.
 preciso frisar novamente que, se pessoas pedem orien-
tao e conselhos e os ignoram, ficam, para comear, em
muito pior situao do que se no os tivessem solicitado,
porque, quando a senda lhes  apontada, quando lhes dizem
o que devem realmente fazer aps terem pedido sugestes,
bem, eles acrescentam um pouco mais ao carma se no as
seguem. Portanto, se no querem fazer coisa alguma sobre
seu estado na vida ou sua insatisfao, no peam conselhos,
pois, neste caso, estariam acrescentando mais peso  carga.
Eis aqui outra pergunta: "Aprendemos aqui e ali que o
trabalho para curar os doentes pode ser mal aconselhado,
interferindo no carma que o paciente procura desgastar, e
que o auxiliar pode, subseqentemente, ser sobrecarregado
pelo carma do doente. Se isso for verdade, o que me diz da
carga de carma que o mdico praticamente deve assumir?
Deve-se tentar, ajudar e curar, ou no?"
O pobre e velho carma leva uma sova novamente! Saibam
que nem tudo  devido ao carma. Dizem-me que devo ter
um terrvel carma para ter tido uma vida to difcil, mas o
caso no  esse, absolutamente. Dando um exemplo, se
vocs saem e fazem trabalho pesado, cavam uma vala ou
correm quilmetro e meio, isso talvez seja difcil para
algumas pessoas, mas vocs talvez o faam porque gostam
ou porque esto estudando alguma coisa. Talvez cavem um
buraco para ver se descobrem uma melhor maneira de abri-
lo.
Numerosas pessoas vm  terra com o plano especfico de
contrair uma doena especfica, talvez tuberculose, talvez
cncer, ou mesmo uma dor de cabea crnica. No importa
o que seja, a pessoa chega com um plano definido de
contrair uma doena especfica. Talvez venha como
mentalmente desequilibrada e faa trabalho extremamente
bom estudando os loucos. Porque  mentalmente doente
no se segue necessariamente que o indivduo esteja
sobrecarregado de carma. Ao contrrio, talvez venha estudar
em primeira mo os doentes mentais para, na volta ao Outro
Lado, ajudar no mundo astral os que sofrem na terra.
O mdico ou cirurgio situa-se numa categoria especial.
Podem ajudar, podem operar os que sem a operao
morreriam. O sofredor, se veio com a inteno de estudar
doenas, poder verificar de que modo pode ser aliviada a
molstia nesses casos.
Mas deixem-me fazer uma declarao: os denominados
"curandeiros" fazem um mal tremendo porque pem
vibraes em choque. Talvez estejam animados das
melhores intenes, mas lembrem-se de que a estrada para o
inferno est tambm pavimentada com elas, e a menos que
o curandeiro conhea a exata causa da doena  nocivo,
positivamente nocivo, iniciar prticas de curandeirismo. Elas
simplesmente provocam uma discordncia na aura, que,
com grande freqncia, agrava as coisas.
Nessas "curas milagrosas"  tristemente freqente que, em
primeiro lugar, a pessoa no tenha a doena, mas apenas
uma neurose. Certas pessoas podem enganar-se durante
anos, entrar em estado de auto-hipnose, sim, ter cncer,
tuberculose, todas as molstias possveis e imaginveis.
Neurticos vo  sala de espera de um mdico, ouvem
outros doentes comentarem os seus sintomas, copiam toda a
srie e contraem uma "doena" aps outra. Bem, se o
curandeiro aparece e "cura" uma delas, amide ocorre um
srio colapso depois. Para falar com franqueza, no tenho
nem tempo nem pacincia com os curandeiros.
O mdico qualificado,  claro, no acrescenta coisa alguma
ao carma por curar um doente. Este negcio do carma, alis,
 horrivelmente mal-interpretado. Em absoluto significa
que, se ajudam uma pessoa, vocs vo pr nas costas todas
os problemas dela. Significa, sim, que, se prestam um desser-
vio  pessoa, vocs tm que pagar. Se por maldade ou
temperamento violento, vocs, digamos, baleiam uma
pessoa e impedem que ela realize a tarefa que a ocupava,
vocs pagaro com obstculos no caminho. Esqueam tudo
sobre chamas do inferno e condenao eterna, porque no
existe nada disso, ningum  jamais abandonado, ningum 
jamais condenado a tormentos. O nico sofrimento e
tormento que experimentam ocorrem no momento em que
vocs entram no Sago das Recordaes e verificam que
coisas estpidas fizeram, mas essa sensao passa logo. Se
vocs do realmente o melhor de si enquanto esto na terra,
podem tranqilizar-se. Suas visitas ao Saguo das
Recordaes no sero experincias to ms assim.
Naturalmente, vocs enrubescero, mas isso no  motivo
de espanto, nem? Pensem nas coisas que fizeram e nas que
esqueceram.
Eis aqui uma pergunta sobre telepatia: "Poderia dar-me mais
algum detalhe a respeito dos meios de alcanar a oitava nota
para a telepatia entre os animais e o homem. De que modo
poderiam, por exemplo, ser interceptados os comprimentos
de onda dos gatos?"
Se querem conversar telepticamente com os animais, tero
que estar em rapport completo com eles, pensar como eles,
am-los, trat-los como iguais. A maioria das pessoas os
considera como espcies inferiores de vida, criaturas
estpidas que no podem falar e, por conseguinte,
destitudas de crebro. Deixem-me dizer-lhes que
numerosas pessoas pensam que os surdos so mentalmente
despojados. Se voc fosse surdo, ou se pensassem que ,
ouvi-los-ia discutindo sua pessoa e dizendo: "Oh, ele  um
pouco fraco da bola, no sabe o que estamos dizendo. No se
preocupe com ele."
Os animais so em tudo iguais ao animal humano. Tm
apenas formas diferentes, pensam segundo princpios
diferentes e, porque pensam, tm comprimentos bsicos de
onda diferentes.
Mas deixem-me fornecer-lhes outro tema para estudo:
podem vocs entrar em contato teleptico com outros seres
humanos? No? Sabem por qu? Ao longo dos anos os
homens desconfiaram uns dos outros e tentaram ocultar
seus atos. H sempre, mais ou menos, a inteno de burla. E
por isso mesmo, subconscientemente, vocs procuram fazer
com que o comprimento de onda de sua transmisso mental
discorde da transmisso de outros seres humanos para que
eles no lhes surpreendam os pensamentos. Se houvesse
autntico "amor fraternal" na terra, todo mundo podia
telepatizar entre si. Somente os seres humanos so privados
da capacidade teleptica, ou melhor, aqueles que no a
podem usar.
Falo com minhas gatas com tanta clareza e facilidade com
que falo cem qualquer ser humano. Falo com a Grande Gata
Gorda Taddykins e ela recebe minha mensagem com
absoluta nitidez e com igual clareza capto as dela. E amide a
Beldade Cleo vem correndo de outro quarto para tomar
parte na conversa. Como mulher, ela gosta de dizer a ltima
palavra.
Se querem falar telepticamente com os animais, precisam
am-los, trat-los como iguais, compreender que eles
pensam diferentemente, mas que no so menos
inteligentes por esse motivo.
Um ingls e um espanhol constroem as frases de maneira
diferente, mas o mesmo acontece no caso de franceses e
alemes. A mensagem bsica  a mesma, embora difira a
construo. Mais ainda entre homem e gato. Devem levar
tambm em conta que o ponto de vista de onde o gato
encara as coisas difere do dos homens. Assim, a menos que
pensem como gatos, a maioria das mensagens que
receberiam seria algo incompreensvel. Dando um exemplo,
recebi uma mensagem sobre algo que eu queria, isto quando
morava em Montreal. Consegui uma imagem viva da loja
onde o artigo se encontrava  venda, mas, naturalmente, a
imagem era a dos olhos de um gato, a apenas alguns
centmetros do cho. Desse ngulo especial no pude
simplesmente ler o nome das lojas em virtude do alonga-
mento extremo das letras vistas do nvel do solo. Somente
quando o gato, para fazer-me um favor especial, subiu sobre
a capota de um carro, li realmente o nome atravs dos seus
olhos. Sim, consegui o artigo, extremamente satisfatrio.
So muito numerosos os exemplos desse tipo. Eu desejava,
por exemplo, algo para umas pesquisas e nenhuma loja podia
fornec-lo. A Srta. Taddy, nossa gata altamente teleptica,
fez uma chamada geral no comprimento de onda dos felinos
e recebemos a desejada informao de um gato franco-
canadense. Aqui em Nova Brunswick recebemos a
mensagem de um gato da Provncia de Quebec e um
telefonema urgente localizou realmente o artigo que eu
queria. No tinha a mnima idia onde consegui-lo, mas,
entrando em contato com os gatos, logo depois entrei de
posse do artigo.
Tenho um amigo que mora a muitos milhares de quil-
metros e que, por mensagens telepticas, foi poupado de
srios problemas. A Srta. Taddy estava em contato teleptico
com um gato que mora nas proximidades de meu amigo.
Este gato, que  tambm um excelente telepata, informou a
Taddy de certas coisas. Entrei em contato com meu amigo e
dei-lhe a informao. Ele confirmou que as coisas se
passavam, na realidade, como eu dizia.
Se as pessoas praticassem telepatia, logo depois lanariam na
falncia as companhias telefnicas. Talvez eu e vocs nos
devssemos reunir e criar um sistema telefnico teleptico
especial e tornarmo-nos ricos, hem?
Eis aqui outra pergunta, possivelmente um pouco tardia e,
como a maioria das coisas neste livro, fora do lugar. Mas,
antes que a transcreva, quero dizer outra coisa:
Neste livro misturei deliberadamente as perguntas, pois, de
outra forma, muitas pessoas correriam para aquela pergunta
ou seo que as interessassem, ignorando o resto do livro.
Escreveriam, ento, para queixar-se de que eu no tratara
deste ou daquele assunto, que no leram porque se
esqueceram de virar a pgina.
Eis a pergunta: " o esprito que sobrevive, no? Bem,
quando a pessoa sofre de uma doena mental, significa isto
que  mais do que uma molstia fsica, algo que no ser
deixado atrs quando passarmos a outra existncia ou ficar a
pessoa automaticamente livre dela logo que o esprito sair do
corpo, da mesma maneira que no sentiria uma perna
quebrada, por exemplo, no plano astral?"
Muitas pessoas chegam  terra com uma doena mental
deliberada. Vm verificar, em primeira mo, o que significa
ser mentalmente desarranjado. Isto no significa, em
absoluto, que tenham carma adverso. No  nada disso.
Diramos, por exemplo, que um cavalo que corre com
handicap tem carma? Isto seria absurdo, no?
Sei que, em algumas corridas, os cavalos que ganham sempre
correm com o handicap de certos pesos, que, supostamente,
os retardam um pouco e do oportunidade aos outros
animais. Prestem ateno, pouca coisa sei a respeito de
cavalos e nunca descobri qual  o pedal de freio deles. Mas
sei qual  a frente e a retaguarda. A frente morde, e  preciso
evitar tambm a retaguarda por vrios motivos que no
preciso detalhar.
Cavalo algum seria acusado de ter carma por correr levando
pesos. De idntica maneira, nenhum ser humano poderia ser
acusado de incorrer em carma quando vem  terra com um
defeito ou disfuno deliberados de algum rgo. E se a
pessoa aqui chegasse como louco delirante isso no exerceria
o menor efeito sobre o corpo astral. A parte insana 
descartada quando o corpo astral "vai para casa".
Alm da classe de pessoas que chega com uma doena
deliberada para estudar, h aqueles que, por m sorte, so
prejudicados, talvez porque a me descuidou-se na dieta ou,
possivelmente, porque a parteira ou o mdico usaram mal os
instrumentos. Para fins de ilustrao, digamos que o mdico
usa instrumentos e lesiona o crnio. A pessoa poder ficar
com uma evidente debilidade mental em conseqncia da
leso. Mas no  necessrio que o carma da pessoa "pague-
lhe na mesma moeda". Pode ter sido um acidente, um
infortnio, nada mais. Tampouco significa que o pobre
mdico acrescente muito mais carma ao seu desde que
certas coisas so conseqncias de acidentes e se a pessoa 
vtima de um claro e inevitvel acidente ela no vai ser
sobrecarregada de carma. So muitas as ms interpretaes
sobre o carma.
A pessoa que chega e  lesionada devido a um infortnio
recebe "crdito" porque o fracasso no foi culpa sua. Se 
gravemente prejudicada, isto , se se torna o que chamamos
de vegetal humano, o corpo astral sair e fixar residncia
em outra parte e o vegetal humano continuar a vegetar por
todo o resto da vida, nem piorando nem melhorando.
No h meio conhecido pelo qual uma ao na terra possa
tornar inteiramente insana uma entidade astral. O mais perto
disso ocorre quando o indivduo toma txicos em doses
excessivas. Se os toma, a entidade astral  positivamente
afetada, no na extenso de tornar-se furiosa, naturalmente,
mas lhe ocasiona sria doena nervosa que s pode ser
curada numa permanncia muito longa num hospital astral.
Mais ou menos as mesmas condies prevalecem quando a
pessoa  um alcolatra inveterado, pois atravs da
embriaguez afrouxa os laos entre o astral e o fsico e
encoraja ativamente elementais de baixo grau a atacarem o
cordo de Prata ou mesmo assumir completo controle do
corpo fsico. Isto produz um severo choque no astral e,
muito embora no provoque a loucura, o choque  grande.
O choque seria igual ao que vocs experimentariam se
estivessem dormindo e um grupo de crianas turbulentas,
tocando tambores e cornetas, saltasse na sua cama. No digo
entrar simplesmente no quarto, mas realmente saltar na
cama. Vocs teriam um severo choque, empalideceriam, o
corao dispararia, teriam palpitaes e, em geral, tremeriam
da cabea aos ps. Bem, depois de terem dado uma surra nas
crianas e as expulso, passariam uma ou duas horas antes que
vocs se recuperassem inteiramente. Mas se o corpo astral
chegasse a esse estado, pelo alcoolismo ou uso excessivo de
txicos, vocs talvez precisassem de vrios anos no astral
para se recuperarem.
Isto me traz a outra pergunta, que  a seguinte: "Que histria
 essa sobre seres que vivem no plano astral e que, s vezes,
afetam o Cordo de Prata?"
Visualizemos as condies que prevalecem nestes casos.
Suponhamos que estamos sentados no alto de um edifcio,
talvez num belssimo apartamento de cobertura, com um
belo telhado ajardinado. Estamos matando tempo mas,
simultaneamente, mantendo contato com uma pessoa ao
nvel do solo. Contato, se quiserem, atravs de um par de
fios telefnicos ligados por fones e microfones conosco e o
mesmo equipamento com a pessoa que se encontra no solo.
Estamos captando suas impresses e escutando tudo o que
ela diz ou ouve. Os nossos fios so de tal ordem que podem
atravessar rvores e paredes sem serem perturbados, mas
podem s-lo por certo tipo de entidade.
L embaixo h uma turma de delinqentes juvenis, gritando
e correndo. Procuram segurar o fio telefnico e, quando o
agarram, tentam quebr-lo ou colocam-no mesmo soore
uma pedra e do-lhe violentas pancadas com outra pedra.
Embora no consigam quebr-lo, podem ocasionar grandes
danos e perturbao. Cria um caso tambm o pobre-diabo
que tenta falar e movimentar-se.
Vamos colocar isto agora em termos astrais. Estamos aqui na
terra  infelizmente  e nosso Cordo de Prata estira-se
at o mundo astral. Se somos fracos ou temos medo, isto ,
se nossa autoridade no  respeitada, qualquer elemental de
baixo grau, por cujo territrio passa nosso Cordo de Prata,
pode tentar agarr-lo e fazer com ele, ou tentar fazer, mais
ou menos a mesma coisa que as crianas tentaram com o fio
telefnico. Talvez no possam realmente tom-lo, mas
podem gravar nele sinais por induo magntica da mesma
forma que quando falamos num microfone ligado a um
gravador de fita. As mensagens que transmitimos so
gravadas magneticamente na fita que passa atravs do
cabeote do gravador. Suponhamos agora que estamos
fazendo uma gravao. Procuramos pronunciar as palavras
com a maior clareza, fazendo nossa melhor composio,
muito orgulhosos do que estamos conseguindo, quando
algum chega furtivamente por trs e grita: "Buuuu!" O som
causa perturbao, abala-nos consideravelmente e nos irrita
quando ouvimos novamente a gravao.
Se as crianas respeitam a pessoa  e para isso precisamos
literalmente apavor-las  no faro coisas tais como tentar
gritar no microfone. Da mesma maneira, precisamos com
absoluta e total clareza demonstrar que no temos uma
migalha de medo dos dementais. Os dementais se esforam
para amedrontar os humanos que viajam astralmente.
Incham, armam as piores caretas e soltam os gritos mais
estranhos que se poderiam imaginar. Na verdade, o baixo
astral, o mundo dos dementais, parece muito com a
enfermaria dos loucos furiosos de um hospital da terra. No
obstante, contanto que se mantenha a disciplina, e isto 
fcil, e contanto que no tenhamos medo desses elementais
estpidos, o que  mais fcil ainda, no h motivo algum de
preocupao com a interferncia de entidades astrais.
Lembrem-se de que coisa alguma pode perturb-los, agit-
los ou feri-los a menos que tenham medo. Se ficarem
apavorados, o prprio estado de medo, e isto
exclusivamente, perturba os elementos qumicos de cada
um. Se a pessoa sente um grande medo, isto lhe prejudica a
digesto no fsico, e  tudo. Na realidade, no pode ser
ferida, nem mesmo perturbada, caso se recuse a ficar
amedrontada ou intimidada.
Tenho aqui outra pergunta, feita por uma me. Diz ela:
"Quando as crianas seguem para o Outro Lado elas crescem
ou permanecem crianas? Como  que os pais reconhecem
os filhos? Crescem elas diante de seus olhos?"
Me, no, no lhe mencionarei o nome porque no lhe pedi
em tempo e nunca menciono nomes exceto com autori-
zao da pessoa. Assim, me, respondo-lhe que confundiu
toda a questo. Agora, leia isto, cuidadosamente. Pessoas
esto no Outro Lado, isto , no astral. No so crianas nem
ancios: so apenas o que se poderia chamar de mdia, idade
indeterminada, porque no Outro Lado os anos so
diferentes. Mas, de qualquer modo, essa pessoa, um adulto,
digamos, resolve voltar  terra. No pode voltar como adulto
desenvolvido, certo? Tem que percorrer os trmites:
habituais, digamos, vai dormir e, quando acorda, est no ato
de nascer.
Cresce um pouco e, digamos para os fins deste exemplo,
quando tem  que idade escolheremos?  v l, dez anos,
morre e  enterrado. O astral  libertado do corpo e volta
para o Outro Lado onde diz, com efeito: "Bem, foi uma
estada curta, graas a Deus. Agora, o que  que eu vou fazer
em seguida?" No Outro Lado no  mais criana, mas,
suponho que, por algum motivo muito importante, precise
entrar em contato com os que foram seus pais na terra, no
seria bom dar-lhes uma impresso como adulto, talvez mais
velho do que os pais. Assim, grava no subconsciente deles
uma viso de si mesmo como criana e os amantssimos pais
rejubilam-se ao ver o esprito do filho de dez anos, que veio
l do cu para dizer: "Ei, pessoal", ou outra coisa qualquer.
So muitos os casos autnticos de pessoas que se
materializaram aqui na terra por algum motivo especial e,
naturalmente, se querem ser reconhecidas, e isto, afinal de
contas,  a principal razo para7 se materializarem, tm que
faz-lo num padro facilmente reconhecvel pelas pessoas
que os conheceram antes da morte. Ele sempre aparece mais
belo do que uma criana terrena e isso enche de jbilo o
corao dos pais.
Se os pais realmente amam "o filho", podem encontrar-se no
astral. Inicialmente, a "criana" aparece exatamente dessa
forma, como filho idntico ao que morreu na terra e
renasceu no astral. Mas to logo os pais podem reconhecer
isto, o "filho" reaparece como seu eu natural.
Lembrem-se de que, embora tenham um pai e uma me
nesta vida, eles no so necessariamente os mesmos que
tero dentro de seiscentos anos. Vocs podem ter sido pai
ou me, dependendo do sexo, naturalmente, em uma vida
anterior. Na verdade, as pessoas na terra so como atores
que entram no palco; vestem-se para se adaptar ao papel que
iro representar. Assim, se uma entidade tem que aprender
alguma coisa como mulher, seria intil que descesse  terra
como homem. Aparece, portanto, como mulher, e mulher
numa classe que lhe permitir aprender o que quer.
"Eu gostaria de saber por que tantas pessoas vm para este
mundo pela primeira vez c encontram fome, pobreza,
injustia, etc., quando no tm dbitos anteriores. Neste
caso, a justia crmica seria injusta com eles."
Bem, tm de vir de qualquer forma, no?  impossvel 
pessoa que vem  terra pela primeira vez chegar como rei ou
rainha. Podemos cham-los de "os novatos". Os novos
alunos numa escola, e vocs sabem disso, tm um tempo
difcil  maioria das vezes. So habitualmente explorados
pelos mais velhos e at que tenham "ganho direito 
entrada" tampouco so necessariamente populares com os
mestres.
Se a pessoa comea como aprendiz, recebe os piores tra-
balhos, tais como limpar as ferramentas, espanar o equipa-
mento, varrer o cho, e tudo mais. E como so apenas
aprendizes, no ganham muito dinheiro e podem mesmo
passar fome algumas vezes. Isto no implica em dizer que a
culpa  do carma com que vieram, pois chegaram  terra
pela primeira vez e no tm l muito carma, certo?
Mas todos temos de comear em algum lugar. Chegando 
terra pela primeira vez, a pessoa nasce quase sempre como
membro de alguma raa selvagem, uma tribo realmente
atrasada, onde lhe aparam arestas e recebe algum
treinamento, por mais rudimentar que seja, sobre a maneira
como vivem os seres humanos.
Nunca se ouviu falar de pessoa que tenha tido a primeira
encarnao na, digamos, Europa ou Amrica do Norte.
Talvez surja como membro de uma das selvagens tribos
atrasadas da frica ou Austrlia, um desses lugares onde a
denominada civilizao mal chegou ainda. Neste caso, ela
ter de viver segundo o equipamento que traz, isto ,  de
boa ou m natureza? Se for o primeiro caso, sai-se muito
bem. Se for tipo desagradvel, no se dar bem em sociedade
alguma. Como vem, mesmo nas tribos muito selvagens,
uma pessoa de boa natureza aproveita mais do que outra m.
Mais tarde, a pessoa encarna em sociedades cada vez mais
adiantadas. Por essa altura, claro, ela adquiriu um pouco de
carma, no apenas contra, mas tambm a favor. Um nmero
enorme de pessoas tem a idia muito tola de que carma 
sinnimo de castigo, o que no , absolutamente.
Assemelha-se mais a uma conta-corrente bancria. Se voc
faz o bem a uma pessoa, pe dinheiro no banco. Se lhe faz
mal, retira e incorre em dbito. Se est em dbito tem um
mau carma. Se tem dinheiro, tem saldo credor e isto  bom
carma. Se tem bom carma, pode fazer as coisas que quer e
tambm viver do bom carma enquanto no fizer trapalhadas
demais, e o bom carma ou saldo credor desaparecer e voc
entrar em dbito, caso em que ter que trabalhar para
liquidar a dvida.
"Dizem que reencarnamos muitas vezes e que o tempo que
passamos no plano astral varia de acordo com o grau de
evoluo que alcanamos. O nmero de pessoas, tudo
indica, ter que declinar ou estabilizar-se no futuro. Neste
caso, o que acontecer s almas que no podem descer a este
mundo material para continuar as reencarnaes? Ou tero
que permanecer no astral por mais tempo do que o carma
realmente permite?"
Temos novamente, vem vocs, esta histria sobre o mau
carma. Ningum tem que reencarnar por causa do carma.
Reencarna porque quer aprender algo mais. Ningum vai
necessariamente ao colgio para saldar uma dvida. Vai
porque quer aprender alguma coisa. Da mesma maneira,
vocs vm  terra porque querem aprender algo. Se
quisessem resgatar o carma, no astral poderiam faz-lo. H
muito a fazer ali e ao praticar o bem vocs o resgatam, muito
embora se l permaneceram. . . bem, vocs continuam a ser
"o que eram" e so talvez desistentes da escola da terra. Se
quiserem progredir mais, voltem  terra e aprendam algumas
lies adicionais de dureza, tolerncia, pacincia e tudo
mais. Entendam bem isto: no voltam  terra simplesmente
porque algum lhes diz que tm que vir, ou vm e sofrem
porque se comportaram mal. Vm aprender e, se as
condies so um tanto difceis, no adianta pr a culpa no
bom e velho carma. So vocs mesmos que decidem, as
condies so vocs que escolhem.  excessivo o nmero
de pessoas que sente uma satisfao especial em dizer: "Oh,
no pude evitar. Meu carma era contra."
Claro que h carma, mas tambm, claro, h contas bancrias.
Se tm alguma coisa para vender ou algo que outros querem,
ganham dinheiro. Se outras pessoas possuem algo que
querem, vocs tm que pagar por ela e isto significa que
gastam dinheiro. De idntica maneira com o carma, se
praticarem o bem, vocs depositam bom carma, mas se
fazem mal ao prximo, perdem o bom carma e adquirem um
carma ruim que ter de ser resgatado em algum tempo e em
alguma parte, e no necessariamente nesta terra. Lembrem-
se de que h um bocado de mundos diferentes. Vocs iro
para eles da mesma forma que, na escola, passam de classe a
classe ou de grau em grau.

CAPTULO 11

 PRECISO CONSERVAR A BOCA ABERTA
DURANTE MUITO TEMPO ANTES QUE PARA
ELA VOE UMA PERDIZ ASSADA

O Ancio bufava, preocupado. Tantas cartas, tantas per-
guntas. De que modo colocar num nico livro respostas que
realmente ajudassem as pessoas, pois tal  a finalidade de um
livro, no? Ajudar ou divertir. E isto no  um livro de
estrias em quadrinhos. Tem a inteno de ajudar e,
portanto, passemos  primeira pergunta.
"No entendo perfeitamente essa coisa do carma. Ento tudo
o que fazemos afeta outra pessoa, no? Se  assim, todos ns
devemos acumular um volume enorme de carma sem saber
por qu."
Ora, isto no  absolutamente verdade. As pessoas tm as
mais estranhas das idias sobre o carma. Talvez no tenham
lido meus livros com a devida ateno. s vezes, recebo
carta, de uma pessoa que escreve cheia de alegria: "Oh, Dr.
Rampa, li A Caverna dos Antigos na noite passada e agora
vou ler Captulos da Vida. Consegui ler Voc e a Eternidade
em duas horas." Ora, isso  apenas uma perda de tempo. No
traz benefcio algum ao leitor nem ao autor quando sabe que
seus livros so lidos com essa superficialidade. A inteno
destes livros  a de serem manuais de estudo. O carma 
assunto de vital importncia para todos ns e em meus livros
vocs tm oportunidade de aprender tudo o que existe sobre
o assunto. Significa, em curtas palavras, que se vocs
praticam o mal, vocs pagam. Se vocs praticam o bem,
algum lhes paga por isso. Como disse antes, assemelha-se a
uma conta bancria. Vocs so como um dono de loja que
tem boas e ms mercadorias em suas prateleiras. Se vende
algo bom,  pago e sua conta aumenta; se vende algo mau, 
pago com cheque sem fundos. Agora entendam bem isto: o
que vocs fazem no tem necessria e automaticamente
efeito sobre qualquer outra pessoa ou criatura. Tudo
depende inteiramente das circunstncias. Se, por exemplo,
vocs apanham uma adaga e a enfiam numa pessoa, no
esto, por certo, praticando, um bom ato. Neste caso, vocs
tero carma adverso. Mas se fazem algo que produziu um
efeito nocivo sobre uma pessoa que nunca viram, um efeito
que, por certo, no esperavam, vocs no tero de voltar e
compensar a pessoa. Aconselho-os, portanto, a lerem meus
livros com mais ateno e aprendero muito mais sobre o
carma.
Pergunta: "O que  que estamos fazendo aqui, afinal de
contas? Quando sairmos daqui, qual o nosso objetivo? Acho
que no  somente o de matar o tempo no astral. O que 
que realmente desejaremos fazer no fim?"
O Eu Superior em si no pode experimentar desejo,
sofrimento, prazer, etc., tal como os conhecemos na terra e,
portanto,  necessrio que disponha de outro mtodo de
reunir conhecimentos. As pessoas na terra so simplesmente
extenses suas, com essa finalidade. Suponhamos que temos
um saco, que no podemos entrar nele e nem ver-lhe o
interior. Se puderem abri-lo o suficiente para introduzir 
mo, que  uma extenso dos outros sentidos e tentear o
interior do saco, vocs podero "dizer" ao crebro o que se
encontra dentro. De igual maneira, o Eu Superior rene
informaes atravs das extenses chamadas de seres
humanos.
Logo que o Eu Superior rene conhecimentos suficientes e
est to avanado que no deseja aprender mais coisa alguma
sobre o ciclo terreno, recolhe os tteres, ou seres humanos,
que se fundem com ele e entram em "Unicidade". Trata-se
da ltima forma de existncia, porque, muito embora parea
ser apenas uma entidade, cada parte vive em rapport com as
demais. Vocs, na certa, j ouviram falar de almas gmeas.
Bem, no plano terreno  impossvel que almas gmeas se
renam. Ao voltarem ao Eu Superior, as almas gmeas o
fazem e formam um todo perfeito. Vivem em estado de
grande felicidade at que ocorre ao Eu Superior que talvez
haja uma forma ainda mais alta de conhecimentos que
poderia ser investigada. Neste caso, ele envia os tteres, no
no plano terreno, mas a outro, superior, repetindo-se todo o
ciclo. Os tteres renem conhecimentos atravs de um
perodo que para ns seria de idades incontveis. E mais
uma vez, quando experincia ou conhecimentos suficientes
so reunidos, o Eu Superior chama os tteres, as almas
gmeas se renem mais uma vez em estado ainda mais
profundo de felicidade.
Eis aqui agora uma pergunta da Srta. Newmann. Diz ela: "De
que modo podem ser destrudos os animais para que a morte
seja indolor e no haja prejuzo para seus corpos astrais?"
A melhor forma  injetar-lhes alguma droga que os leve a
perder a conscincia. Em seguida, o mtodo de liquidar o
animal no tem tanta importncia porque no haver dor. Se
ele for inicialmente tornado inconsciente, pode ser morto
por alguma droga de efeito rpido e isto no causa dor ao
astral nem ao Eu Superior. H sofrimento para o astral
apenas quando o fsico  atormentado na morte lenta.
Bem, agora temos aqui algo importante, uma pergunta de
um jovem que chamaremos "Argie". Ele se reconhecer por
esse nome. Trata-se de um jovem notavelmente brilhante,
mas que  tambm seu pior inimigo. Possui talentos
realmente incomuns e no os usa com maior proveito
porque quer rebelar-se contra toda autoridade. Argie teve
momentos difceis, quase sempre por culpa sua.
Responderemos s duas perguntas de Argie. A primeira:
"O gnio em criana. De que modo uma criana se torna um
gnio?"
Na maioria dos casos, a entidade no Outro Lado, antes de
voltar  terra, percebe a existncia de alguma tarefa
importante e especfica. Compreende que aps certo
nmero de anos, ela (a entidade) poder ter que ir embora e
que, talvez, possa deixar um "encarregado" em seu lugar. Faz
ento os seus planos para voltar  terra e nascer num corpo
com a memria e a capacidade de fazer o que quer. A
entidade, por exemplo, pode resolver que algo precisa ser
feito sobre uma certa forma de msica e, portanto, desce
com uma memria quase intata. Neste caso, logo que fala e
se move por iniciativa prpria, a entidade descobre que pode
compor e tocar. Dizem, ento: "Temos um gnio, temos
uma criana prodgio." Na maioria das vezes, a pobre criana
 posta na frente de uma cmara de cinema ou coisa assim,
ou lanada num palco para ganhar dinheiro para pessoas que
no sabem o que  que est havendo. E a criana trabalha
tanto, ganhando dinheiro que a memria herdada morre aos
poucos.
Nos casos em que no h espetculos de teatro ou de ci-
nema, a criana pode tocar divinamente e compor msica
refinada. Ao alcanar certa idade, digamos vinte anos, a
entidade percebe que a tarefa est cumprida e deixa que
outra entidade assuma o comando, enquanto ela, a ocupante
original, continua sua marcha. Chama-se a isso de
transmigrao das almas, acontecimento muito mais comum
do que se pensa.
A segunda pergunta de Argie  a seguinte: "Por que os
negros raramente precisam ser ensinados a tocar
instrumentos musicais?"
Os negros constituem um tipo especial de gente. Suas
vibraes bsicas so de tal ordem que vivem "em compasso
com a msica das esferas". Amide, o negro pode cantarolar
msica que nunca ouviu, apanhar um instrumento musical e
toc-lo, porque tal  sua constituio bsica.
Existem certas classes de pessoas, como os europeus do
Norte, que so muito frios e analticos. Frigidas nas suas ati-
tudes. Tal a constituio delas. J os latinos tm constituio
mais calorosa, riem com facilidade e no demoram a
espalhar uma piada. Percebem o lado engraado das coisas
 em especial se o infortnio acontece a outras pessoas.
Pois assim so feitos.
Os negros tm tido h muitos anos uma vida difcil, uma
vida de perseguio, e a nica coisa que os sustentou foi a
constituio musical, a capacidade de obter conforto e alvio
com a "msica religiosa". Tais atitudes fazem parte de seus
direitos inatos. So parte de sua herana, de sua constituio
bsica. Os negros so habitualmente muito musicais porque
tm uma freqncia bsica de tal ordem que,
subconscientemente, captam msica de outras fontes de
maneira muito parecida com o pobre homem que usa um
aparelho contra surdez e que, s vezes, capta as transmisses
do rdio da empresa de txis local!
Bem, continuemos. Eis outra pergunta: "Sou me carinhosa
de um garoto de cinco anos, e seus livros, autnticos em-
bora, amedrontam-me quando penso no que meu filho e
todas as crianas tero que sofrer em virtude de
acontecimentos que no podem controlar. Penso nele
reduzido a pedaos por bombas atmicas e situaes
horrendas como essa. As linhas em ambas as suas mos so
abruptamente interrompidas  idade de mais ou menos trinta
ou quarenta anos. Posso encontrar algum consolo em seus
livros no que diz respeito  minha morte, mas jamais houve
me, de qualquer religio, que se tenha rejubilado com a
morte do nico filho?"
Ora, a senhora est pressupondo que seu filho ser
inevitavelmente morto ou mutilado numa prxima guerra,
mas lembre-se de que, se lhe der uma boa educao e o
deixar especializar-se em certas disciplinas, ele poder ser
um dos que sero protegidos. Entristece que a "carne para
canho" seja habitualmente a pessoa de substituio mais
fcil, ao passo que, se o indivduo for um especialista til ao
pas, ele ser protegido. D ao seu filho, portanto, uma
educao realmente boa. E, no tocante s linhas da mo,
tranqilize-se. Se elas so as nicas indicaes do trmino da
vida do seu filho, nada significam, exceto, possivelmente,
mudana de carreira. Nunca acredite como final que a morte
ocorrer a menos que existam sete indicaes
confirmadoras. Com grande freqncia, os quiromantes so
culpados de negligncia criminosa ao dizerem que a pessoa
vai morrer, etc., etc., quando as linhas sugerem apenas que
ela vai mudar de emprego ou de local.
"O senhor sempre alega que a morte e a ps-morte so
indolores  parte o sofrimento causado pelo julgamento que
fazemos de ns mesmos, mas o Barbo Thodol e,
especificamente, o Chonyd dizem que o sofrimento ser
atroz."
O Bardo Thodol no foi escrito em ingls. Foi traduzido para
esse idioma por algum cristo covarde que alterou um pouco
as coisas para ajust-las  crena crist no inferno e na
danao eterna. No h inferno nem danao. Isto  apenas
uma interpretao errnea, nutrida pelos sacerdotes para
fortificarem o prprio poder, mais ou menos da mesma
maneira que pais mal orientados ameaam os filhos de
chamar o guarda se eles no se comportarem. Claro que no
ficamos felizes quando julgamos a ns mesmos. Realmente,
di quando vemos que grandes estpidos fomos. O desprezo
por si mesmo pode ser coisa infernal, realmente, e justificar
bem a descrio de "chamas do inferno". Como pessoa
dotada de capacidade total de recordao, afirmo-lhe,
categoricamente, que no h tortura, nenhuma dor atroz,
nenhum insuportvel sofrimento.
"No renasceram ainda os espritos que assombram velhas
casas?"
Os espritos que assombram as casas nada tm a ver com as
entidades correntes. Uma pessoa, por exemplo, morre em
circunstncias trgicas. Muita energia  gerada na ocasio e a
pessoa pode seguir para um plano completamente diferente,
e mesmo renascer, enquanto a energia dissipa-se
gradualmente sob a forma de assombraes. Acontece a
mesma coisa quando se aquece um pedao de metal. O calor
permanece durante muito tempo, aps ter sido removida a
fonte de calor, embora se dissipe gradualmente. Agora,
pensem nisto:  muito possvel que a energia da pessoa que
morre em circunstncias extremamente difceis transforme-
se em forma de pensamento que assombra o lugar, e talvez
mesmo assombre a encarnao recm-nascida que
ocasionou todo o problema.
"Renascem os seres humanos algumas vezes como animais?
O Bardo parece muito incoerente sobre o assunto, ou ser
que fui eu que no compreendi?"
No, os humanos jamais renascem como animais e os ani-
mais nunca como humanos. Coisa alguma que vocs fizerem
pode transformar um repolho numa vaca nem um
rinoceronte numa rosa. Mas j tratei extensamente deste
assunto em pginas precedentes.
"O que  a fora nervosa, por falar nisso? Qual o proveito de
falar-nos em fora nervosa se no temos idia do que ?"
A fora nervosa  a energia que gera o etrico. Devidamente
dirigida, pode girar um cilindro de papel, como digo em um
dos meus livros. Todos os seres, animais ou humanos, so
geradores de eletricidade. A prpria terra tem sua fora
magntica, ou campo magntico, se preferem cham-lo
assim. E da mesma forma que um programa de rdio precisa
de uma onda transmissora para conduzi-lo, assim o humano
precisa de um etrico, que consista de fora ou energia
nervosa, que propaga a aura. Esta, por seu turno, origina-se
de certas cdulas do crebro. O alimento que ingerimos
entra no sangue. Parte dele, bem misturada com oxignio,
dirige-se para certas clulas cerebrais altamente
especializadas e fornecem nutriente para gerao de uma
corrente eltrica, que aciona o pensamento atravs de
impulsos. A isto chamamos de fora nervosa.  Se acham
difcil de acreditar, lembrem-se de que podem adquirir um
aparelho que consiste de uma caixa de zinco, alguns pro-
dutos qumicos e um basto de carbono no interior. Se o
ligarem a um pedao de fio no interior de um bulbo de
vidro, do qual tenha sido retirado o ar, faz-se luz, luz
eltrica. Consegue-se eletricidade, portanto, com uma
reao qumica. Nos seres humanos, a eletricidade 
fornecida pela reao qumica ocasionada pelos alimentos
que ingerimos.
Tenho uma carta aqui do Sr. H. que escreve: "Juntei 
presente duas perguntas a que o senhor talvez queira
responder. Interessa-me muito a resposta  pergunta
nmero um, e gostaria que fosse to completa quanto
possvel. Alm da questo da responsabilidade pessoal, que
considero muito importante, estou confuso com a questo
de identidade pessoal. Isto realmente se resume na definio
da palavra "eu". Conquanto compreenda que, de vrias
maneiras, "eu" no sou o mesmo "eu" que era h vinte anos
e, presumivelmente, no serei o mesmo dentro de mais
vinte, conservo o sentido de identidade entre os vrios
"eus".
"Apesar disso, se o Eu Superior pode lidar com dez tteres, o
que acontece ao sentido de "eu" quando todos os tteres
morrem? Continuar o Eu Superior a usar dez tteres astrais
e, levando o pensamento ao futuro, o que suceder se os dez
tteres conseguirem libertar-se?"
"Num sentido mais particular, muitas vezes me perguntei
por que lhe foi necessrio escolher uma rota to tortuosa
para a sua viagem ao Ocidente. No lhe teria sido possvel
freqentar uma universidade na ndia ou na Europa e no
poderiam fundos terem sido depositados no Ocidente para
seu uso? Muitos dos seus problemas parecem ter sido
causados por falta de dinheiro."
Bem, Sr. H., vejamos o que podemos fazer para lhe res-
ponder s perguntas. Na verdade, acho que a maioria j foi
respondida neste ou em livros anteriores, mas deixe-me
escrever-lhe uma carta imaginria.
"Prezado Sr. H. O senhor est realmente confuso, no? A
maior parte de sua confuso nasce do fato de que temos de
escrever em termos tridimensionais e de tentar descrever
como opera um Eu Superior , digamos, em nove planos
dimensionais de existncia."
"Diz o senhor pensar que o ttere perde a identidade pessoal.
Mas, se pensa assim, pode ficar certo de que este no  o
caso."
"Examine o assunto da seguinte maneira: esquea tudo mais
fora do corpo e suponha para os fins de explicao que o
corpo  "compartamentalizado". O crebro, neste caso,
representa o Eu Superior e todo mundo sabe que o crebro
dirige as mos, os dedos, etc. Os dedos representam os
tteres. O crebro pode sugerir que faam alguma coisa. Os
dedos, porm, so ainda entidades, ou indivduos separados,
se quiser, e podem sentir que se tornam extremamente
hbeis. De fato, em certas ocasies parece que trabalham por
iniciativa prpria.
"O corao  outro mecanismo que no pode ser controlado
(salvo em casos anormais) pelo crebro-Eu Superior,
porquanto se o crebro, representando o nosso Eu Superior,
ficasse irritado, poderia concebivelmente interromper as
batidas do corao, o que destruiria todo o mecanismo do Eu
Superior e dos rgos-tteres. O Eu Superior proporciona a
substncia com a qual  feito o astral humano. Cada entidade
ou corpo humano exerce pleno controle e tem inteira opo
de ao, contanto sempre que tal ato no ponha em perigo o
Eu Superior-organismo humano."
"Imagine uma grande empresa com numerosas filiais. O
senhor sabe que ela tem um Presidente do Conselho.
Existem numerosos chefes de departamento, muitos
gerentes gerais  frente das filiais distritais, todos os quais
agem sob a prpria responsabilidade, enquanto observam a
estrutura da poltica da empresa. No precisam contar ao
Presidente da Junta de Diretores cada pequeno caso nem
telefonar-lhe a todo momento para consult-los sobre
decises que podem tomar."
"O Presidente da Junta dos Diretores representa o Eu Su-
perior e os chefes de departamento e gerentes so os
tteres."
"O senhor pergunta o que acontece quando os tteres
morrem, se o Eu Superior, privado dos dez tteres, fica
imobilizado. Quero fazer-lhe uma pergunta: o que acontece
se um dos gerentes de filial se aposenta ou  dispensado por
algum motivo? A empresa ou a filial no fecha. Em vez
disso, um novo gerente, ou ttere,  nomeado. E, de
qualquer maneira, neste captulo, e possivelmente no
captulo anterior, j discuti o modo como os tteres voltam
ao Eu Superior."
"Sim, eu poderia ter tomado o caminho fcil. Poderia ter
entrado numa universidade, cercado de sacos de ouro, mas
responda-me, Sr. H., que tipo de conhecimento teria eu
ganho? Eu seria o reflexo dos conhecimentos de outras
pessoas, parte do qual , reconhecidamente, incompleto.
No teria o conhecimento da vida que tenho hoje, e que 
muito doloroso quando se o experimenta. Pode ficar certo
disso. Pessoas que se matriculam na universidade e tudo
aprendem da maneira fcil meramente absorvem as opinies
dos demais em pginas impressas que talvez estejam anos
desatualizadas. Na universidade, o aluno talvez no ouse
contestar as idias de outra pessoa. Aprende-se que 
impossvel fazer certa coisa, salvo da maneira especificada
no manual. Mas o fato  que pessoas que no freqentaram a
universidade simplesmente vo em frente e, de qualquer
modo, fazem o impossvel."
"Royce, da Rolls-Royce, Edison, Ford, e milhares de outros
homens muito inteligentes no estudaram em universidades
e, portanto, no sabiam que a coisa que queriam fazer era
"impossvel", no sabiam que o era porque careciam de
educao (!) para ler os livros que constituem, realmente,
opinies de outras pessoas. E, assim, Roy, Edison, Ford e
outros foram em frente e inventaram as coisas que os
manuais consideravam "impossveis". O estudo na
universidade, em conseqncia, pode ser uma
desvantagem."
"Isto deve ter-lhe respondido a algumas das perguntas, Sr.
H., e tenho a esperana de que seus pensamentos estejam
agora um pouco mais calmos."
Pergunta outra pessoa por que temos doenas e de que
modo seria possvel diagnostic-las atravs da aura. Bem,
doenas so de origem interna ou externa. Quando vm de
fora, um germe ou vrus pode ser contrado com outra
pessoa e o corpo no tem "culpa" se adoece.
Quando temos um caso de doena de origem interna, isto ,
quando a doena se origina dentro, os elementos qumicos
do corpo so afetados porque tudo deriva do pensamento,
entrando em ao aquilo que os eletricistas chamam de fora
eletromotora. O pensamento  um impulso eltrico. Ao
pensarmos, geramos eletricidade. A eletricidade, destarte, 
a fora eletromotora que pe em funcionamento os
msculos ou mesmo altera a qumica orgnica. Se a pessoa se
sente frustrada, preocupada, triste, irritada, etc., ou  vtima
de uma emoo anormal, os pensamentos geram uma
corrente eltrica defeituosa. Talvez no tenha a necessria e
correta forma de onda e, porque  defeituosa, envia
mensagens erradas s glndulas, cujas secrees se
modificam para lidar com os pensamentos e mensagens
errneas ocasionadas pelos pensamentos errneos. Aps
algum tempo, a parte mais susceptvel  afetada pelas secre-
es alteradas ou mudado o equilbrio qumico do corpo.
Talvez sejam afetados os msculos e a pessoa sofrer, talvez,
de distrofia muscular ou talvez seja algo nos ossos, quem
sabe, artrite, ou, se a mensagem errnea causar perturbao
no estmago, os sucos gstricos podem tornar-se cidos
demais, excessivamente fortes, e aparecer uma lcera. Mais
perto ainda, se as mensagens so demasiado localizadas e
afetam o crebro, pode surgir um tumor cerebral.
Se o aspecto qumico pode ser estudado, poder ser
igualmente corrigido por tratamento hormonal ou algum
outro tratamento apropriado, curando-se a doena se
diagnosticada em tempo. Se leses extensas demais j
apareceram, no podero ser curadas, embora possam ser
aliviadas. Para comear, a pessoa deve corrigir a situao ou
emoo que ocasionou o dano, desenvolvendo um ponto de
vista mais equilibrado, controlando as emoes, ou criando
um novo conjunto de circunstncias, tais como um novo
emprego, um novo companheiro, etc.
Tudo isso pode ser visto na aura. Tudo que acontece no
corpo transparece na aura. Examinar a aura, assemelha-se a
observar uma imagem de radar. Podem-se ver terras ou
perturbaes atmosfricas muito alm do alcance da viso
comum.
Seja a molstia de origem interna ou externa, pode ser
diagnosticada pela aura. Se a pessoa contrai uma infeco
com outra, decorre certo tempo antes que a enfermidade se
manifeste substancialmente no fsico. Na aura, porm, no
exato momento em que agride, a infeco se mostra com
grande clareza sob a forma de linhas de tenso.
Se a molstia  de origem "interna", um exame peridico da
aura mostrar seu perigo muito tempo antes que o corpo seja
seriamente afetado. A doena pode ser tambm curada antes
que se manifeste.
Em conexo com este assunto, estive trabalhando nisto du-
rante toda a vida e a maior dificuldade foi sempre levar as
pessoas a tirarem a roupa. Lembro-me do caso de certa
nobre senhora inglesa com quem eu discutia o assunto.
Conversvamos e essa senhora muito nobre, que fora casada
e tinha famlia, disse: "Oh! O senhor quer ver corpos
desnudos. Digo-lhe enfaticamente que tudo farei para opor-
me a qualquer tcnica que exija que a mulher tire a roupa e
exponha certas partes do seu corpo." Eu, controlando-me
muito, abstive-me de lembrar  nobre senhora que ela teve
de expor certas partes do corpo para ter filhos.

CAPTULO   12

SE VOC NO ACREDITA NOS DEMAIS,
COMO PODE ESPERAR QUE ACREDITEM EM
VOC?

O Ancio recostou-se na cama. O sol vespertino comeava
justamente a esconder-se por trs das baixas colinas, envian-
do os ltimos raios em reflexos de luz sobre as plcidas guas
do rio Saint John.
 esquerda, a fbrica de papel vomitava ainda nuvens
furiosas de fumo a vapor como fazia vinte e quatro horas por
dia, escurecendo o cu e poluindo a atmosfera. Para o rio
corriam todos os refugos, espalhando incrvel mau cheiro no
ar de Saint John, um mau cheiro do qual todos se queixavam
e sobre o qual coisa alguma se fazia.
A neve derretia-se rapidamente. Chegara a primavera, o
comeo de primavera. Com o sol deitando-se rapidamente
por trs das colinas, as aves voavam em rpidos bandos para
chegar aos ninhos enquanto ainda havia luz.
Diretamente abaixo da janela, Sinjin, um gato telepata,
cantava uma cano solitria, convidando as gatas das
vizinhanas a virem e serem recebidas. A voz subia e descia,
tremendo com a intensidade da emoo. De tempos em
tempos, parava, elevava bem alto a cabea e sentava-se
mesmo sobre as patas traseiras como um coelho e escutava
atentamente se alguma resposta dizia que seu convite fora
aceito. Desapontado por no ouvir sugesto alguma nesse
sentido, caiu de quatro novamente e, com a cauda
balanando de emoo, recomeou, como um antigo
vendedor londrino anunciando seus artigos, embora nada de
"vassouras, panelas, espanadores". O canto dizia coisa
diferente: "amor gratuito, venham logo, estou  espera".
Automveis passavam com um rugido e chiados de metal.
Donos de lojas e seus auxiliares dirigiam-se com grande lan
para os ptios de estacionamento, batiam estrepitosamente
as portas dos carros, gritando, "boa noite. . . boa noite", antes
de subirem s pressas os degraus na corrida constante para
conseguir lugar no elevador.
O Ancio recostou-se e pensou no passado, nas dificuldades
de vida, nos poucos, pouqussimos prazeres e nos muitos,
numerosssimos sofrimentos. Vida dura, sim, pensou. Mas,
graas a Deus, era a ltima volta da roda, a ltima estada na
terra. E agora, matutou, praticamente fiz tudo que havia no
sto e at mesmo joguei fora o lixo.
	No, ainda no  disse uma voz muito conhecida e
muito querida.  A tarefa no terminou ainda. Voc fez
mais do que devia, mas... a tarefa no est ainda terminada.
O Ancio voltou-se sobre um dos lados e,  direita, muito
perto, viu a figura superastral do Lama Mingyar Dondup,
sorrindo com uma brilhante radiao dourada.
	O senhor me deu um susto  disse o Ancio  e
gostaria que apagasse as suas luzes agora. Elas me lembram
de quando estive na Inglaterra, em Londres.
	Oh, o que foi?  perguntou o Lama Myngyar Dondup.
 Algo que eu no saiba?
	Forosamente, sim  respondeu o Ancio.  Deixe que
eu lhe conte. Eu me encontrava num edifcio em South
Kensington muito tarde da noite, pensando no escuro, ape-
nas pensando em coisas, meditando e, por algum motivo,
no corri a cortina. Inesperadamente, ouvi uma violenta
batida na porta do trreo. Com o susto, recuperei a
conscincia e desci para verificar qual a causa da agitao.
Encontrei dois musculosos policiais londrinos.
	Senhor  disse o primeiro, um sargento, pelas divisas 
o que est fazendo neste edifcio?
	Fazendo?  perguntei.  Acho que no estava fazendo
coisa alguma. Estava simplesmente sentado, para dizer a
verdade.
	Bem  respondeu o sargento  fomos chamados aqui
com toda urgncia porque o senhor emitia luzes muito
brilhantes pela janela.
	Oh  repliquei  tenho certeza que no, mas, se
estivesse, seria isso crime?
O sargento olhou para o subordinado e, encolhendo os
ombros, disse:
	Bem, poderia ser. O senhor poderia estar enviando sinais
a uma quadrilha, dizendo que o caminho est livre ou qual-
quer outra coisa.  E tomou uma deciso.  Eu quero dar
uma busca neste lugar.
Perguntei:
	Tem um mandado?
	No  respondeu  mas se no conceder permisso para
dar a busca, deixarei o guarda aqui vigiando-o enquanto saio
para conseguir o necessrio mandato.
Encolhi os ombros e respondi:
	Muito bem, faam o que quiserem.
E assim os dois policiais andaram pela casa, examinaram cada
coisa e, mais extraordinrio de tudo, puxaram as gavetas de
minha escrivaninha e lhe examinaram o interior. No tenho
idia do que pensavam encontrar ali. Mas, de qualquer
modo, aps trs quartos de hora, pareceram convencidos e
no momento em que saam, o sargento disse:
	No faa isso novamente, senhor, por favor. D muito
trabalho.  E foram embora.
O Lama Mingyar Dondup riu.
	Tudo que voc faz, Lobsang  disse  parece atrair a
ateno errada. No posso lembrar-me de outra pessoa que
fosse quase presa por mostrar a aura enquanto medita.
O Ancio, parecendo um tanto triste, respondeu:
	Ento, o senhor pensa que minha tarefa no terminou
ainda, hem? Desta vez o que foi que eu deixei de fazer?
Replicou o Lama Mingyar Dondup:
	Voc fez tudo. No  uma questo do que deixou
incompleto. Voc fez mais, muito mais do que veio aqui
fazer, mas acontece que, em virtude do fracasso de outros,
h mais.
	O qu?  perguntou o Ancio.
O Lama Mingyar Dondup olhou para baixo e tentou su-
primir um sorriso ao dizer:
 Talvez outro livro, para formar uma dzia. Teremos de
pensar a esse respeito. Seria, sem dvida alguma, apreciado.
Mas h outra pequena tarefa a ser feita, algo ligado com uma
inveno que talvez ainda exploda sobre um mundo sur-
preso.
Durante algum tempo, o Ancio e o Lama Mingyar Dondup
discutiram o assunto, mas este no  o lugar para revelar o
que foi dito. O Ancio, quase moribundo, com as contas
mdicas subindo sem parar, alm de outras despesas vitais,
perguntou-se como poderia resistir, mesmo por mais alguns
meses. Finalmente, o superastral do Lama Mingyar Dondup
desvaneceu-se e a luz minguante do dia envolveu-o
novamente.
Tempo. Que coisa estranha  o tempo artificial. Pode-se
viajar daqui para o mundo astral e voltar num pestanejar de
olhos. E, no entanto, aqui na terra, a pessoa vive presa ao re-
lgio e ao movimento do sol, que o controla. Aqui em Nova
Brunswick, o sol estava morrendo. A alguns milhares de
quilmetros de distncia, Valeria Sorock, aquele paradigma
de lealdade e correo, provavelmente estaria saindo do
escritrio e, tambm provavelmente, pensando no ch. Sim,
com toda certeza, pensou o Ancio, Valeria estaria pensando
no ch, porque uma de suas fraquezas era que ela pensava
demais em aumentos. "Tenho que falar-lhe a respeito da
dieta", pensou o Ancio.
Na outra direo, as Sras. Worstmanns estariam, com toda
probabilidade, escutando rdio em casa em fins da noite,
talvez muito tarde, talvez estudando, e talvez uma delas
estivesse prestes a entrar de servio no turno da noite.
No aposento do Ancio, Taddy e Cleo, as duas senhoritas,
empenhavam-se na diverso vespertina, correndo atrs do
brinquedo favorito, este era um belo e macio cinto de um
roupo. O Ancio pensou em Taddy e Cleo, que desde que
haviam nascido receberam o tratamento de crianas, que
tudo fora feito para que sentissem que eram entidades to
importantes como seres humanos. A tarefa produzira os
melhores frutos, pois, de fato, as duas eram pessoas reais. De
meia-noite at o meio-dia, o nome da Srta. Cleo era
mencionado em primeiro lugar e, de meio-dia at meia-
noite, o da Srta. Taddy. Assim, tinham certeza de tratamento
absolutamente igual, sem o menor trao de favoritismo.
A Srta. Taddy, volumosa, gorda, de aparncia satisfeita, adora
agachar-se por trs de uma das almofadas de coar, enquanto
a extremamente bela, esguia e graciosa Srta. Cleo salta para
cima e para baixo e faz ginsticas felinas totalmente in-
crveis.
A noite, porm, adensava-se. O ar esfriava e havia ainda uma
sugesto de geada no ar. No lado de fora, caa o termmetro
e as pessoas na rua andavam bem agasalhadas.
O Ancio esperara ansiosamente por esse dia, o dia em que
terminaria o undcimo livro e poderia afastar todos os
pensamentos e dizer: "Nunca mais, acabou, nada mais a
escrever, o meu tempo na terra est quase no fim." Mas
agora, com a visita do superastral do Lama Mingyar
Dondup... Bem, pensou o velho, no  verdade que a tarefa
nunca termina, que a pessoa  levada pela estrada como um
carro raqutico at finalmente cair aos pedaos? Eu estou
praticamente em pedaos agora, pensou. Mas  assim, o que
tem que ser, ser, e quando uma tarefa precisa ser
completada, no o ser at que haja algum para termin-la.
Assim, pensou o Ancio, preciso esforar-me para durar um
pouco mais e, quanto a escrever outro livro, quem sabe?
Talvez valha a pena elevar o nmero em ingls para doze.
"Eu gostaria de dizer a todas as pessoas em todo o mundo",
pensou, "que estes livros so autnticos, que tudo aqui
relatado  autntico, e isto  uma declarao categrica!"
Assim, chegamos ao fim do que no , afinal de contas, um
dia perfeito, porque a tarefa no foi terminada, resta vencer
a batalha final, h mais a fazer e pouco tempo e pouca sade
para faz-lo. Posso apenas tentar.
Aqui e agora, permitam-me manifestar meus agradecimen-
tos mais sinceros  Sra. Sheelagh Rouse, conhecida como
Buttercup, pelo imenso cuidado e trabalho com que
datilografou meus livros, cuidado e trabalho que aprecio
talvez mais do que ela pensa.
Permitam-me, ainda, agradecer a Ra'ab pelo cuidado ex-
tremo e exatido com que ela conferiu cada palavra e fez su-
gestes realmente valiosas. Ela ajudou-me em minha tarefa.
E por fim, embora no em ltimo lugar, deixem-me agra-
decer  Srta. Tadalinka e  Srta. Clepatra Rampa pelo
estmulo e divertimento que me proporcionaram. Estas duas
queridas pessoazinhas fizeram com que valesse a pena
continuar um pouco mais, pois nunca em seus quatro anos
de vida mostraram qualquer despeito, o menor mau humor,
a mais leve irritao. Se os seres humanos fossem to
equnimes e de natureza to doce como as duas, no haveria
problemas nem guerras na terra. Haveria, realmente, a Idade
de Ouro pela qual o mundo ter ainda que esperar.
E, por ltimo, chegamos neste livro ao momento em que
podemos dizer: "Fim".

